![]() Foto cedida por Optobionics A retina artificial de silicone é do tamanho do ponto acima da data desta moeda |
O caminho atual que os cientistas estão tomando para criar a visão artificial recebeu um impulso em 1988, quando o Dr. Mark Humayun demonstrou que era possível fazer um cego ver a luz ao estimular os gânglios nervosos da parte posterior da retina com uma corrente elétrica. Esse teste provou que esses nervos ainda funcionavam mesmo quando a retina já havia se degenerado. Então, usando essa informação como ponto de partida, os cientistas iniciaram pesquisas para criar um dispositivo que pudesse traduzir imagens e pulsos elétricos capazes de restaurar a visão.
Hoje, esse equipamento está muito próximo de ficar disponível para milhões de pessoas que perderam a visão devido a doenças da retina. Na verdade, há microchips de silicone sendo desenvolvidos e um já foi implantado nos olhos de três pacientes cegos. O conceito de cada um deles é semelhante, cada um sendo:
Médicos da Universidade de Illinois, no Chicago Medical Center e no Hospital Central DuPage, em Winfield, realizaram o implante das primeiras retinas artificiais nos olhos de pacientes cegos que haviam perdido quase toda sua visão devido à retinite pigmentosa. Os testes preliminares dessas cirurgias (que contaram com a aprovação da FDA) determinaram que o equipamento não havia apresentado problemas de compatibilidade com o tecido dos olhos dos pacientes até o momento. Embora possa demorar meses antes dos médicos conhecerem os resultados dessas cirurgias, eles esperam que os pacientes possam reconquistar parte de sua visão, permitindo que vejam ao menos imagens vagas em preto em branco.
A ASR contém cerca de 3.500 células fotoelétricas microscópicas capazes de converter luz em pulsos elétricos, imitando a função dos cones e bastonetes. Para implantar este mecanismo no olho, os cirurgiões fazem três pequeninas incisões, menores do que o diâmetro de uma agulha, na parte branca do olho. Através dessas incisões, os cirurgiões introduzem um dispositivo de corte e aspiração em miniatura que remove o gel do centro do olho e o substitui por salino. Depois, é aberto um pequeno ponto de precisão na retina através do qual eles injetam o líquido para elevar a porção da retina na parte posterior do olho, criando uma pequena bolsa no espaço abaixo da retina para que o dispositivo seja encaixado. Por fim, a retina é selada sobre a ASR.
![]() Foto cedida por Optobionics. Aqui você pode ver a retina artificial posicionada entre as camadas externa e interna da retina |
É necessária energia para que qualquer microchip possa funcionar, e no caso da ASR, o mais incrível é que ela recebe toda a energia de que precisa da luz que entra no olho. Como você já aprendeu anteriormente, a luz que entra no olho é direcionada para a retina, o que faz com que, por ser implantada atrás da retina, a ASR receba toda a luz que entra no olho. E essa energia solar elimina toda a necessidade de fios, baterias ou qualquer outro dispositivo de apoio para fornecimento de energia.
Outro microchip que poderia restaurar parcialmente a visão está atualmente sendo desenvolvido por uma equipe de pesquisadores das universidades Johns Hopkins University, North Carolina State University e University of North Carolina-Chapel Hill. Com o nome de chip componente da retina artificial (ARCC), este dispositivo é bem semelhante à retina artificial. Ambas são feitas de silicone e alimentadas por energia solar, e o ARCC também é muito pequeno (2 mm2 e espessura de 0,02 mm). Mas há diferenças significativas entre eles.
Ao contrário da ASR, que é posicionada entre as camadas do tecido da retina, o ARCC é colocado sobre a retina. Como ele é muito fino, a luz que entra no olho pode passar pelo dispositivo e atingir os fotossensores na parte traseira do chip. Porém, é importante ressaltar que essa luz não é a fonte de alimentação dele, já que há um dispositivo secundário ligado a um par de óculos comuns que emite um laser nas células fotovoltaicas do chip, sendo a fonte de energia que alimenta o microchip. E esse laser sim, teria de ser alimentado por uma pequena bateria.
De acordo com pesquisadores, o ARCC irá dar aos pacientes cegos a capacidade de ver imagens de 10 por 10 pixels, aproximadamente o tamanho de uma única letra desta página. Mas também disseram que há a possibilidade de que cheguem a desenvolver uma versão que permitirá um campo de 250 por 250 pixels, permitindo a leitura comum.