Embora os pesquisadores de Yale tenham usado um vírus para destruir os tumores dentro do cérebro, cientistas do Centro Médico Cedars-Sinai, em Los Angeles, estão tomando uma outra direção. A equipe o está usando para tornar o sistema imunológico do corpo mais eficaz.
O grupo de Cedars-Sinai usou um vírus isolado de suas propriedades nocivas, transformando-o essencialmente em um veículo de transporte para duas proteínas. O vírus injetado carrega essas proteínas até o tumor. Uma dessas proteínas identifica o local do câncer. Essas células servem como apresentadores de antígeno - são o alarme para o sistema imunológico.
A outra proteína - um tipo do herpes simples (em inglês) - age como uma bomba-relógio. Quando associado ao medicamento ganciclovir, o herpes destrói as células cancerosas.
Como a proteína do herpes acaba com os tumores, os dendritos arrumam a bagunça. Com a descoberta dos antígenos, essas células alertam o sistema imunológico. O sistema imunológico, então, começa a destruir os tumores [fonte: Centro Médico Cedars-Sinai (em inglês)]. As células imunológicas não conseguem fazer seu trabalho, a menos que saibam que há um problema no cérebro, devido à barreira hematoencefálica. Os pesquisadores do Cedars-Sinai estão pesquisando como informar o sistema imunológico sobre o problema no cérebro.
O grupo de Cedars-Sinai concentrou seus esforços no GBM (glioblastoma multiforme), uma forma comum e fatal de câncer no cérebro. Os pacientes geralmente têm um ano ou menos de vida após o diagnóstico de GBM e os métodos tradicionais de tratamento podem ser ineficazes [fonte: Sociedade de Neurologia da Índia (em inglês)]. O GBM sofre metástase com facilidade - o que significa que o câncer se espalha além do local original da doença. Isso dificulta ainda mais o tratamento do câncer, já que a área se espalhou, além da remoção cirúrgica de todos os tumores.
Mas o uso de vírus como entregadores de proteína se mostrou promissor no teste em ratos de laboratório. Ratos com GBM apresentaram um índice de sobrevivência de 70%, sem quaisquer efeitos indesejados significativos [fonte: Cedars-Sinai (em inglês)]. Existe também outra vantagem: a terapia aparentemente tem um efeito residual, defendendo com sucesso, novas recidivas dos tumores.

O vírus injetado vai atrás das células cancerosas, como o vírus no estudo de Yale. Mas o gene associado ao vírus sinaliza a proteína TIMP3, que funciona principalmente para reduzir a construção dos vasos sangüíneos dentro do tumor, que fortalecem seu crescimento alimentando-o. A terapia ataca essencialmente o tumor e protege contra qualquer reforço que possa ajudá-lo a voltar.
Todas essas terapias se mostraram promissoras nos laboratórios e o estudo de Cedars-Sinai foi planejado para começar o teste em humanos em 2008. Entretanto, é irônico que o que sempre consideramos nosso inimigo - o vírus - possa ser nosso aliado mais valioso na luta contra o câncer.
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