Pesquisa de combate ao vício

A pesquisa continua investigando formas de quebrar o círculo vicioso. Hoje, a genética está entre as investigações mais importantes sobre a natureza do vício. Até agora, essa pesquisa rendeu muitas informações sobre o vício no nível genético e nos processos do cérebro. Os pesquisadores isolaram vários genes, hormônios e substâncias químicas no cérebro que estão diretamente relacionados a certos tipos de vícios. Ao identificar esses aspectos do vício, eles formaram a base que poderia levar à criação de medicamentos para o tratamento do vício específico.

 

Os geneticistas estão isolando os genes, os hormônios e as substâncias químicas no cérebro que reagem a substâncias específicas.
Foto de Guang Niu/Getty Images
Os geneticistas estão isolando os genes, os hormônios e as substâncias químicas no cérebro que reagem a substâncias específicas.
Outras pesquisas poderiam nos ajudar, um dia, a
curar o vício como uma doença crônica.

Entretanto, os geneticistas não acreditam que encontrarão um único gene que leve às pessoas a se viciarem. A pesquisa, até agora, mostrou que a pré-disposição genética é causada, provavelmente, por uma combinação de genes que trabalham juntos. De maneira interessante, a pesquisa revelou que os genes também têm um papel importante ao fazerem com que as pessoas sejam menos suscetíveis ao vício. Em vez de simplesmente não ter os genes que poderiam estimular o vício de uma substância, algumas pessoas realmente têm os genes que podem evitar que elas nunca se tornem viciadas.  

Já existem alguns medicamentos em uso que podem tratar o vício ou aliviar os sintomas. Durante muitos anos, a metadona foi usada para tratar a dependência de heroína. Esse medicamento afeta os receptores do entorpecente e pode aliviar os sintomas físicos e psicológicos durante a abstinência. Outro medicamento que se mostrou promissor no tratamento da dependência de heroína, o LAAM (levo-alfa-acetilmetadol), age como um antagonista opióide, evitando que os receptores do entorpecente no cérebro sejam estimulados, degradando, assim, o efeito que a heroína faz no usuário.

Outro medicamento prescrito, o Nalmefene, controla o vício do jogo. Também foi testado para ver se pode curar o alcoolismo, mas não apresentou tanta eficácia como no tratamento do vício do jogo.

Os medicamentos mais comuns usados para tratar os vícios são os antidepressivos. Esses medicamentos lidam com os sentimentos de desespero que podem resultar da dependência psicológica. Também podem ajudar a tratar primeiramente qualquer condição pré-existente, como depressão, que pode ter levado ao vício.

Esse é um bom exemplo da abordagem holística que a ciência atualmente está usando para tratar o vício. Tal abordagem identifica a necessidade de tratar não apenas a doença cerebral do vício, mas também os fatores internos (como genéticos) e os fatores de risco externos que possibilitam o vício. O vício é uma doença crônica de muitas faces e requer um tratamento muito complexo para fazer a vida de um viciado voltar ao normal.

Os genes que viciam
Os geneticistas isolaram alguns genes e hormônios que estão relacionados a tipos específicos de vício. Os cientistas esperam que, estudando essas diferenças, sejam capazes de curar totalmente os vícios, algum dia.
  • Gene receptor Htr1b: os ratos que não possuem esse gene gostam mais de álcool e cocaína do que os ratos que os têm.
  • Gene receptor Cnr1: os ratos sem ele não respondem muito bem à morfina.
  • Gene ALDH*2: os seres humanos com duas cópias desse gene apresentam menos probabilidade de desenvolver o alcoolismo.
  • Neuropeptídeo Y: baixos níveis desse hormônio foram associados ao desejo de álcool nos ratos.

[fonte: University of Utah]

Para obter mais informações sobre vício e tópicos relacionados, verifique os links na próxima página.