por
Joshua Clark - traduzido por HowStuffWorks Brasil
No que somos viciados
Substâncias diferentes produzem níveis diferentes de êxtase, ressaca, vício e desejo. Algumas produzirão poucos sintomas físicos de desabituação, porém fortes desejos. Outras podem simplesmente fazer o contrário. Alguns pesquisadores concluíram que a dependência psicológica é a mais extrema das duas, já que tem grandes conseqüências para a pessoa (destruindo relacionamentos pessoais), e para toda a sociedade (através de crimes cometidos para obter as drogas).
 Foto de Paula Bronstein/Getty Images Agulhas usadas enchem o chão de uma construção abandonada onde muitos viciados vivem em Kabul, Afeganistão |
Existe uma ampla variedade de substâncias em que uma pessoa pode se viciar. Na América do século XXI, as drogas piores e usadas com mais freqüência são:
- metanfetaminas - o uso prolongado desse estimulante pode levar a sintomas psicóticos, como fortes alucinações e comportamento violento. Estudos feitos dos padrões do cérebro de algumas pessoas que usavam metanfetaminas por muito tempo mostraram que até 50% de suas células produtoras de dopamina sofreram lesão. Tem havido uma diminuição do uso de metanfetamina desde 2001 [fonte: DEA];
- medicamentos prescritos - uma das substâncias de abuso que mais cresce nos Estados Unidos. Entre 1980 e 1998, o abuso de medicamentos aumentou 400%. Praticamente, a mesma quantidade usada na América Latina de cocaína [fonte: NIDA];
- heroína - em 2005, 2,4% da população americana declarou ter usado heroína pelo menos uma vez [fonte: Departamento de Saúde]. Os sintomas da desabituação da heroína são particularmente dolorosos e podem surgir algumas horas após a dose desaparecer. Por isso, os usuários têm uma grande chance de recaída; em 2004, o índice de entrada para tratamento de uso de heroína pela quinta vez ou mais foi mais alto do que o índice de entrada pela primeira vez [fonte: NIDA];
- álcool - os médicos consideram o abandono do álcool mais perigoso do que o de heroína, devido aos sintomas físicos que surgem ao longo da desabituação do álcool. Em 2003, estimou-se 18 milhões de alcoólatras nos Estados Unidos [fonte: NIAAA]. Os alcoólatras também estão mais propensos à recaída; em 2004, 22% dos alcoólatras, nos Estados Unidos, que procuraram tratamento já tinham passado por reabilitação pelo menos uma vez [fonte: NIDA].
Não é apenas em substâncias que uma pessoa pode se viciar. Algumas pessoas podem ter comportamentos compulsivos em relação à alimentação e sexo. Embora uma pessoa com vício de comportamento sinta o mesmo fluxo de dopamina, quando o comportamento compulsivo é interrompido ela não sentirá sintomas físicos como um viciado em substâncias. Entretanto, os efeitos que os vícios compulsivos podem ter na vida de uma pessoa podem ser devastadores. Alguns dos comportamentos compulsivos mais comuns são:
- vício em sexo - caracterizado por um desejo sexual intenso ou uma obsessão por sexo. Um viciado em sexo terá um comportamento sexual arriscado, mesmo que isso custe seus relacionamentos e sua saúde. Ele pode ter vários casos amorosos, mas terá problemas em criar vínculos ou mesmo ter prazer durante o ato. Ao tratar o vício do sexo, o objetivo não é a abstinência, mas o retorno de um comportamento sexual não prejudicial;
- comida - o vício em comida é chamado de transtorno de exagero alimentar. É semelhante à bulimia, mas em vez de comer e vomitar compulsivamente, o viciado em comida apenas come em excesso. Estima-se que 2% das pessoas nos Estados Unidos tiveram o transtorno de exagero alimentar em 2005 [fonte: Anred];
- jogo - foram estimados mais de 2 milhões de viciados em jogo, nos Estados Unidos, em 2002. Assim como acontece com a droga, o viciado em jogo fica desesperado para fazer apostas. Ele também perderá o controle de não jogar. Ao contrário do tratamento para os vícios de sexo e comida, a abstinência é considerada o objetivo da reabilitação para o viciado em jogo [fonte: Biotie].
Na próxima seção, veremos o que a
ciência está fazendo para combater o vício.