Introdução

Histórias sobre vícios que destruíram vidas são comuns em nossa sociedade hoje em dia. Existem inúmeros relatos sobre até que ponto chega um viciado e o que ele é capaz de fazer para conseguir drogas, como crack, heroína e mesmo álcool, servindo para evitar que outras pessoas sigam o mesmo caminho.

Galeria de imagens de vícios (em inglês)

Crack
Foto de Paula Bronstein/Getty Images
A nossa compreensão sobre vícios, incluindo dependência
em substâncias como heroína (mostrada acima),
aumentou muito nas últimas três décadas

Existem muitas questões sobre a natureza do vício. A negação é um bom indicador de dependência? Algumas drogas realmente causam tanta dependência quanto as pessoas dizem? Quando se trata de questões sobre prevenção do uso de drogas e álcool, existem muitas táticas, mas convencer uma pessoa a não usar essas substâncias é muito difícil, principalmente quando usamos argumentos exagerados, já que o exagero provoca sentimentos de desconfiança.

Talvez o melhor caminho para a prevenção do abuso de substâncias seja a compreensão clara do processo de dependência e dos efeitos que ela pode ter no usuário. Com esse intuito, pesquisadores chegaram a um ponto de vista bem colocado com base na ciência sobre o vício. Aprendemos muito nas últimas décadas, incluindo a idéia de que o vício pode ser não apenas de abuso de substâncias, mas também relacionado a comportamentos, como sexo e alimentação.

Abuso de drogas e álcool
O Centro Nacional de Dependência e Abuso de Substâncias relatou que 23% dos alunos universitários de período integral atendem aos critérios médicos de dependência e abuso de substâncias - mais de duas vezes a proporção da população em geral dos Estados Unidos.  

Embora tenhamos nos aprofundado no estudo do vício, ele ainda é um conceito relativamente novo. Durante algumas centenas de anos, e durante séculos antes disso, a visão geral em relação ao álcool era de que as pessoas simplesmente queriam consumir vez por outra a bebida, e não por uma necessidade interna ou externa [fonte: Levine]. Mas como surgiram relatos e confissões de pessoas que tinham um desejo irresistível de consumir álcool e drogas (uma vez que se tornaram mais acessíveis), nossa idéia sobre algumas substâncias mudou, e acabamos desenvolvendo o conceito do vício.

Acreditava-se originalmente que certas substâncias, como o álcool e, posteriormente, o ópio, tinham propriedades viciantes, o que significa que seu conteúdo era considerado o culpado. Essa idéia logo mudou, e o vício passou a fazer parte do caráter do viciado. A dependência de drogas e álcool era vista como uma falha da personalidade - que a pessoa não conseguia se comportar. Posteriormente, o vício passou a ser visto como algo de que a pessoa sofria, como uma doença.

Embora tenhamos conhecimento de que certas substâncias agem no cérebro de forma a fazer com que a pessoa queira usar mais, os viciados em droga e os alcoólatras ainda são considerados pela sociedade como pervertidos; afinal de contas, eles preferiram usar drogas em primeiro lugar. E com todos os dados disponíveis e os avanços médicos na identificação de diferentes aspectos do abuso de álcool e substâncias, a ciência ainda está trabalhando com algumas questões importantes, como a possibilidade de as substâncias serem viciantes ou as pessoas serem viciadas nas substâncias - ou os dois.

Nesse artigo, examinaremos as idéias atuais sobre o vício e veremos as formas como a ciência está dando continuidade a sua pesquisa para compreender, de uma vez por todas, o mistério do vício.

A era vitoriana: espartilhos e morfina
No fim do século XIX, os entorpecentes, como a morfina, podiam ser encontrados em muitos tônicos e medicamentos usados para várias doenças. Como resultado, foram tantas as mulheres de meia idade que ficaram viciadas nos entorpecentes que o vício na droga foi visto como um problema feminino, além da síndrome pré-menstrual e da menopausa [fonte: Keire].
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