Conforme documentado no livro de Tom Wolfe, "The Electric Kool-Aid Acid Test", o autor Ken Kesey e seus Merry Pranksters promoviam "testes do ácido" na década de 60. Eram festas super badaladas em que as pessoas eram convidadas a experimentar os efeitos do LSD. Ao som de Grateful Dead, jogos de luzes e artes psicodélicas aumentavam os efeitos para os convidados que bebiam o refresco com LSD oferecido.
As festas de degustação de hoje são um pouco mais comportadas. As pessoas se reúnem para consumir o fruto e, depois, provam diferentes alimentos juntas. Nada de jogos de luzes ou alucinógenos; apenas um sortimento de alimentos azedos e picantes, como frutas cítricas, picles e queijos. Os convidados se admiram de como o limão e a lima parecem bala, ou como o ruibarbo parece açúcar [fonte: Slater (em inglês)]. Alimentos apimentados, como mostarda picante e molho Tabasco, podem causar uma reação interessante, pois você não sente o gosto ardido, mas o sente no nariz e na garganta.
Para aqueles que gostam de se divertir tomando bebidas alcoólicas, a fruta milagrosa ainda poderia ser usada. Bartenders experimentaram fazer coquetéis com a frutinha milagrosa. Uma mulher em uma dessas festas misturou sorvete de limão com cerveja Guinness e disse que a mistura parecia milk shake de chocolate, e a tequila mais barata de repente passou a ser da melhor qualidade [fonte: Farrell, Bracken (em inglês)]. Mas é melhor pedir aos enófilos que deixem seu vinho em casa; a miraculina vai fazer qualquer tipo de vinho parecer Manischewitz, de acordo com um organizador dessas festas gastronômicas [fonte: Farrell, Bracken (em inglês)].
Se você quiser ir a uma dessas festas de degustação, melhor passar primeiro no caixa eletrônico, pois essa não é a maneira mais barata de se divertir. Uma única fruta milagrosa pode custar dois dólares ou mais, e a entrada para a festa descrita no The New York Times custa 15 dólares [fonte: Farrell, Bracken (em inglês)].
Você também pode ficar na expectativa até promover sua própria festa. A fruta milagrosa cresce lentamente e os frutos surgem nas plantas somente depois de alguns anos. Há duas ou três grandes safras por ano, sendo que cada uma produz aproximadamente mil frutinhas [fonte: Tran (em inglês)]. Talvez elas não sejam suficientes agora que a viagem do paladar ficou conhecida nas páginas do Wall Street Journal e do The New York Times (e do HowStuffWorks, é claro). Curtis Mozie, produtor da fruta milagrosa na Flórida, recebeu pedidos que totalizam US$ 60 mil, quatro vezes seu lucro do ano anterior, nos dois dias seguintes à matéria do The New York Times [fonte: Tran (em inglês)].
Mas talvez você esteja curioso para saber se existe algum perigo em consumir essa fruta. Os médicos dizem que não, a menos que você seja alérgico à proteína. Entretanto, as reações alérgicas à fruta milagrosa são relativamente leves: podem se manifestar como náusea ou suor frio [fontes Tran (em inglês), Van Atta]. Uma análise realizada descobriu que uma fruta milagrosa que concentra 3 mil vezes a quantidade normal consumida não apresentou efeitos colaterais [fonte: Cannon (em inglês)]. E como a miraculina neutraliza somente os sabores azedos, não adianta consumi-la achando que outros tipos de alimentos se tornarão saborosos [fonte: Cannon (em inglês)]. No entanto, vale a pena lembrar que, não é porque a comida não parecia ácida, que você vai poder consumi-la em exagero. Muitas pessoas que usam a fruta milagrosa acordam no dia seguinte com ressaca envolvendo dor de estômago e aftas.
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