Usos da miraculina

Pense nas pessoas que adorariam comer doces sem os efeitos calóricos. Como elimina a necessidade de açúcar, a miraculina pode ter aplicações poderosas para diabéticos e pessoas que querem emagrecer, mas não conseguem seguir uma dieta insípida. Além disso, os produtores da fruta milagrosa relatam que muitos pacientes com câncer a procuram - alguns acham que ela elimina o gosto de metal que, às vezes, fica na boca como um efeito colateral da quimioterapia (em inglês) [fonte: Slater (em inglês)]. O exército norte-americano pesquisou o fruto, talvez acreditando que a miraculina pudesse fazer com que os alimentos mais intragáveis pudessem ser consumidos [fonte: Cannon (em inglês)].

Viagem do paladar

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Se está de dieta, não fique triste. Você pode esbanjar com a miraculina.

Um país que utiliza a fruta milagrosa para apelar aos contadores de calorias é o Japão. O Miracle Fruits Cafe, em Tóquio, oferece sobremesas com menos de 100 calorias. Todas elas são suaves e amargas, mas depois que se consome a fruta milagrosa, elas ficam tão fantásticas quanto bolos e sorvetes [fonte: McCurry (em inglês)].

Uma refeição no Miracle Fruits Cafe é cara porque a frutinha pode estragar com muita facilidade. Entretanto, um importador de comida japonesa conseguiu congelar os frutos a vácuo. Outro avanço importante pode ter ocorrido em 2006, quando pesquisadores japoneses anunciaram que tinham projetado geneticamente a alface para produzir miraculina [fonte: Rowe (em inglês)]. Antes dessa façanha, os cientistas foram incapazes de produzir miraculina em bactérias, em levedura ou em outras plantas. Se a miraculina pudesse ser produzida em mais formas do que apenas nas frutas milagrosas, talvez seu uso fosse mais comum.

Entretanto, um lugar onde a miraculina provavelmente não será usada com freqüência é os Estados Unidos. Podia ter sido uma oportunidade: na década de 70, os empresários Robert Harvey e Don Emery criaram a empresa Miralin com o objetivo de usar a miraculina na fabricação de produtos para diabéticos. Eles tentaram com comprimidos, chicletes e canudinhos aromatizados [fonte: Slater (em inglês)]. De acordo com Harvey, seu contato com o FDA (Food and Drug Administration - Agência de Controle de Alimentos e Medicamentos) os levou a acreditar que a agência classificaria o fruto como "reconhecido como seguro" [fonte: Fowler (em inglês)].

Apesar do sucesso da empresa com a miraculina, os patrocinadores da Miralin queriam que Harvey e Emery olhassem além do mercado para diabéticos. Em 1974, a Miralin desenvolveu picolés da fruta milagrosa. As crianças de Boston tinham a opção de escolher entre a versão açucarada e a versão com miraculina, e esta sempre era a preferida [fonte: Slater (em inglês)].

Depois do teste com o picolé, Harvey percebeu que estava sendo seguido. Disse que um carro estava andando lentamente próximo aos escritórios da Miralin, reduzindo a velocidade para tirar fotos, e que uma noite foi seguido no caminho para casa [fonte: Fowler (em inglês)]. De acordo com Harvey, ainda naquele ano, os escritórios da Miralin foram roubados e arquivos com informações para o FDA, espalhados. Na noite anterior ao início do lançamento de um grande produto, o FDA enviou uma carta informando que o fruto deveria ser classificado como aditivo alimentar. O novo status do fruto iria exigir anos de teste que a Miralin não podia arcar, então a empresa acabou falindo.

Harvey e Emery não conseguiram entender por que o FDA mudou de idéia. Emery acha que a agência sofreu pressão do mercado concorrente [fonte: Fowler (em inglês)]. A Sugar Association (Sindicato da Indústria do Açúcar) negou qualquer envolvimento e o Calorie Control Council (Conselho de Controle de Calorias), uma associação de fabricantes de adoçantes artificiais, não se pronunciou a respeito [fonte: Fowler (em inglês)].

A decisão do FDA significa que a fruta milagrosa pode ser cultivada legalmente, mas não pode ser utilizada nos alimentos. Vá para a próxima página para saber como os hippies ficam nas festas de degustação.