Razões do vegetarianismo

Mesmo com os vários graus de rigor do vegetarianismo, o princípio da dieta é simplesmente a abstenção de carne. Mas por trás dessa decisão - a de não comer carne - pode existir muita coisa. Os vegetarianos escolhem sua dieta por uma série de razões. Alguns se preocupam com a saúde, outros acreditam que a agricultura animal prejudica o ambiente, e há aqueles que não comem por questões morais ou religiosas.

vacas
Fotógrafo: Ronald Van Der Beek | Agência: Dreamstime.com
Alguns vegetarianos não comem carne porque
pensam que é desumano ou ruim para o ambiente

Saúde

O vegetarianismo tornou-se uma dieta pela saúde comum. Os alimentos prediletos dos vegetarianos, como frutas, verduras, grãos integrais e legumes são pobres em gordura e colesterol e ricos em fibra (em inglês), vitaminas C e E (em inglês), potássio (em inglês), ácido fólico (em inglês) e magnésio (em inglês). A Associação Americana de Dieta relata que os vegetarianos possuem pressão sangüínea (em inglês), colesterol e índices de massa corporal mais baixos do que os não vegetarianos [fonte: ADA]. Evidentemente, nenhuma dieta é automaticamente saudável. Os vegetarianos devem ingerir quantidade suficiente de proteína, cálcio (em inglês) e vitamina B12 (em inglês) sem abusar de alimentos gordurosos e calóricos, como o queijo, por exemplo.

Ambiente

Muitos vegetarianos estão tão preocupados com o bem estar da Terra como estão com o seu próprio. Alguns deles optam pela dieta por questões ambientais, pois acreditam que a agricultura tradicional tem menos impacto ecológico do que a agricultura animal. Saiba mais sobre essa questão indiscutivelmente moderna do vegetarianismo em Como funcionam os vegetarianos radicais.

Moralidade e religiosidade

As pessoas geralmente procuram não pensar sobre o lugar de onde veio a carne. Pode ser desagradável imaginar seu hambúrguer como uma vaca, de olhos arregalados, no pasto, abandonada como um animal doente em uma granja apertada. Mas, para muitos vegetarianos, a dissociação ou a negação é impossível. Em geral, sentem-se moralmente incapazes de comer animais que foram abatidos. Os vegetarianos radicais levam suas objeções éticas um passo além e recusam-se a comer produtos derivados do leite e ovos de animais, por acreditarem que eles têm uma vida curta e infeliz.

Algumas questões éticas do vegetarianismo tornaram-se uma tendência. Até mesmo aqueles que sempre consomem carne gostam da idéia de galinhas caipira ou de ovos de galinhas criadas fora de gaiolas - técnicas de criação animal que prometem uma alternativa mais compassiva à criação tradicional.

Os vegetarianos, há muito tempo, optaram pela dieta por questões éticas. Embora os primeiros praticantes tenham apenas evitado temporariamente a carne, por motivo de purificação, os primeiros vegetarianos regulares deram início à dieta após o despertar filosófico na região oriental do Mediterrâneo e na Índia (em inglês).

O filósofo Pitágoras de Samos (530 a.C.) pregou o vegetarianismo a seus seguidores. Pitágoras acreditava que, porque somos relacionados aos animais, deveríamos tratá-los com bondade. Muitos outros filósofos famosos concordavam - Platão, Epícuro e Plutarco condenavam o sacrifício do animal e evitavam comer carne.

Na Índia, as religiões budista e jainista pregavam que os homens não deveriam matar criaturas sensíveis para se alimentarem. Embora o budismo tenha entrado em decadência na Índia, o vegetarianismo espalhou-se pelo bramanismo e o hinduísmo. Muitas castas superiores e algumas inferiores adotaram a virtude jainista do "ahimsa", ou a não violência, que proibia ferir criaturas vivas [fonte: Encyclopaedia Britannica].

Mas como o vegetarianismo se transformou em um movimento pela saúde no século 19 e uma questão pelos direitos animais no século 20? Na próxima seção, aprenderemos sobre o vegetarianismo moderno.