![]() Imagem cedida por CDC Uma recriação do vírus influenza de 1918 |
Vacinas de vírus vivos atenuados: a expressão vírus vivos atenuados basicamente significa que a vacina é feita com vírus vivos, mas que causam uma forma muito fraca da doença. Essas vacinas são produzidas com vírus que se reproduzem cerca de 20 vezes dentro do corpo. Para se ter uma idéia, os vírus que não passam pelo processo de atenuação se reproduzem milhares de vezes. Quando a vacina é fabricada, o vírus ou a bactéria são atenuados em laboratório até o ponto em que continuam vivos e capazes de se reproduzirem, mas que não possam causar doenças graves. Sua presença é suficiente para fazer com que o sistema imunológico produza anticorpos para combater a doença no futuro.
"As vacinas com vírus vivos atenuados podem causar doenças bem leves em uma proporção menor de pessoas", diz o Dr John Bradley, membro do comitê sobre doenças infecciosas da Academia Americana de Pediatria (AAP - American Academy of Pediatrics). "Os sintomas da doença são geralmente muito leves e limitados a uma febre baixa ou nariz escorrendo". O Dr Bradley também observa que de 5 a 10% das crianças que receberam a vacina contra a varicela (catapora), desenvolveram uma forma leve da doença, nada comparado à doença com a carga total.
Para enfraquecer o vírus, os cientistas devem isolá-lo de uma pessoa infectada. Eles então cultivam o vírus em um tubo de ensaio. Eles "passam" o vírus para um segundo tubo de ensaio e depois para um terceiro, para um querto tubo e assim por diante. Os cientistas realizam essa "passagem" várias vezes - o vírus do sarampo (em inglês) foi passado 77 vezes. O vírus é retirado periodicamente de dentro do tubo de ensaio para verificar se houve mutação. Finalmente, o vírus se acustuma a viver no ambiente confortável do tubo de ensaio e acaba perdendo sua capacidade de produzir a doença nos seres humanos. Essas passagens são realizadas em um ambiente muito controlado e da mesma maneira todas as vezes. Essa descoberta foi considerada um passo importante para o desenvolvimento das vacinas, de acordo com o Dr William Schaffner, professor e chefe do Departamento de Medicina Preventiva da Vanderbilt University School of Medicine.
Exemplos de vacinas vivas atenuadas são a MMR (uma vacina combinada para sarampo, caxumba (em inglês) e rubéola (em inglês), conhecida no Brasil como tríplice viral, e a vacina contra a varicela.
Como acontece com qualquer medicamento, existe sempre o risco de efeitos colaterais. Os efeitos colaterais das vacinas são geralmente bem leves e limitados a dores no local da injeção, dor de cabeça e febre baixa. Reações graves não são completamente impossíveis, mas são raras. Se você suspeitar de uma reação grave, ligue para seu médico imediatamente para uma avaliação. |
Vacinas de vírus inativados: quando as vacinas inativadas são criadas, o vírus ou a bactéria são completamente mortos utilizando-se um elemento químico, geralmente, o formaldeído. Pedaços mortos de microorganismos que causam a doença (geralmente bactérias) são colocados na vacina. Como os antígenos estão mortos, a força dessas vacinas tendem a se desgastar com o tempo, resultando em imunidade com menor duração. Então, várias doses de vacinas inativadas são geralmente necessárias para fornecer a melhor proteção. O benefício das vacinas inativadas é que existe uma chance zero de desenvolver qualquer sintoma relacionado à doença. Reações alérgicas são possíveis, mas extremamente raras.
Os exemplos de vacinas inativadas são a da hepatite A (em inglês), hepatite B (em inglês), poliomelite, haemophilus tipo B (Hib), influenza, meningocóccica, pneumocóccica e a vacina da influenza.
Por que algumas vacinas são vivas e outras mortas?
"O importante é que a decisão seja inteiramente tomada em bases científicas", diz o Dr Schaffner. "Se os cientistas podem fazer uma vacina de vírus ou de bactérias inativadas que seja eficaz, essa é a melhor opção. É tudo uma questão de tentativa e erro". A maioria das doenças virais, ele diz, necessitam de vacinas de vírus vivos atenuados, mas a grande maioria de doenças bacterianas são prevenidas com vacinas inativadas. Apesar disso, existem algumas exceções a esta regra.
Então, quais são exatamente os ingredientes de uma vacina? Leia a próxima seção para saber.