Noções sobre vacinas

Jenner estava trabalhando no que agora é uma tese amplamente aceita: uma vez que uma pessoa é contaminada por uma doença, ela fica imune a ela o restante de sua vida. Por exemplo, se você pegasse varíola (em inglês), você estaria protegido de pegar novamente essa doença no futuro. Isso acontece porque seu corpo, quando exposto novamente ao vírus da varíola, reconhece a doença e a combate. A importância das vacinas é que elas ajudam o corpo a desenvolver a capacidade de lutar contra a doença sem deixar você muito doente. As vacinas realizam esses feitos maravilhosos enganando o corpo e fazendo com que ele pense que já tem a doença. Veja abaixo as etapas desse processo, conhecido como "resposta imunológica".

  1. A vacina é administrada. Ela contém formas fracas ou mortas do vírus ou da bactéria que causa a doença.
  2. sistema imunológico identifica proteínas estranhas dos vírus e bactérias também conhecidas como antígenos.
  3. Uma vez que os antígenos forem identificados, o sistema imunológico desenvolve proteínas contra os antígenos que circulam no sangue. Essas proteínas são chamadas de anticorpos. Eles lutam contra a infecção matando os vírus e as bactérias que causam as doenças. Os anticorpos são produzidos pelas células brancas chamadas de linfócitos, também conhecidas como células B. A principal função do linfócito B é criar anticorpos para combaterem a infecção.
  4. O corpo armazena esses anticorpos de maneira que eles fiquem disponíveis para combater a doença se ele for exposto à mesma doença no futuro. Infelizmente, os anticorpos são específicos para cada doença, então, se anticorpos da varíola forem adquiridos anteriormente, eles serão inúteis contra outras enfermidades.

child vaccination
Adek Berry/AFP/Getty Images
Crianças na Indonésia fazem fila para serem vacinadas

É muito importante observar que quando a doença real infecta uma pessoa, os vírus e as bactérias se multiplicam centenas e centenas de vezes até que a infecção aconteça. A vacina fornece antígenos suficientes para o corpo, mais adiante, reconhecê-los como parte dos vírus e bactérias que causam a doença e completar o processo da resposta imunológica, protegendo assim o corpo da doença no futuro.

Na próxima seção discutiremos os dois tipos de vacinas.

Por que não há vacinas disponíveis para todas as doenças?
O procedimento para desenvolver uma vacina demora muitos anos e demanda muito dinheiro, geralmente centenas de milhões de dólares. De acordo com Dr John Bradley, membro do comitê sobre doenças infecciosas da Academia Americana de Pediatria, as vacinas abaixo relacionadas têm maior prioridade para serem desenvolvidas:
  • as que combatem as doenças que causam mais mortes e seqüelas, como a meningite (em inglês);
  • as que evitam as doenças graves como sarampo (em inglês) e influenza;
  • as que, como a do rotavírus, evitam sofrimento importante.

Além disso, as vacinas são pesquisadas e produzidas por empresas, então o retorno do dinheiro investido deve ser significativo para justificar os altos custos de desenvolvimento. Vacinas para se prevenir a malária estão atualmente em desenvolvimento. A vacina contra a malária foi deixada de lado no passado porque o retorno financeiro não valia o investimento que a indústria teria que fazer, de acordo com o Dr Bradley. Entretanto, a Iniciativa da Vacina contra a Malária anunciou recentemente o início da Fase 1 dos estudos de uma nova vacina contra essa doença. Os estudos estão sendo realizados em Brisbane, Austrália.

Outro motivo pelo qual as vacinas podem ser difíceis de se produzir é que alguns vírus passam por mutações tão rápidas que as vacinas tradicionais são ineficientes. Um bom exemplo é o vírus HIV, causador da AIDS. Apesar desses obstáculos, existe um imenso esforço para desenvolver uma vacina para combater o HIV.