Melhorando o sistema

Quarenta anos atrás, muitas pessoas morreram porque os médicos não podiam executar um transplante e prevenir a rejeição. O conhecimento sobre remédios imunossupressores era mínimo e a cirurgia envolvida era extremamente difícil.

Hoje, a ciência avançou ao ponto que a maioria das operações de transplante são consideradas de relativo baixo risco. A taxa de sucesso é fenomenal para transplantes de rim, de fígado, de córnea, de pâncreas e até mesmo transplantes de coração e pulmão. No entanto, mais de 5 mil receptores em potencial morrem nos Estados Unidos todos os anos, não por causa de obstáculos científicos, mas sociais.

Uma troca justa
A Rede Unida para o Compartilhamento de Órgãos (site em inglês) está testando um programa novo e promissor: a troca de órgãos. Isso é um incentivo para encorajar a doação de rim. Nesse programa, alguém que quer doar um rim a um amigo ou membro da família, mas não é compatível, pode doar para outro paciente para que o seu ente querido suba na lista de espera.

Os doadores também podem organizar uma troca com uma família compatível na mesma situação ou eles podem doar o órgão em troca de um rim de cadáver. Obviamente, este acordo beneficia os receptores diretamente, mas também beneficia como um todo a comunidade de transplantes, pois mais rins são doados ao sistema. Dê uma olhada em Initiative May Shorten Wait For Kidney Transplant (site em inglês) para mais informações.

Nos Estados Unidos, a maioria da população é a favor da doação de órgãos, mas, na verdade, só uma pequena porcentagem das pessoas acaba doando os órgãos quando morre. Não há número de órgãos suficiente para suprir a demanda, o que significa que uma média de 16 receptores em potencial morrem diariamente numa condição em que podiam ser curados.

Isso é, em parte, devido à psicologia humana e também às leis de concessão. Dentro das legislação vigente dos EUA, a decisão final de doar os órgãos de uma pessoa morta fica nas mãos de quem tiver autorização judicial ou aos familiares. Cartões de doação ou indicadores de doação nas carteiras de motoristas são documentos legais importantes, mas o consentimento dos membros da família tem preferência.

Normalmente, a maioria das pessoas não quer lidar com o pensamento da própria morte, então, poucos gastam tempo para discutir como se sentem sobre doação de órgãos com suas famílias. Quando chega o momento de tomar a decisão, os familiares não estão seguros do que fazer. Eles podem ficar incomodados pelo pensamento de cirurgiões cortando o ente querido, fazendo com que se recusem a doar os órgãos.

O problema principal, então, é que a doação de órgãos exige que pelo menos duas pessoas tomem uma ação decisiva, que pode ser incômoda. O doador tem que tomar a iniciativa para falar com a família e esta tem que tomar a iniciativa de aderir aos desejos do doador. Se essas coisas não acontecerem (e na maioria de casos não acontecem), ninguém consegue usar esses órgãos.

Isso criou uma crise médica nacional nos Estados Unidos e centenas de cirurgiões, cientistas e políticos estão clamando por uma solução. Uma possibilidade interessante é o xenotransplante, ou seja, o transplante de órgãos entre espécies diferentes. O estudo ainda está nas fases iniciais, mas há alguns resultados promissores. Neste momento não é uma alternativa totalmente viável por várias razões. Muitos cientistas estão preocupados que transplantes entre animais e humanos pudessem introduzir doenças novas na população humana. O xenotransplante também é eticamente problemático, porque envolveria a morte de animais para obter seus os órgãos.

Outra possibilidade interessante é o desenvolvimento de órgãos artificiais. Mesmo tendo havido grandes avanços tecnológicos nessa área na década passada, os órgãos artificiais não funcionam tão bem como órgãos naturais para a maioria dos pacientes. Essa ainda é uma ciência muito recente.

No momento, muitos médicos e políticos sugeriram mudanças legais e sociais como a melhor opção. Em algumas nações européias e asiáticas, é automaticamente presumido que você é um doador de órgão, a menos que você notifique ao governo que não deseja. Poucas pessoas fazem essa notificação, o que fez aumentar muito o estoque de órgãos disponíveis. Muitos acham que os Estados Unidos deveriam seguir este modelo, mas a idéia encontrou muita resistência, pois isso significaria exercer maior controle sobre os corpos das pessoas.

Muitos especialistas concordam que a solução ideal para o problema seria uma mudança na consciência nacional. Até isso acontecer, a Rede Unida para o Compartilhamento de �"rgãos, a Associação Médica Americana (site em inglês), o Instituto Nacional de Saúde (site em inglês) e muitas outras organizações aumentaram esforços para educar a população sobre os benefícios da doação. Esses grupos sabem que quando as pessoas entenderem a necessidade por órgãos e o grande benefício da doação, elas verão a doação como uma responsabilidade social, entenderão que transplante de órgãos é verdadeiramente uma das realizações mais notáveis da ciência moderna e que a doação está entre as maiores oportunidades para servir a humanidade.

Para mais informações sobre transplantes de órgão e tópicos relacionados, veja os links na próxima página.