Uma situação dessas é extremamente controversa na comunidade de transplantes de órgãos. Pagar por órgãos é considerado antiético na maioria das nações ocidentais, assim como sua retirada, se o doador não estiver de acordo. Além do mais, existem fortes evidências de que cronogramas de execuções têm sido modificados para coincidir com as necessidades dos pacientes. |
Depois, os cirurgiões cortam os vasos e removem o coração do corpo, colocando-o em um saco com solução salina gelada, que também tem a função de preservar o órgão. Esse saco é embalado em um refrigerador normal cheio de gelo e é levado rapidamente até o hospital do receptor, geralmente de avião ou helicóptero.
Enquanto isso, o receptor está totalmente anestesiado e com o tórax depilado. O paciente é levado para a sala de cirurgia e coberto com panos esterilizados, deixando exposto apenas o peito. Normalmente, o cirurgião não começará a cirurgia até que o coração chegue, pois pode ocorrer algum problema com o transporte ou com o órgão, impossibilitando o transplante.
Quando o coração doado chega, a equipe de transplante inicia a cirurgia. Primeiro eles injetam anticoagulante na corrente sangüínea do paciente, evitando que o sangue coagule durante o processo de transplante.
Assim como na cirurgia de retirada, a equipe começa por fazer uma incisão no tórax do paciente, serrando o esterno. Os médicos então ligam uma máquina de circulação extracorpórea ao corpo do paciente. O trabalho desse equipamento é agir temporariamente como o coração e os pulmões do paciente. Os tubos de plástico da máquina conduzem o sangue que entra e sai do coração. Ao invés de ser bombeado para os pulmões, para livrar-se do dióxido de carbono e obter oxigênio, o sangue que retornaria ao coração é desviado para a máquina. Ela leva o sangue através de diversas câmaras para liberar o dióxido de carbono, obter oxigênio e voltar para o corpo, a fim de ser circulado novamente.
Além disso, a máquina de circulação extracorpórea pode ser ajustada para aquecer ou resfriar o sangue. Durante a operação, ela é preparada para resfriar todo o sangue que passar por ela. Isso esfria o resto do corpo, protegendo os outros órgãos durante o procedimento. Normalmente, a máquina tem um acessório que suga o sangue da área da cirurgia e o manda diretamente de volta para a corrente sangüínea.
Quando o sangue é efetivamente desviado da área do coração e dos pulmões, os cirurgiões removem o coração doente, cortando-o dos vasos sangüíneos conectados. As partes de trás do aurículo, as câmaras superiores do coração, são retiradas totalmente do lugar. Os cirurgiões removem estas partes e suturam o novo coração ao tecido remanescente do antigo. Então, eles suturam os vasos que eram do coração doente aos vasos do novo coração.
Logo após o novo coração ter sido colocado no lugar, a equipe gradativamente aquece o sangue do corpo do paciente. Conforme o corpo aquece um pouco, o coração pode começar a bater sozinho. Se não, aplica-se um choque elétrico para dar uma ajuda. A equipe deixa o novo coração e a máquina de circulação dividirem o serviço de circular o sangue um pouco, dando um tempo para que o coração ganhe força.
Se tudo estiver certo, a equipe une as metades do esterno novamente e costura o tórax do paciente utilizando pontos absorvíveis. O paciente é ligado a um respirador e trazido para a sala de recuperação. Em poucas horas, a maioria dos pacientes recobra a consciência, podendo sair do hospital em cerca de uma semana.
Normalmente, o processo todo leva apenas cerca de 5 horas. No entanto, os pacientes precisam se cuidar por toda vida para ter garantia de que o órgão doado continue a funcionar. Na próxima seção, descobriremos o que está envolvido no tratamento após o transplante.