A cirurgia

Quando a família do doador autoriza a remoção dos órgãos, diversas equipes cirúrgicas começam imediatamente a trabalhar recuperando o órgão. Mesmo com o termo 'colheita' ainda em uso, muitas organizações norte-americanas preferem agora o termo 'recuperação', por ser mais delicado com a família do doador. Para entender o que está envolvido nesse processo, vamos abordar uma operação desgastante: o transplante de coração.

Órgãos estrangeiros
A escassez de órgãos doados é tão grave nos Estados Unidos que muitos pacientes estão procurando transplantes em outros países. Em alguns países, principalmente na China, os estrangeiros podem comprar os órgãos ao invés de esperar em casa. Esses órgãos são geralmente de prisioneiros executados que não foram voluntários para doação.

Uma situação dessas é extremamente controversa na comunidade de transplantes de órgãos. Pagar por órgãos é considerado antiético na maioria das nações ocidentais, assim como sua retirada, se o doador não estiver de acordo. Além do mais, existem fortes evidências de que cronogramas de execuções têm sido modificados para coincidir com as necessidades dos pacientes.

O primeiro passo para todas as equipes de retirada é abrir o tórax do doador. A seguir, um cirurgião serra o esterno, a fim de exibir o coração. Enquanto outras equipes trabalham em outras partes do corpo, a equipe do coração pinça os vasos sangüíneos que chegam ao coração e bombeiam uma solução química gelada. Essa solução faz o coração parar de bater e ajuda na preservação do órgão durante o transporte.

Depois, os cirurgiões cortam os vasos e removem o coração do corpo, colocando-o em um saco com solução salina gelada, que também tem a função de preservar o órgão. Esse saco é embalado em um refrigerador normal cheio de gelo e é levado rapidamente até o hospital do receptor, geralmente de avião ou helicóptero.

Enquanto isso, o receptor está totalmente anestesiado e com o tórax depilado. O paciente é levado para a sala de cirurgia e coberto com panos esterilizados, deixando exposto apenas o peito. Normalmente, o cirurgião não começará a cirurgia até que o coração chegue, pois pode ocorrer algum problema com o transporte ou com o órgão, impossibilitando o transplante.

Quando o coração doado chega, a equipe de transplante inicia a cirurgia. Primeiro eles injetam anticoagulante na corrente sangüínea do paciente, evitando que o sangue coagule durante o processo de transplante.

Assim como na cirurgia de retirada, a equipe começa por fazer uma incisão no tórax do paciente, serrando o esterno. Os médicos então ligam uma máquina de circulação extracorpórea ao corpo do paciente. O trabalho desse equipamento é agir temporariamente como o coração e os pulmões do paciente. Os tubos de plástico da máquina conduzem o sangue que entra e sai do coração. Ao invés de ser bombeado para os pulmões, para livrar-se do dióxido de carbono e obter oxigênio, o sangue que retornaria ao coração é desviado para a máquina. Ela leva o sangue através de diversas câmaras para liberar o dióxido de carbono, obter oxigênio e voltar para o corpo, a fim de ser circulado novamente.

Além disso, a máquina de circulação extracorpórea pode ser ajustada para aquecer ou resfriar o sangue. Durante a operação, ela é preparada para resfriar todo o sangue que passar por ela. Isso esfria o resto do corpo, protegendo os outros órgãos durante o procedimento. Normalmente, a máquina tem um acessório que suga o sangue da área da cirurgia e o manda diretamente de volta para a corrente sangüínea.

Quando o sangue é efetivamente desviado da área do coração e dos pulmões, os cirurgiões removem o coração doente, cortando-o dos vasos sangüíneos conectados. As partes de trás do aurículo, as câmaras superiores do coração, são retiradas totalmente do lugar. Os cirurgiões removem estas partes e suturam o novo coração ao tecido remanescente do antigo. Então, eles suturam os vasos que eram do coração doente aos vasos do novo coração.

Logo após o novo coração ter sido colocado no lugar, a equipe gradativamente aquece o sangue do corpo do paciente. Conforme o corpo aquece um pouco, o coração pode começar a bater sozinho. Se não, aplica-se um choque elétrico para dar uma ajuda. A equipe deixa o novo coração e a máquina de circulação dividirem o serviço de circular o sangue um pouco, dando um tempo para que o coração ganhe força.

Se tudo estiver certo, a equipe une as metades do esterno novamente e costura o tórax do paciente utilizando pontos absorvíveis. O paciente é ligado a um respirador e trazido para a sala de recuperação. Em poucas horas, a maioria dos pacientes recobra a consciência, podendo sair do hospital em cerca de uma semana.

Normalmente, o processo todo leva apenas cerca de 5 horas. No entanto, os pacientes precisam se cuidar por toda vida para ter garantia de que o órgão doado continue a funcionar. Na próxima seção, descobriremos o que está envolvido no tratamento após o transplante.