Introdução


Sessenta anos atrás, os cientistas estavam no momento de um importante e revolucionário avanço científico. Nas décadas seguintes, algumas tentativas de transplante de órgãos em animais foram bem sucedidas. Aconteceram, ainda, algumas tentativas fracassadas de transplantes de órgãos humanos. Vários estudos mostraram que o transplante de órgãos era possível e que seria muito benéfico para milhares de pacientes, mas ninguém conseguia fazê-lo dar certo.

O êxito só veio no começo dos anos 50, quando diversos transplantes de rim deram nova vida a pacientes doentes. Nas décadas seguintes, médicos aprenderam como transplantar órgãos com sucesso e melhoraram bastante as chances de cura. Hoje em dia, a maioria dos transplantes de órgãos é relativamente segura, assim como os procedimentos de rotina. O transplante é considerado a melhor opção de tratamento para milhares de pessoas todos os anos.

Infelizmente, médicos e pacientes agora encaram um novo obstáculo: a procura por transplantes ultrapassou muito o estoque de órgãos doados. Simplesmente não há número suficiente de doadores de órgãos e os pacientes precisam esperar meses, até anos, para terem a chance de se curar.

Nesse artigo, veremos os três maiores processos envolvidos no transplante de órgãos: o sistema de distribuição de órgãos, a cirurgia propriamente dita e a recuperação pós-cirúrgica. Também veremos como os cientistas e os políticos estão trabalhando para resolver o problema da escassez de órgãos.

A triagem, a lista e a compatibilidade
Os transplantes são uma opção quando um órgão não está funcionando devidamente. Insuficiência renal, doença cardíaca, doença pulmonar e cirrose hepática são tratadas de maneira mais eficaz com um transplante. No caso de problemas do coração, do pulmão e de outros órgãos altamente sensíveis, um transplante é o último recurso. No entanto, se outros tratamentos foram feitos e o paciente quer e tem condições, transplantar é uma opção ótima e viável.

Rins e fígados podem ser transplantados de um doador vivo, uma vez que as pessoas nascem com dois rins e o fígado é regenerativo. Até um pulmão pode ser transplantado de um doador vivo, mas isso ainda é muito raro. Para esses procedimentos, um paciente geralmente vai encontrar um doador entre os amigos ou na família. Se forem compatíveis, podem seguir direto para a cirurgia. Um número pequeno de transplantes com doadores vivos vem de pessoas que doam por generosidade.


Se um paciente precisa de um transplante de coração, transplante duplo de pulmão, de pâncreas ou de córnea, ele vai precisar do órgão de um doador morto. Geralmente, os doadores ideais são pessoas com morte cerebral, mas mantidos vivos com a ajuda de aparelhos. Ainda que estejam tecnicamente mortos, seus corpos ainda funcionam, o que significa que os órgãos permanecem saudáveis. No entanto, após a morte eles se deterioram muito rápido, tornando-os inúteis para o transplante. 

Nos Estados Unidos, um paciente que precisa de um transplante de órgão de um doador morto precisa fazer parte de um sistema nacional de distribuição de órgãos. Esse sistema, conhecido como Rede de Aquisição e Transplante de Órgãos (OPTN), é operada pela Rede Unida para o Compartilhamento de Órgãos - UNOS (site em inglês), uma organização independente sem fins lucrativos, que trabalha em parceria com o Ministério da Saúde dos EUA (em inglês).

A UNOS mantém um banco de dados de pacientes esperando por órgãos, além de informações detalhadas de todos os centros de transplantes pelo país. A diretoria da UNOS é formada principalmente por médicos que fazem transplantes, por pacientes que querem um transplante e por doadores de órgãos. A entidade estabelece as políticas que decidem quem vai receber qual órgão.