Tratamentos da síndrome de Tourette

Autor: 
Melissa Jeffries

Não há cura para a síndrome de Tourette, mas existem várias maneiras de controlá-la. Os tratamentos incluem terapia comportamental, medicações diárias e estimulação profunda do cérebro. A escolha do tipo de tratamento depende do quanto a síndrome afeta a vida do paciente.

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Joe Raedle/Getty Images/>
Os pacientes com síndrome de Tourette que
também têm transtorno obssessivo compulsivo
podem tomar antidepressivos, como o Zoloft

Mudanças comportamentais são indicadas para pacientes com sintomas leves, mas esse tratamento pode ser tentado antes ou em conjunto com outras terapias. Mudanças comportamentais comuns incluem técnicas de relaxamento que aliviam os fatores de estresse e podem ajudar a reduzir a freqüência dos tiques. A terapia cognitivo-comportamental cognitiva pode ser útil em pacientes que sofrem da síndrome de Tourette, de transtorno obsessivo-compulsivo (em inglês) e transtorno do déficit de atenção. Essa é uma psicoterapia que funciona por meio da modificação de suposições, crenças e comportamentos em um esforço para modificar os comportamentos perturbadores.

A terapia de reversão de hábito é um tipo de terapia comportamental que provou ser bem-sucedida em pacientes que sofrem desses tiques. A terapia tem cinco componentes: treinamento de consciência, treinamento de resposta competitiva, gerenciamento de contingência, treinamento de relaxamento e treinamento de generalização. Especialistas acreditam que a parte da resposta competitiva é a chave para o sucesso da terapia. Um paciente que sofre de tiques é treinado a identificar melhor quando um tique irá ocorrer. Quando ele tem um impulso ao tique, realiza uma resposta competitiva: geralmente uma ação que usa os mesmos músculos que o tique usaria. Por exemplo, se ele sofre de um tique de encolhimento dos ombros, uma resposta competitiva seria esticar os músculos do pescoço e empurrar os ombros para baixo.

A maioria dos pacientes com síndrome de Tourette precisa de medicação somente se e quando seus sintomas interferem de maneira importante em seu dia-a-dia. Os médicos geralmente evitam receitar remédios por várias razões: efeitos colaterais, grande variação na gravidade dos tiques do paciente e o fato de a maioria dos tiques poder ser controlada com apoio e conscientização. Ainda que não haja medicamentos específicos para a supressão dos tiques, os médicos podem prescrever vários tipos de remédios, com diferentes graus de sucesso, para o controle dos sintomas da síndrome de Tourette. Os mais usados são os antipsicóticos, como pimozide ou haloperidol.

Os antipsicóticos agem bloqueando os receptores, incluindo os receptores de dopamina, dentro e fora do sistema nervoso central (em inglês). Muitos cientistas acreditam que níveis excessivos de dopamina no cérebro podem contribuir para a síndrome de Tourette. Assim, o bloqueio do receptor de dopamina deve ajudar a reduzir a quantidade de dopamina no cérebro e, portanto, alguns sintomas. Os médicos, porém, geralmente evitam essas drogas em razão dos possíveis efeitos colaterais, muitos dos quais podem ser piores do que a própria síndrome de Tourette. Eles incluem graves espasmos musculares por todo o corpo, baba, tremores, agitação extrema, disfunção sexual, convulsões (em inglês) e até mesmo o desenvolvimento de mamas nos homens.

Se um paciente requer medicação, os médicos devem considerar qualquer doença associada (como transtorno obsessivo-compulsivo ou  doença de déficit de atenção com hiperatividade (em inglês). Um paciente que sofre de ambas, a síndrome de Tourette e a doença de déficit de atenção com hiperatividade, pode se beneficiar com estimulantes como o Ritalina (em inglês). Um portador da síndrome de Tourette que também tenha transtorno obsessivo-compulsivo pode se beneficiar de antidepressivos conhecidos como antidepressivos do grupo dos inibidores da recaptação seletiva de serotonina, como o Prozac e o Zoloft.

Finalmente, se um paciente apresenta sintomas debilitantes pronunciados e não obteve alívio com os tratamentos já citados, uma opção pode ser a estimulação profunda do cérebro (DBS). Na DBS, os cirurgiões implantam minúsculos eletrodos dentro do cérebro para que ajam como um marca-passo (em inglês). Os eletrodos são conectados a fios em uma pequena bateria instalada no peito do paciente. Esse marca-passo funciona de maneira semelhante ao marca-passo de batimentos cardíacos, mas envia impulsos elétricos para áreas específicas no cérebro. Geralmente, tem como objetivo a região do tálamo, que controla o movimento e bloqueia a atividade anormal dos neurônios. Esse tipo de tratamento é bem-sucedido para outras doenças de movimento, como o mal de Parkinson (em inglês). O DBS, porém, ainda é considerado experimental em pacientes com a síndrome de Tourette em razão do pequeno número de pacientes que realizou a cirurgia e do número ainda menor que obteve alívio com ela.

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