Introdução

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Imagem cedida por Frederic Dupont/ Stock.xchng
O álcool faz parte da nossa cultura. Mas por todos os seus aspectos agradáveis, beber pode cobrar direitos do nosso corpo. E se pudéssemos apreciar todos os agradáveis efeitos do álcool, sem ter que nos preocupar com os efeitos colaterais? Na série de TV "Star Trek: A Próxima Geração", os personagens aproveitam toda a curtição de beber álcool, sem a desagradável ressaca e outros efeitos negativos, graças à criação fictícia chamada "synthehol". Uma alternativa similar ao álcool logo poderá se tornar realidade.

Para entender como o synthehol pode funcionar, vamos dar uma breve olhada em como funciona a intoxicação. O etanol (álcool etílico) nas bebidas alcoólicas causa o "zumbido" bem como as ressacas e outros problemas de saúde. O etanol é uma forma de álcool produzido pelo processo de fermentação, no qual a levedura quebra os açúcares na ausência do oxigênio. O etanol interfere na transmissão das células nervosas no cérebro. Em parte, aumenta o efeito de um neurotransmissor chamado GABA (ácido gama-aminobutírico). O GABA atua como um neurotransmissor inibitório no sistema nervoso central. Ele tem um efeito sedativo e causa sonolência.

O etanol é um GABA-A agonista. Isto significa que quando o etanol se conecta às moléculas sinalizadoras conhecidas como receptoras GABA-A, que faz a liberação do GABA-A. Há vários subtipos diferentes de receptores GABA-A, cada um dos quais provocaram uma reação diferente do álcool, desde o sedativo até perda de memória e náuseas.

Uma ilustração de como o etanol atua nos receptores GABA-A
Ligação do etanol com os receptores GABA

O etanol também atua como um antagonista no receptor NMDA. O NMDA é um receptor para a glutamina, o neurotransmissor responsável por levar mensagens de uma célula nervosa para a outra. O etanol bloqueia sua ação. Quando o receptor NMDA é ativado, ele aumenta o estímulo do sistema nervoso. Mas quando o receptor está bloqueado por um antagonista, ele anula a resposta do sistema nervoso e aumenta o efeito sedativo do álcool.

Muitos dos efeitos positivos que as pessoas sentem quando bebem álcool estão relacionados com o efeito sobre o córtex cerebral  a parte mais alta do seu cérebro. Lá o álcool diminui os centros inibitórios de comportamento. Em outras palavras, quando bebemos, geralmente, nos tornamos mais sociáveis e confiantes. O álcool também eleva o nível de dopamina química no centro de recompensa do cérebro, que cria aquela sensação de "zumbido". Esses efeitos ficam cada vez mais evidentes à medidaque a quantidade de álcool no sangue (CAS) aumenta. Para aprender mais sobre os efeitos do álcool no cérebro, veja Como funciona o álcool.

As Alternativas
Os pesquisadores têm proposto vários métodos diferentes para remover alguns ou todos os efeitos do álcool prejudiciais à saúde, ao mesmo tempo que mantêm os agradáveis. Estes métodos variam desde reduzir a quantidade de álcool nas bebidas até criar substâncias que alteram os efeitos do álcool no cérebro.

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Imagem cedida por Daniel Scherber/Stock.xchng
Muitos bares servem bebidas sem álcool ou com baixo teor alcoólico, mas algumas pessoas reclamam do sabor

As cervejas com baixo teor alcoólico ou sem álcool e outros tipos de bebidas com baixo teor alcoólico estão disponíveis, mas na verdade elas não se popularizaram porque muitas pessoas não gostam do sabor. E aparte das mulheres grávidas e outros que não podem beber álcool por razões médicas, muitas pessoas ignoram as bebidas com baixo teor alcoólico, porque estão procurando o "zumbido" que apenas o álcool pode dar. Reduzir o conteúdo de álcool é a maneira mais fácil de que o álcool seja menos tóxico para o corpo. Criar uma alternativa segura que ainda produza a mesma reação de "zumbido" é mais difícil, mas os pesquisadores dizem que não é impossível.

Os cientistas já criaram drogas que atuam como o álcool no cérebro. Os alcoólatras que estão tentando parar de beber podem tomar um tipo de droga chamado benzodiazepinas. Estas drogas também estão sendo prescritas para ansiedade, síndrome do pânico, insônia, espasmos musculares e algumas formas de epilepsia (as drogas prescritas, geralmente, Xanax, Valium e Klonopin são todas benzodiazepinas). Como o álcool, estas drogas são totalmente receptores GABA agonistas, o que significa que elas aumentam os efeitos químicos do GABA do cérebro. Mas tomar benzodiazepinas pode causar efeitos colaterais significantes, incluindo vertigem, fraqueza e distúrbio estomacal, e as pessoas que usam estas drogas podem se tornar dependentes delas.

David Nutt da Universidade de Bristol propõem fazer uma alternativa do álcool que contém um GABA-A agonista parcial. Ele ligaria um receptor GABA-A, mas apenas parcialmente o ativa, provocando uma resposta mais fraca. Já que um agonista parcial toma o lugar de um verdadeiro agonista, ele bloqueia o agonista de segurar o receptor e causa o efeito total.

Em teoria, uma alternativa do álcool pode conter um agente químico que se ligaria apenas aos receptores que afetam o efeito positivo de beber (relaxamento, prazer), mas não aos receptores que afetam os efeitos negativos (náusea, perda de memória). Em outras palavras, se você bebe, você ainda consegue um "zumbido" sem ter algum ou todos os efeitos de álcool em seu corpo. E quando o corpo quebra esta alternativa de álcool, não produziria acetaldeído, a substância tóxica que leva à ressaca e a outros efeitos prejudiciais da bebida. E, se as pessoas beberem muito desta alternativa de álcool, elas podem tomar o antídoto da benzodiazepina flumazenil (nome da marca Annexate), que as ajudaria instantaneamente a ficar sóbrias para que possam voltar para casa dirigindo. O flumazenil às vezes é usado em Pronto-Socorro para despertar os pacientes inconscientes sem razão aparente.

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Imagem cedida por Adam Ciesielski/Stock.xchng
Diazepam ou Valium, é um bezodiazepina comumente prescrito que atua como o álcool no cérebro

Pesquisas recentes ampliaram o entendimento dos cientistas a respeito dos receptores GABA. Mas embora haja alguns estudos feitos sobre os agonistas receptores GABA-A parciais, não havia evidência suficiente para mostrar que eles estavam livres dos efeitos colaterais dos agonistas totais como a benzodiazepina Diazepam ou Valium.

David Nutt e alguns outros pesquisadores acreditam que a alternativa do álcool seja possível. Nutt diz que aqueles testados até agora são relativamente seguros. Eles mostraram pouca sedação, e poucos sinais de dependência ou cancelamento dos sintomas. Além disso, eles não tendem a interagir com a coisa real: até mesmo se alguém bebe algumas cervejas depois de experimentar uma destas alternativas, há pouco risco de uma interação perigosa.

Embora encontrar uma alternativa do álcool e colocá-la no mercado não seja fácil. Os pesquisadores provavelmente precisarão usar diferentes compostos que funcionem em todos os receptores GABA-A para remover todos os efeitos negativos do álcool. Alguns pesquisadores se perguntam se as empresas fabricantes de drogas investirão dinheiro para pesquisar e desenvolver um produto que não trata de doenças. Eles parecem não estar interessados em ajudar uma alternativa de álcool a passar pelos requerimentos de testes de segurança do FDA, o órgão responsável por alimentos e remédios dos EUA.

Os pesquisadores também terão que encontrar o melhor modo de entregar a alternativa do álcool. Parte do prazer de tomar bebidas alcoólicas está no sabor e na sensação de beber em goles pequenos. Uma alternativa deve ter um líquido que satisfaça os bebedores - uma versão de pílula provavelmente não teria aceitação. Também, poderia precisar de diferentes forças, exatamente como as bebidas alcoólicas, para fazer uma comparação, digamos um copo de vinho versus beber um martini de vodka. E, provavelmente, precisaria ser absorvido e entrar no cérebro de modo parecido com o álcool, para ajudar as pessoas que bebem regularmente a trocarem facilmente.

Para descobrir mais sobre o synthehol e outras alternativas para o álcool, verifique os links da próxima página.