Perfil da síndrome de Jerusalém

"Sansão" parecia ter as mesmas características de uma pessoa esquizofrênica (em inglês). Então, qual é o histórico padrão de uma pessoa que sofre da síndrome de Jerusalém?

A maioria das pessoas (cerca de 80%) acometidas da síndrome de Jerusalém apresentaram algum tipo de transtorno mental e/ou psicótico, fixação ou problemas de ordem pessoal [fonte: Kezwer]. Elas podem já ter histórico de algum tipo de distúrbio psicológico - "Sansão" faz parte desse grupo - ou ter algum tipo de desvio de personalidade ou fixação.

Grande parte das pessoas que formam esse grupo são judeus; outros são cristãos e alguns poucos, muçulmanos. Os habitantes locais também estão incluídos nesta estatística. Judeus com a síndrome tendem a se identificar com os personagens do Velho Testamento, Cristãos, com os do Novo Testamento. Homens se identificam com os personagens masculinos e mulheres, com os femininos.

Mas o grupo mais interessante é o de uma minoria – pessoas sem histórico de doenças mentais, que visitam Jerusalém, manifestam os sintomas da síndrome e se recuperam rapidamente. Alguns especialistas afirmam que esse grupo não existe, que alguém que não apresente algum tipo de transtorno mental adquira espontaneamente um problema desses. Mas outros discordam.

Quem é propício a ter a Síndrome de Jerusalém? Homens e mulheres representam numericamente quase a mesma quantidade, com uma ligeira elevação da taxa para as pessoas do sexo masculino. A maioria delas são:

  • da América do Norte (ocasionalmente da Europa Ocidental);
  • membros de uma religião cristã protestante;
  • enquadrados numa faixa etária de 20 a 30 anos;
  • solteiros.

Estudos indicam que pessoas que contraíram a síndrome tiveram uma infância muito religiosa, mas abandonaram a religião em algum estágio de sua adolescência ou no início da vida adulta. Portanto, o que esperam ver quando vêm para Jerusalém é o retrato gravado em suas mentes quando crianças, não uma moderna e agitada cidade.

Cidadão israelita ao telefone
PATRICK BAZ/AFP/Getty Images
Pessoas que visitam Jerusalém normalmente esperam encontrar um local parecido como na época bíblica. Eles não esperam encontrar telefones celulares e cartazes de propagandas

Por qual motivo estariam os cristãos protestantes mais suscetíveis a todo esse fervor religioso? O Dr. Bar-El sugere que esses estariam mais propensos porque, diferentemente de judeus e católicos, que têm tradições, rituais e um mediador para com o Divino (tal como um sacerdote), protestantes se relacionam diretamente com Deus [fonte: Lee]. Os rituais, nesse contexto, podem amarrar a pessoa, conectá-la a Deus de um modo simbólico pela liturgia.

Por que os Estados Unidos, Canadá e Oeste Europeu? Talvez porque a religião tem um lugar incerto no modo de vida ocidental nos dias de hoje. Imagine as notícias que você ouve: de um lado, ouve-se falar de extremistas religiosos suicidas carregando bombas, prontos a detoná-las em nome de um poder superior. Por outro lado, você ouve sobre pessoas denunciando a evolução ou o que você chama de "Natal" em uma carta escolar. Parece ser algo em escala, e o nosso mundo moderno e ocidentalizado não sabe mais onde depositar sua fé. Para aqueles que cresceram devotos e alicerçados na palavra de Deus, o panorama atual não atende aos padrões bíblicos. Talvez ele (ou ela) pense que um retorno às raízes da religião traria de volta a pureza e simplicidade de outrora.

Para alguns, uma visita a Jerusalém vira o mundo de cabeça pra baixo. Mas seria essa síndrome real? Ou estamos falando de gente que deseja tornar seu passeio pelo Mediterrâneo um pouco mais extravagante?­