Existem algumas teorias sobre o funcionamento da síndrome de Capgras, umas mais prováveis do que outras. A visão psicoanalítica é que talvez a síndrome seja resultado de um complexo de Édipo ou Electra - desejo sexual por um dos pais e ciúme do outro. As pessoas com a síndrome devem tentar resolver sua culpa em relação a essas circunstâncias identificando seu pai ou sua mãe como um sósia parental. Algumas teorias psicodinâmicas propõem que a síndrome de Capgras tem a ver com os sentimentos reprimidos. Entretanto, a abordagem psicodinâmica era, a maioria das vezes, desacreditada.
Muitos pesquisadores acham que a síndrome de Capgras é realmente o resultado de alguma coisa errada com o cérebro, uma causa orgânica. Eles procuram lesões no cérebro, sinais de atrofia e outras disfunções cerebrais. Embora a síndrome de Capgras geralmente seja vista nas pessoas com transtornos psicóticos, mais de um terço dos pacientes de Capgras apresentam sinais de traumatismo craniano (em inglês) [fonte: Hirstein e Ramachandran (em inglês)]. Muitos portadores da síndrome de Capgras também têm outras doenças orgânicas, como epilepsia (em inglês) ou doença de Alzheimer (em inglês).
Ainda mais médicos e pesquisadores associam a idéia de ser uma causa cognitiva e física. Embora exista alguma coisa errada com o cérebro, como e por que a síndrome de Capgras ocorre em decorrência disso? Talvez a causa orgânica leve a sentimentos de desconexão que, por sua vez, leve à síndrome de Capgras. Talvez seja muito difícil para as pessoas com lesão cerebral atualizarem suas memórias quando vêem uma pessoa e ela lhe parecer um pouco diferente. Seu corpo está tendo uma experiência estranha e seu cérebro luta como uma forma de explicá-la.
Em algum lugar, o cérebro não está se comunicando quando deveria. Essa quebra da comunicação pode estar acontecendo entre a parte do cérebro que processa as informações visuais para as feições e a parte que controla a resposta emocional do sistema límbico.
![]() Foto de Herbert Gehr//Time Life Pictures/Getty Images Muitas pessoas com a síndrome de Capgras também apresentam transtornos psicóticos. Os médicos costumavam pensar que um paciente normal ficaria tonto se ficasse girando em uma cadeira, enquanto um psicótico, não |
O argumento aparentemente recai na possibilidade de a síndrome de Capgras ser um problema de percepção ou de algum outro processo, como a memória. Hirstein e Ramachandran apresentaram a síndrome de Capgras como um problema de "controle da memória". E deram esse exemplo: pense em um computador. Você cria um arquivo e o salva. Quando quer as informações, você abre o arquivo, faz modificações, salva e o fecha novamente. Talvez as pessoas com a síndrome de Capgras fiquem criando arquivos novos em vez de acessar os antigos, de modo que, quando você sai do quarto e entra novamente, você é uma nova pessoa, parecida com a que saiu, mas um pouquinho diferente - talvez suas orelhas sejam maiores, ou seu cabelo, de outra cor. Existe muita coisa que a ciência não sabe a respeito da memória humana.
Alguns estudos também mostraram pessoas cegas com síndrome de Capgras - sua ilusão estende-se à voz da pessoa, pensando que é a voz de um impostor, e não ao rosto; por isso, talvez não seja um problema de processamento facial. Outros estudos mostraram pessoas que estavam certas de que a pessoa para quem estavam olhando era impostora, mas que reconheceram a voz da pessoa ao telefone.
As pessoas violentas com síndrome de Capgras também são diagnosticadas com distúrbios psicóticos, como esquizofrenia (em inglês) paranóica. As pessoas geralmente têm a idéia de que os esquizofrênicos são violentos e perigosos, mas a incidência de violência em pacientes com esquizofrenia não ultrapassa a da população em geral. Normalmente, são outros fatores que aparentemente predizem a violência - os esquizofrênicos que também são viciados em drogas, por exemplo, têm uma incidência maior de violência [fonte: NIMH (em inglês)]. |