Células brancas

Autor: 
Carl Bianco, MD

As células brancas, ou leucócitos, fazem parte do sistema imunitário (sistema imunológico) e ajudam nosso corpo a lutar contra infecções. Elas circulam no sangue e o usam como meio de transporte até uma área infeccionada. No corpo de um adulto normal há de 4 a 10 mil (em média, 7 mil) células brancas por microlitro de sangue, e quando esse número aumenta, é sinal de que há uma infecção em algum lugar do seu corpo.

Existem cinco tipos principais de leucócitos:

  • neutrófilos
  • eosinófilos
  • basófilos
  • linfócitos
  • monócitos

Os neutrófilos, eosinófilos e basófilos também são chamados de granulócitos por possuírem grânulos com enzimas digestivas. Os grânulos dos basófilos são roxos, os dos eosinófilos são laranjas e vermelhos, e os dos neutrófilos têm uma coloração rosa-azulada fraca.

Os neutrófilos são uma das principais defesas do corpo contra as bactérias, que eles matam pela ingestão (esse processo se chama fagocitose). Os neutrófilos podem fagocitar de cinco a 20 bactérias durante suas vidas. Seu núcleo é polimorfonuclear (possui vários lóbulos e é segmentado) e, por isso, são chamados de PMNs. Além dos neutrófilos completos, também há neutrófilos imaturos vistos no sangue. Quando uma infecção causada por bactérias acontece, os exames detectam um aumento dos neutrófilos maduros e imaturos.

Os eosinófilos, por sua vez, matam parasitas e desempenham um papel nas reações alérgicas.

Já os basófilos ainda não são muito compreendidos, mas sabemos que trabalham nas reações alérgicas liberando histamina, que faz os vasos sangüíneos vazarem e atrai os leucócitos, e heparina, que impede o coágulo da área infectada para o leucócito poder chegar até a bactéria.

Os monócitos entram no tecido, onde ficam maiores, transformam-se em macrófagos e são capazes de fagocitar bactérias, até 100 durante toda sua vida, existentes em todo o corpo. Além disso, também são eles que fazem o trabalho de destruir as células mortas, danificadas ou velhas do nosso corpo. Podemos encontrar um macrófago no fígado, baço, pulmões, nódulos linfáticos, pele e intestino. Esse sistema de macrófagos que existe espalhado pelo corpo se chama sistema reticuloendotelial.

Os neutrófilos e os monócitos usam vários mecanismos diferentes para se aproximar e matar os organismos invasores. Eles possuem a interessante capacidade de se espremer pelas aberturas dos vasos sangüíneos em um processo chamado de diapedese. Além disso, movem-se pelo corpo usando movimentos semelhantes aos de amebas e são atraídos por certos compostos químicos produzidos pelo sistema imunológico ou pela própria bactéria, o que faz com que migrem para as áreas onde há uma maior concentração desses compostos químicos. O nome do processo de ser atraído ou repelido por compostos químicos se chama quimiotaxia. E o processo que eles usam para matar as bactérias, como já dissemos, é a fagocitose, no qual eles cercam toda a bactéria e a digerem usando enzimas digestivas.

Já os linfócitos são células complexas que controlam o sistema imunológico do corpo. Os linfócitos T (células T) são responsáveis pela imunidade mediada por células. Os linfócitos B, por sua vez, são responsáveis pela imunidade humoral (produção de anticorpos). E quanto à proporção, as células T compõem 75% dos linfócitos. Algo que diferencia os linfócitos dos outros glóbulos brancos é a sua capacidade de reconhecer e criar uma memória das bactérias e vírus que invadem nossos corpos.

Há muitos tipos de células T com funções específicas, entre elas:

  • células T auxiliares - possuem uma proteína em suas membranas chamada de CD4 e controlam o resto do sistema imunológico ao liberar as citocinas. As citocinas estimulam as células B para que formem plasmócitos, que, por sua vez, formam anticorpos, estimulam a produção de células T citotóxicas e células T supressoras, além de ativar os macrófagos. Imagine o que aconteceria se algum invasor atacasse essas células T auxiliares, que são as responsáveis por controlar o sistema imunológico, pois são exatamente essas células que o vírus da AIDS ataca;
  • células T citotóxicas - liberam compostos químicos que se partem e matam os organismos invasores;
  • células T de memória - permanecem ativas para ajudar o sistema imunológico a reagir mais rapidamente caso o mesmo organismo seja encontrado de novo;
  • células T supressoras - as células T supressoras têm a incumbência de suprimir a resposta imunológica para que ela não fique fora de controle e destrua células normais quando não for mais necessária.

As células B se transformam em plasmócitos quando expostas a um organismo invasor ou quando ativadas pelas células T auxiliares e, além disso, produzem grandes quantidades de anticorpos (também chamados de imunoglobulinas ou gamaglobulinas). Há cinco tipos de imunoglobulinas (abreviadas como Ig): IgG, IgM, IgE, IgA e IgD. Elas são moléculas em forma de Y com um segmento variável que funciona como sítio de ligação para apenas um tipo específico de antígeno. O antígeno faz com que elas se agrupem, sejam neutralizadas ou se abram. E, além disso, elas ativam o sistema do complemento.

O sistema do complemento é uma série de enzimas que complementam ou auxiliam os anticorpos e outros componentes do sistema imunológico a destruir os antígenos invasores. Ele faz isso atraindo e ativando neutrófilos e macrófagos e, assim, neutraliza os vírus e faz com que os organismos invasores se partam. As células B de memória também permanecem ativas ainda por muito tempo, o que significa que se o mesmo antígeno for encontrado, fabricará uma resposta mais rápida na produção de anticorpos.

Esta é a porcentagem média de cada tipo de leucócito no sangue:

  • neutrófilos - 58%
  • neutrófilos imaturos - 3%
  • eosinófilos - 2%
  • basófilos - 1%
  • monócitos - 4%
  • linfócitos - 33%

A maior parte dos glóbulos brancos (neutrófilos, eosinófilos, basófilos e monócitos) são criados na medula óssea. Os linfócitos T iniciam seu desenvolvimento na medula óssea a partir de células tronco hematopoiéticas pluripotentes e depois migram para o timo, onde amadurecem. O timo é uma glândula localizada no peito, entre o coração e o esterno, o osso central do seu peito. Já os linfócitos B maturam na medula óssea.

Quando um granulócito (neutrófilos, eosinófilos e basófilos) é liberado no sangue, ele permanece por lá, aproximadamente, de quatro a oito horas antes de ir para os tecidos do corpo, onde dura de quatro a cinco dias, em média, mas esse tempo pode ser muito menor durante infecções graves.

Os monócitos ficam no sangue por uma média de 10 a 20 horas e depois vão para os tecidos, onde se tornam macrófagos e podem durar meses ou anos.

Já os linfócitos ficam viajando pelo tecido linfático, corrente linfática e sangue. Neste último  ficam por várias horas. Os linfócitos podem viver semanas, meses ou anos.

As plaquetas (trombócitos), ao formar algo chamado de rolha hemostática, auxiliam na coagulação do sangue. Mas existe mais uma maneira do sangue formar coágulos: os fatores de coagulação. As plaquetas também ajudam a promover outros mecanismos de coagulação no sangue e são encontradas em uma concentração de 150 mil a 400 mil plaquetas em cada microlitro de sangue (a média é de 250 mil).

As plaquetas são fragmentos de células muito grandes da medula óssea chamadas megacariócitos. Elas não possuem um núcleo e não se reproduzem, sendo os megacariócitos os responsáveis por produzir mais plaquetas sempre que for necessário. A vida de uma plaqueta costuma ser de 10 dias, em média.

Elas contêm vários compostos químicos que auxiliam na coagulação, entre eles:

  • actina e miosina, para ajudá-las a contrair
  • compostos químicos que ajudam a iniciar o processo de coagulação
  • compostos químicos que atraem outras plaquetas
  • compostos químicos que estimulam a reparação dos vasos sangüíneos
  • compostos químicos capazes de estabilizar um coágulo sangüíneo