Introdução

A ruborização e o constrangimento andam de mãos dadas. Essa é uma resposta tão natural do organismo que, se não fosse parte de uma experiência incapacitante emocionalmente, poderia quase passar despercebida. Mas a ruborização é única e é exatamente por essa razão que os cientistas querem saber mais sobre ela. Embora a psicologia da ruborização continue evasiva, nós entendemos o processo físico envolvido. Neste artigo você vai saber como ele funciona.

Sophie Marceau ruboriza.
Pascal Le Segretain/Getty Images
A atriz Sophie Marceau ruboriza de vergonha
após um contratempo com seu vestido no tapete vermelho
do Festival de Cannes em 2005

A ruborização por constrangimento é governada pelo mesmo sistema que ativa a reação de lutar ou fugir: o sistema nervoso simpático. Esse sistema é involuntário, o que significa que você não tem que pensar para executar os processos. Em contrapartida, mover o seu braço é uma ação voluntária. Você tem que pensar sobre isso, não importa quão fugaz o pensamento seja.

Quando você está envergonhado, o seu corpo libera adrenalina. Esse hormônio age como um estimulante natural e tem uma gama de efeitos no corpo, todos parte da reação de lutar ou fugir. A adrenalina acelera a respiração e o batimento cardíaco para preparar você para fugir do perigo. Isso faz as pupilas ficarem maiores para permitir o máximo de informação visual possível. A adrenalina retarda o processo digestivo de modo que a energia possa ser redirecionada para os músculos. Todos esses efeitos são responsáveis pelo choque que você sente quando está constrangido.

A adrenalina também faz os vasos sangüíneos dilatarem (vasodilatação), de modo a melhorar o fluxo de sangue e o transporte de oxigênio. É o que acontece com a ruborização. As veias na face respondem a um sinal do transmissor químico adenilato ciclase, que diz às veias para permitirem à adrenalina que aja. Como resultado, as veias na face dilatam, fazendo com que mais sangue do que o usual flua através delas, e criando uma aparência avermelhada. Em outras palavras, a adrenalina acarreta mais fluxo sangüíneo nas bochechas.

É interessante notar que essa é uma reposta não usual das veias. Outros tipos de vasos sangüíneos são responsivos à adrenalina, mas as veias geralmente não são. Em outras regiões do corpo, as veias não reagem muito quando a adrenalina é liberada; o hormônio tem pouco ou nenhum efeito sobre elas.

A ruborização por constrangimento é um fenômeno único. Existem outros meios através dos quais as bochechas ficam ruborizadas: beber álcool ou ficar sexualmente excitado pode nos fazer ruborizar, mas apenas o constrangimento provoca o tipo de ruborização desencadeada pela adrenalina.

Algumas pessoas optam por se submeterem à uma cirurgia para limitar sua ruborização. Eritrofobia é o medo de ruborizar e pode ser suficiente para levar a pessoa a optar em fazer uma incisão nos minúsculos nervos de sua espinha, o que controla a ruborização. Essa cirurgia - chamada de simpatectomia endotorácica - demonstrou limitar a ruborização.

A ruborização é parte de uma experiência poderosa, mas por que nós desenvolvemos essa resposta ao constrangimento? A ciência não foi capaz de responder a essa pergunta definitivamente, mas existem algumas teorias interessantes sobre as razões para a ruborização. Leia sobre elas na próxima seção.