Há décadas, a mamografia tem sido a única recomendação regular para detecção de câncer de mama. Independente do nível de risco, mulheres com mais de 40 anos devem fazer mamografia (exame que utiliza o raio X para examinar a mama) pelo menos uma vez ao ano. Mulheres com risco maior devem iniciar essa rotina mais cedo e fazer o teste com mais freqüência. Esse tem sido o procedimento padrão de prevenção. Mas em março de 2007, duas fontes distintas divulgaram informações recomendando que a ressonância magnética, técnica de visualização magnética, seja utilizada como procedimento para detecção de câncer de mama para determinadas mulheres.
A última novidade nesse sentido são as novas orientações publicadas pela American Cancer Society, que explica que mulheres que fazem parte do grupo de alto risco complementem sua rotina anual regular de exames de prevenção de câncer de mama com uma ressonância magnética. A ressonância magnética não substitui o exame de mamografia anual; ela é, na verdade, um complemento que pode detectar alguns tumores que a mamografia deixa passar. Porém a ressonância magnética nos seios tem alguns aspectos negativos, não sendo recomendada para mulheres que não façam parte do grupo de alto risco.
A ressonância magnética de mama (visualização da ressonância magnética) utiliza magnetismo e ondas de rádio para criar múltiplas imagens da mama de todos os ângulos possíveis. Um ímã extremamente forte cria um campo magnético dentro do aparelho de ressonância magnética no qual o paciente permanece por 30 a 60 minutos, alterando a orientação desse campo enquanto a máquina emite ondas de rádio dentro do tecido da mama. As ondas de rádio retornam ou ecoam a partir de vários níveis do tecido da mama e a onda magnetizada ao redor de cada mama mede a intensidade desses ecos. Ao alterar a orientação do campo magnético durante o exame, o aparelho visualiza todos os eixos da mama - lado a lado - da frente para trás e de cima para baixo (veja Como funciona a geração de imagens por ressonância magnética para saber mais sobre o exame).
A ressonância magnética oferece muitas vantagens. Em primeiro lugar, não existe radiação envolvida como no caso da mamografia. Além disto, não requer que a mama seia seja manipulada, sendo assim menos desconfortável que a mamografia. Acima de tudo, a ressonância magnética pode detectar muito mais alterações do que uma mamografia. Ela investiga além dos tecidos mais densos da mama e dos implantes nos seios, que podem ser indicadores de câncer. Também exibe mais planos de imagens do que a mamografia, criando um panorama muito mais detalhado que revela até mesmo sutis diferenças na densidade da mama que podem ser indicadores de câncer.
Mas a maior vantagem da ressonância magnética também pode ser a maior desvantagem desse exame. Ela detecta quase tudo. Se algo parecer estranho, a ressonância magnética vai revelar. Mas há diversos elementos de aparência estranha que aparecem nas imagens da mama que não tem nenhuma relação com câncer. Algumas estimativas mostram que a ressonância magnética apresenta uma relação de falsos-positivos equivalente a 1 em 10, o que quer dizer que muitas mulheres se assustam e se submetem a biópsias invasivas sem necessidade. Isso explica por que a ressonância magnética não é indicada para mulheres que fazem parte do grupo de risco normal ou baixo. A menos que exista uma possibilidade alta de você desenvolver câncer de mama, não faz sentido passar por um exame que gera um resultado falso-positivo em 10% dos casos.
Embora a ressonância magnética não utilize radiação, ela requer a aplicação da injeção de um contraste para produzir imagens de melhor qualidade além de apresentar algumas deficiências como a dificuldade para encontrar determinados tipos de calcificação que podem indicar a presença de câncer. Entretanto, a mamografia consegue identificar essas calcificações que sugerem presença de câncer. Além disso, pessoas com claustofobia podem se sentir mal se ficarem mais de uma hora no aparelho de ressonância magnética. Outro detalhe é que o custo do procedimento chega a ser até 10 vezes mais alto do que o da mamografia. Alguns planos de saúde cobrem esse custo, mas outros não. Uma mulher que faz parte do grupo de alto risco gastaria cerca de US$ 1.000 por ano em uma ressonância magnética de mama, se o plano de saúde não cobrisse o exame. Isso tudo gera um outro problema: descobrir quem faz parte do grupo de alto risco.
Ninguém tem uma resposta precisa em relação a como os riscos de câncer de mama podem ser determinados. "Alto risco" é normalmente definido como uma chance de 20% de desenvolver câncer de mama, mas os fatores de risco são bem qualitativos. De acordo com a maioria das orientações, mulheres de alto risco são aquelas com mais de 30 anos que tenham:
- mais de um parente próximo (mãe, irmã, filha) que já teve câncer de mama;
- uma mutação genética ligada ao câncer da mama (o gene mutado BRCA1, BRCA2, TP53 ou PTEN);
- um parente próximo com mutação genética relacionada ao câncer da mama;
- tratamento com radiação na área do tórax depois dos 10 anos de idade e antes dos 30.
Uma segunda referência que promove o uso regular do exame de ressonância magnética diz respeito a um novo estudo publicado no New England Journal of Medicine, que indica que a ressonância só deve ser recomendada para mulheres que tenham recebido o diagnóstico de câncer da mama. Esse estudo revela que mulheres que tenham recebido o diagnóstico de câncer em uma das mamas precisam fazer, antes do início do tratamento contra o câncer, uma ressonância magnética da outra mama, mesmo que a mamografia tenha revelado que a mama está saudável.
O estudo envolveu 969 mulheres diagnosticadas com tumor maligno em uma das mamas e que fizeram a mamografia da outra excluindo o diagnóstico de câncer. Cada uma das mulheres fizeram então uma ressonância magnética da mama sem o câncer. Houve 30 casos de câncer na outra mama identificados pela ressonância magnética. Sem o exame, essas 30 mulheres - 3% das pesquisadas no estudo - teriam iniciado o tratamento de câncer para uma única mama e iriam descobrir depois que a outra mama também estava atingida. O segundo câncer poderia ser detectado em um estágio posterior, tornando-se mais grave. Além disto, a mulher teria que se submeter novamente a uma segundo tratamento envolvendo cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Uma porcentagem de 3% de resultados falso-negativos em casos de câncer é inaceitável quando é possível evitá-lo com um procedimento não-invasivo com duração de uma hora.
Com a divulgação dessas duas referências bastante confiáveis apontando a ressonância magnética como método regular para detecção de câncer na mama, é provável que os planos de saúde nos Estados Unidos que ainda não cubram o procedimento comecem a fazê-lo muito em breve.
Para mais informações sobre câncer de mama, ressonância magnética e tópicos relacionados, confira os links a seguir.
- Como fazer auto-exames (em inglês)
- Como funciona o câncer
- Como funciona a geração de imagens por ressonância magnética
- Como funcionam os raios X
- The New York Times: Alerta aumentará procura por ressonância magnética para exame de mama (em inglês)
- ScienceDaily: Ressonância magnética detecta câncer na mama oposta de mulheres que acabaram de receber o diagnóstico de câncer de mama (em inglês)
- Departamento de Radiologia da UCSF: o que é ressonância magnética de mama? (em inglês)


