A biologia de uma ressaca: reação à glutamina

Depois de exagerar no consumo de bebida alcóolica, o indivíduo não consegue dormir tão bem como o faz normalmente, pois o corpo está reagindo ao efeito depressivo do álcool no organismo. Quando alguém está bebendo, o álcool inibe a glutamina, um dos estimulantes naturais do organismo. Quando o indivíduo pára de beber, o organismo tenta compensar o tempo perdido, produzindo mais glutamina do que precisa.

O aumento nos níveis de glutamina estimula o cérebro enquanto a pessoa tenta dormir, evitando que os níveis mais profundos e saudáveis do sono sejam atingidos. Isto contribui muito para a fadiga sentida em uma ressaca. A ação da glutamina durante uma ressaca também pode ser responsável por tremores, ansiedade, agitação e aumento da pressão arterial.

O álcool é absorvido diretamente através do estômago, por isso as células que o recobrem ficam irritadas. O álcool também provoca a secreção de ácido clorídrico no estômago, eventualmente fazendo com que os nervos enviem ao cérebro a mensagem de que o conteúdo do estômago está machucando o corpo e precisa ser expelido através do vômito. Este mecanismo pode, na verdade, diminuir os sintomas da ressaca a longo prazo, pois livra o estômago do álcool e reduz o número de toxinas com as quais o organismo tem que lidar. A irritação do estômago também é responsável por outros sintomas desagradáveis da ressaca, como a diarréia e a perda de apetite.

Agora sabemos porque o álcool causa as ressacas. Nas seções seguintes, falaremos sobre a ciência por trás das "curas" comuns para a ressaca.