Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico da doença é feito pela história da mordedura em paciente com quadro neurológico. O diagnóstico inclui a detecção dos antígenos do vírus em biópsia de córnea ou da pele. Através da microscopia ótica ou eletrônica é possível perceber inclusões citoplasmáticas características - os corpúsculos de Negri.

Nos animais, o diagnóstico laboratorial é feito a partir de fragmentos do sistema nervoso central (hipocampo, medula, cerebelo) colhidos após a morte do animal e mantidos refrigerados ou congelados. As técnicas utilizadas para confirmação da doença são a imunofluorescência direta, inoculação em animais de laboratório, em cultivo de células ou através da utilização de técnicas de replicação viral que dão o diagnóstico laboratorial de forma rápida e precisa, auxiliando os médicos na prescrição de um tratamento profilático de pessoas mordidas por animais suspeitos.

Raiva

Eduardo Secco / Prefeitura S.J. do Rio Preto

Essas técnicas também são utilizadas na detecção e controle de focos de raiva em animais, permitindo que os veterinários encarregados do controle de zoonoses possam tomar as providências necessárias para impedir a disseminação da doença.

Com exceção de seis casos nos quais as pessoas sobreviveram, cinco dos quais vacinados previamente ou pós-exposição, não há cura para a raiva e após surgirem os sintomas excitatórios da hidrofobia, a morte é considerada como inevitável. O tratamento nesses casos consiste apenas em aliviar os sintomas e diminuir o sofrimento.

O que fazer em caso de mordida por animal suspeito ou desconhecido?

Após mordedura ou laceração por animal selvagem, suspeito ou desconhecido, a ferida deve ser lavada cuidadosamente com água e sabão. A raiva tem um período de incubação muito longo, podendo chegar a dois anos, o que permite que a pessoa seja vacinada.

Com isso a pessoa fica imunizada antes que termine o período de incubação da doença. Quando este acabar, o sistema imunológico já conseguirá se defender do vírus. Além da vacina, também se administra simultaneamente o anticorpo antivírus da raiva. É importante que pessoas mordidas por animais selvagens, cães não vacinados ou desconhecidos, mesmo sem ter certeza de que estejam contaminadas, procurem atendimento especializado rapidamente e recebam a vacina no próprio dia do acidente ou no máximo no dia seguinte.

Dependendo do local da lesão (na região do rosto, por exemplo), o vírus pode chegar ao sistema nervoso central antes da vacina ter efeito, levando à morte. Por isso, quanto mais longe do cérebro for a mordida, melhor será o prognóstico do paciente infectado, porque dá mais tempo à vacina de imunizar a pessoa. A vacina geralmente utilizada é composta de virions sem atividade invasiva, mas não é eficaz contra algumas cepas da África.

A vacina para humanos pode em casos raros levar à meningoencefalite alérgica de gravidade moderada, um efeito colateral. Logo, ela só é recomendada de forma profilática em profissões de alto risco, como por exemplo para veterinários, ou em indivíduos que foram mordidos recentemente por animais possivelmente infectados. São consideradas como população de risco pessoas que se expõem constantemente ao risco da infecção como veterinários, técnicos de laboratórios e tratadores de animais. Esses devem fazer a vacinação preventiva periodicamente de acordo com recomendação médica.

O que fazer quando você for agredido por um animal, mesmo que vacinado, ou que o dono diz que foi vacinado? (confirme essa informação na carteira de vacinação do animal)

1. Lave imediatamente o ferimento com água e sabão.

2. Procure com urgência o Serviço de Saúde mais próximo para que o médico avalie se há necessidade de profilaxia.

3. Não mate o animal, e sim deixe-o em observação durante 10 dias, para observar o aparecimento de algum sinal da doença.

4. O animal deverá receber água e alimentação normalmente, num local seguro, para que não possa fugir ou atacar outras pessoas ou animais enquanto estiver em observação.

5. Se o animal adoecer, morrer, desaparecer ou mudar de comportamento, volte imediatamente ao Serviço de Saúde explicando o que aconteceu e pergunte se há necessidade de novo tratamento.

6. Nunca interrompa o tratamento preventivo sem orientação médica.