Como saber qual foi o motivo da queda

A síndrome da imobilidade e a depressão podem ser conseqüências das quedas constantes dos idosos
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A síndrome da imobilidade e a depressão podem ser conseqüências das quedas constantes dos idosos

O melhor começo é sempre perguntar ao idoso o que aconteceu, ou seja, tentar descobrir a causa do acidente para poder evitá-lo. Quando o próprio idoso não consegue informar é importante presenciar se alguém assistiu à queda. A história clínica deve conter dados sobre como aconteceu a queda, quais os medicamentos que o idoso toma (é importante, por exemplo, tentar associar o horário da queda com o pico de ação da medicação anti-hipertensiva). Uma queda no pico de ação da medicação anti-hipertensiva pode indicar excesso de medicação, ou, às vezes, o pico de ação de dois medicamentos anti-hipertensivos coincidindo. Uma simples troca de horário pode melhorar essa situação. Às vezes, é importante associar a queda com a introdução de algum medicamento novo.

Ainda é importante perguntar sobre consumo de bebidas alcoólicas, mudanças de posição na mobília da casa, outras quedas nos meses anteriores. Perguntar sobre o uso de chinelos, se o idoso anda de meia, se passou no oftalmologista recentemente é muito importante.

Quanto mais fatores de risco para queda o idoso apresenta, maior o risco de cair. A maior parte das quedas acontece na própria casa em que o idoso mora. Como o idoso tem medo que cerceiem sua liberdade, muitas vezes, ele esconde que caiu ou nega a existência de problemas dentro da própria casa, por isso, deve-se perguntar de maneira clara e firme sobre quedas.

Diagnóstico diferencial

O idoso pode cair em conseqüência de um acidente simples como escorregar no piso molhado do banheiro ou pode cair em conseqüência de alguma doença aguda como um infarto do coração ou um derrame (acidente vascular cerebral). Por isso, é importante levar o idoso para uma avaliação médica mesmo que tenha sido um acidente pouco grave. É importante afastar alguma doença como causa da queda.

O médico sempre deve perguntar sobre quedas o paciente idoso.

O médico deve perguntar a todos os pacientes idosos sobre episódios de quedas no último ano, pois com grande freqüência o idoso tenta esconder esses episódios para que não haja restrições às suas rotinas. Os pacientes idosos que sofreram dois ou mais episódios de queda em um ano devem ser investigados na tentativa de diagnosticar uma causa tratável.

O médico pode realizar alguns exames simples feitos no próprio consultório para avaliar como anda o equilíbrio nos idosos. Há um teste simples,  que é chamado em inglês de “Get up and go” e, em português,  “Levante-se e ande”, que consiste em pedir ao paciente para levantar da cadeira sem apoiar os braços, caminhar três metros, virar-se, retornar à cadeira e sentar-se novamente. A manobra é cronometrada pelo médico e em pacientes em que o tempo excede 14 segundos existe um risco aumentado de quedas. A observação do teste pelo médico também é importante para observar alterações de equilíbrio, problemas na marcha e dúvida ou demora na execução desses movimentos simples.

Outro teste simples de avaliação de equilíbrio é o “one-leg balance”, onde o paciente fica na posição em pé, sem nenhum auxílio ou apoio de ninguém, sustentado por apenas uma perna durante cinco segundos. Pacientes com alteração na execução do teste também apresentam risco maior de quedas.

Periodicamente, o médico que acompanha o idoso tem que reavaliar todas as medicações que ele está tomando e suspender as supérfluas, pois o uso de um grande número de medicamentos aumenta em muito o risco de interações medicamentosas com efeitos colaterais importantes. A suspensão de medicações psicotrópicas, incluindo benzodiazepínicos, neurolépticos e antidepressivos, leva a curto e médio prazo a uma diminuição de 39% na taxa de quedas.

O idoso deve se submeter a avaliação oftalmológica anual. Muitos dos acidentes são conseqüência de piora da acuidade visual. Os idosos apresentam maior dificuldade para enxergar de longe, tem uma diminuição da percepção da profundidade que facilita acidentes em escadas além das cataratas.

Alterações do sistema vestibular como vertigem e desequilíbrio devem ser investigados e tratados e, mesmo quando a causa for irreversível, o paciente se beneficia de exercícios de reabilitação vestibular. Em várias das labirintopatias, a recuperação da função pode ser incompleta no idoso e a reabilitação ajuda muito nesses casos.

A medida da pressão arterial é parte obrigatória do exame a ser realizado pelo médico com avaliação também da hipotensão postural. O idoso tem sua pressão medida em repouso e em pé após dois minutos. A queda dos valores da pressão sistólica acima de 20 mm Hg faz diagnóstico de hipotensão postural, o que identifica um paciente com risco maior de queda.
A investigação da queda vai depender da história clínica contada pelo idoso ou seu acompanhante.

Idosos devem usar sapatos confortáveis e que não escorreguem. O exame dos pés é importante para avaliar se há necessidade de sapatos especiais ou não.  Alguns idosos podem se beneficiar do uso de bengalas ou andadores para reduzir a carga articular e melhorar o equilíbrio. O idoso pode fazer fisioterapia para melhorar a força e o equilíbrio. Esse tipo de tratamento ainda traz uma ação benéfica na auto-estima que é muito importante.