Causas das quedas dos idosos

Autor: 
Isabela Benseñor

As quedas podem ser conseqüência de vários fatores de risco agrupados relacionados à própria pessoa ou não. Um dos mais freqüentes é o próprio envelhecimento. O processo de envelhecer leva a várias alterações fisiológicas que incluem:

  1. alteração da visão com redução da percepção de distância, da visão periférica e da adaptação ao escuro;
  2. alteração da audição com maior dificuldade para ouvir sinais de alarme;
  3. Alterações vestibulares em conseqüência de infecções repetidas, cirurgias e a vertigem posicional benigna comum no idoso;
  4. Alteração das vias nervosas que auxiliam na percepção da posição das nossas articulações;
  5. Alterações degenerativas do corpo acometendo juntas, musculatura e estrutura óssea;
  6. Alteração dos baroreceptores que são células nervosas especializadas que auxiliam no controle da pressão arterial ao mudar a posição do corpo de sentado para em pé;
  7. Alterações ligadas ao descondicionamento físico.

Além de alterações típicas do envelhecimento há doenças que aumentam o risco de quedas como as doenças cardiovasculares. Em idosos, o ato de esvaziar a bexiga ou evacuar pode desencadear um desmaio (o nome médico é “síncope vaso-vagal”). Entre as doenças cardiovasculares, o infarto e a insuficiência cardíaca podem levar a quedas. Outro problema freqüente é a chamada hipotensão postural, que é uma dificuldade de manter a pressão arterial quando o idoso se levanta. Normalmente, quando alguém está sentado e se levanta, há uma adaptação do sistema circulatório a manter os níveis pressóricos dentro da normalidade. O idoso perde essa capacidade de adaptação não conseguindo manter a pressão arterial ao se levantar. A queda dos níveis pressóricos diminui a quantidade de sangue que vai para o cérebro e o idoso desmaia (perde a consciência).

As doenças neurológicas e, principalmente, o acidente vascular cerebral são uma causa importante de quedas. O paciente com acidente vascular cerebral pode apresentar seqüelas importantes que dificultam a marcha e aumentam o risco de quedas. Além do acidente vascular cerebral, a doença de Parkinson também pode levar a quedas. Algumas doenças atingem o labirinto, a parte do ouvido que é responsável pelo equilíbrio e também pode ser causa de vertigens que induzem a quedas. Uma das mais conhecidas é a doença de Meunière, em que há um acúmulo de líquido dentro do labirinto, causando vertigens.

Também causam aumento do risco de quedas doenças como o diabetes, o hipo e o hipertireoidismo, a doença pulmonar obstrutiva crônica - geralmente conseqüência do hábito de fumar por muitos anos -, as embolias de pulmão, a anemia, as infecções graves e a de pressão.

De uma maneira geral o idoso pode apresentar um fluxo de sangue para os órgãos diminuído. Por exemplo, em um idoso que apresenta um fluxo sangüíneo para o cérebro diminuído, o simples ato de comer, com desvio do fluxo de sangue para o intestino, pode diminuir ainda mais o fluxo cerebral e causar um desmaio. `

Alguns relutam, mas, às vezes, os idosos precisam de andadores
©iStockphoto.com
Alguns relutam, mas, às vezes, os idosos precisam de andadores

A terceira causa mais importante de quedas é o uso de vários medicamentos ao mesmo tempo. Esses medicamentos acabam interagindo entre si e causando efeitos colaterais importantes. A associação de vários medicamentos para controle da pressão pode causar hipotensão em alguns momentos do dia em que a ação dos medicamentos se soma. Além deles, a interação com medicamentos utilizados para o controle da depressão, os medicamentos que aumentam a diurese (diuréticos), alguns medicamentos que tratam arritmias cardíacas (quando o coração bate fora de lugar) e medicamentos para o tratamento do diabetes podem causar hipotensão e aumento do risco de quedas.

Outras causas de queda

Há vários fatores ambientais que aumentam o risco de quedas como: locais mal iluminados, superfícies escorregadias, escadas com degraus muito altos e estreitos e sem corrimão, tapetes soltos sobe o chão, obstáculos no caminho e calçadas em mau estado que dificultem a caminhada. Muitos desses fatores estão presentes no meio ambiente externo à casa do idoso e outros existem na própria residência. Idosos que moram sozinhos freqüentemente vivem em casa não adaptadas para a vida do idoso como, por exemplo,  as lâmpadas queimam e não são trocadas. Isso associado à piora da acuidade visual aumenta em muito o risco de acidentes.