Os efeitos da privação do sono

Tony Wright conseguiu ficar mais de 264 horas sem dormir, sem apresentar efeitos adversos significativos, mas os médicos recomendam que ninguém tente fazer isso por conta própria. Ficar muito tempo sem dormir pode causar problemas de visão, alucinações, paranóia, mudanças de humor, dificuldade de se comunicar ou compreender os outros, comprometimento do sistema imunológico e depressão.

Se você tem dormido no chão, pode estar com privação de sono.
Foto cedida por Dreamstime
Se você tem dormido no chão, pode estar com privação de sono.


Também há a questão do por que alguém ficaria acordado durante 11 dias. Wright alega que estava pesquisando os efeitos do sono no corpo e que queria "chamar a atenção para as diversas variáveis no estilo de vida humano" [Fonte: BBC (em inglês)]. Mas alguns cientistas criticaram esse esforço. Dr. Chris Idzikowski, diretor do Centro de Sono de Edinburgh, disse que "a menos que propriamente realizados por equipamentos que monitorem a atividade cerebral, provando que a pessoa está acordada, estudos como este acrescentam pouco" [Fonte: The Scotsman (em inglês)].

Dr. Irdzikowski disse à BBC que a teoria de Wright sobre desligar um lado do cérebro e ativar o outro apenas poderia ser verificada com monitoramento da atividade cerebral, afirmando ainda que quem faz um experimento de privação de sono pode adormecer por curtos períodos sem nem mesmo perceber [Fonte: BBC (em inglês)]. De fato, no sétimo dia, Wright escreveu em seu blog que alguns expectadores que acompanhavam via webcam estavam preocupados que ele tivesse pego no sono porque ele parecia estar sentado completamente imóvel. Wright alegou estar "meramente refletindo sobre idéias criativas (ou, neste caso, a falta delas)" [Fonte: BBC (em inglês)]. Não há como confirmar se ele cochilou sem perceber.

Problemas podem surgir até mesmo a partir de pequenos surtos de insônia. Vinte e quatro horas sem dormir podem produzir danos semelhantes aos de quem está bêbado. Conseqüentemente, ficar sem dormir favorece a ocorrência de acidentes pessoais e pode contribuir para desastres. Ficar sem dormir também é um grande problema para pessoas que trabalham durante longas horas (como médicos e funcionários que trabalham no turno da noite) e para qualquer um que sofra de apnéia do sono, que causa pressão alta, estresse (em inglês) e baixos níveis de oxigênio no sangue. Ficar sem dormir continuamente pode aumentar o apetite e ocasionar ganho de peso.

Uma série de medicamentos busca eliminar os efeitos colaterais decorrentes da privação de sono. Chamados de "eugeroics", esses estimulantes prometem melhorar o desempenho cognitivo depois de mais de 36 horas sem dormir. Algumas dessas drogas têm sido usadas no tratamento de narcolepsia. Os fabricantes, que ainda dependem da aprovação do FDA, esperam adaptá-los para outros propósitos, como permitir que a pessoa consiga passar algumas horas sem dormir ou consiga lidar com turnos de trabalho mais longos. Ainda não está certo se essas drogas alteram o estilo de vida e trabalho futuro dessas pessoas. Tais medicamentos certamente não substituem o sono e seus efeitos, especialmente depois de uso prolongado, precisam ser bem analisados.

É evidente que o sono tem uma função muito importante. Enquanto dormimos, nossos músculos e células descansam e se rejuvenescem, permitindo que o cérebro "arquive" memórias e melhore a função cognitiva durante as horas em que a pessoa estiver acordada. A maioria dos adultos vive bem com sete a oito horas de sono, embora algumas figuras públicas, como Margaret Thatcher e Winston Churchill, dormissem apenas quatro horas ou menos. Todos os animais precisam dormir também. As girafas dormem menos de duas horas por dia, enquanto o sono de cobras pítons pode chegar a até 75% do dia. No caso dos humanos, isso irá depender da necessidade de cada indivíduo. Bebês normalmente dormem mais de 20 horas por dia, mas pessoas idosas vivem bem com seis a sete horas de sono diário.

Para mais informação sobre privação de sono, como o sono funciona e para acessar o blog de Tony Wright, consulte os links na próxima seção.