Tratamentos para a enxaqueca

Autor: 
Isabela Benseñor

A enxaqueca pode ser tratada em dois momentos: na crise aguda - no momento em que a dor começa - ou quando o paciente sente que vai ter a dor; e na prevenção de novas crises. O tratamento pode ser feito com medicamentos ou não.

Tratamento não-medicamentoso

O tratamento não-medicamentoso consiste na orientação das pessoas com enxaqueca. Em geral, a enxaqueca tem alguns desencadeadores importantes como falta ou excesso de sono, alguns alimentos como embutidos (ricos em nitrito, um conservante), o glutamato de sódio da comida chinesa, o período menstrual. Quem tem enxaqueca deve ter uma vida regular com horários bem definidos. Isso nem sempre é fácil. Atividades relaxantes também podem ser utilizadas como estratégia de controle das crises.

Enxaqueca e período menstrual.
O período menstrual é um desencadeador importante das crises de enxaqueca

Tratamento medicamentoso

É importante avaliar a intensidade das crises e quanto a enxaqueca compromete a qualidade de vida da pessoa. Isso pode ser avaliado usando perguntas simples, do tipo:

  • Quantas vezes faltou na escola ou no trabalho por causa da dor?
  • Quantas vezes trabalhou ou foi à escola, mas rendeu menos por causa da dor?

Uma resposta positiva a alguma dessas perguntas significa que o comprometimento da qualidade de vida é muito grande, portanto, deve-se iniciar o tratamento profilático.

Tratamento profilático: o que é a profilaxia da enxaqueca?

Profilaxia da enxaqueca ou tratamento profilático da enxaqueca é o uso de medicamentos com a finalidade de  prevenir as crises de dor diminuindo sua freqüência e intensidade. Mesmo na mulher, que só apresenta crises fortes no período peri-menstrual, a profilaxia pode ajudar melhorando a intensidade da dor que pode ser muito forte no período menstrual. É importante lembrar que todos os medicamentos usados na profilaxia da enxaqueca produzem efeitos colaterais importantes e devem ser prescritos pelo médico. Os medicamentos mais utilizados são:

1. Betabloqueadores

– Propranolol e Atenolol são medicamentos utilizados para o tratamento da hipertensão (pressão alta) mas, em doses menores, podem ser utilizados para a profilaxia da enxaqueca. A vantagem é que são medicamentos baratos e muito eficazes na profilaxia da enxaqueca. Os betabloqueadores devem ser utilizados conforme prescrição médica porque produzem alguns efeitos colaterais, como crises de broncoespasmo ou chiadeira. Então, pessoas que apresentaram asma ou “bronquite” na infância não são candidatas ao uso de betabloqueadores.

– Efeitos colaterais: além da “chiadeira”, os betabloqueadores também podem causar sonhos vívidos (sonhos que parecem reais), depressão, insônia, impotência e cansaço.

– No paciente com enxaqueca os efeitos colaterais são maiores do que no hipertenso, e podem se manifestar com doses menores.

2. Ácido valpróico

– É um medicamento utilizado para a o tratamento da epilepsia que também pode ser utilizado na profilaxia da enxaqueca. O ácido valpróico apresenta vários efeitos colaterais e deve ser prescrito pelo médico.

– Entre os efeitos colaterais do ácido valpróico estão a queda de cabelo e alterações do fígado (hepatite) e do sangue (pode dar anemia, por exemplo).

3. Antidepressivos tricíclicos

– Muitas das pessoas que têm enxaqueca podem apresentar também quadros de depressão ou ansiedade. Nesses casos, pode-se usar para profilaxia da enxaqueca os antidepressivos tricíclicos que além do efeito antidepressivo tem um efeito importante no controle da dor crônica. São remédios que apresentam vários efeitos colaterais como ganho de peso, sonolência, sensação de tontura e boca seca.

Há outros medicamentos que podem ser usados como profiláticos, mas têm menor eficácia:

4. Flunarizina

– Efeito colateral: ganho de peso

5. Topiramato

– É um medicamento utilizado no tratamento da epilepsia que também pode ser utilizado na profilaxia da enxaqueca. Pode ter um certo efeito também na perda de peso. Entretanto, apresenta um número grande de efeitos colaterais como risco de formação de cálculos renais e diminuição da cognição, devendo ser utilizado muito criteriosamente na profilaxia da enxaqueca.

6. AAS e inibidores da enzima de conversão (um tipo de medicamento que também é utilizado para tratar a pressão alta)

– Estes medicamentos parecem diminuir a freqüência de enxaqueca em 30% dos casos.

A escolha do melhor medicamento profilático para cada pessoa deve ser feita baseada no perfil de efeitos colaterais e nas outras doenças que a pessoa já apresenta. Por exemplo, se é uma pessoa com pressão alta, a melhor opção pode ser utilizar os betabloqueadores que são eficazes na profilaxia da enxaqueca e no controle da pressão alta. Se é alguém com epilepsia, a melhor escolha pode ser o ácido valpróico, e se for alguém com depressão, a melhor escolha pode ser um antidepressivo tricíclico.