Até que ponto a piromania é comum?

isqueiro
Ryan McVay/Photodisc/Getty Images
De acordo com um estudo, menos de 2% dos incêndios propositais são causados por piromaníacos

Até que ponto a piromania é comum? Essa é uma pergunta difícil, pois os atos de piromania são incluídos nas estatísticas de incêndios propositais relatados pelas agências de polícia. Então, para encontrar casos de piromania, os psiquiatras forenses devem avaliar os relatos de casos de incêndios propositais e examinar os incendiários presos ou internados em hospitais psiquiátricos.

A psiquiatra Nina Lindberg e seus colegas, na Finlândia, analisaram 20 anos de registros médicos e avaliações psiquiátricas de 600 incendiários do sexo masculino. ­A maioria deles tinha problemas mentais, como transtornos de personalidade, psicoses e retardamento mental. Cerca de 68% tinha bebido quando provocaram os incêndios.

Os pesquisadores separaram o grupo em incendiários criminosos e incendiários inocentes (aqueles sem qualquer outra atividade criminosa), pois os verdadeiros piromaníacos provavelmente seriam os inocentes. Aplicando os critérios do DSM-IV para a piromania, os pesquisadores descobriram que apenas 12 dos 600 atendiam a eles. Entretanto, 9 desses 12 admitiram estar bêbados quando provocaram os incêndios (mencionaram que a tensão e a excitação que sentiam antes aumentavam quando bebiam álcool). Por isso, Lindberg e seus colegas concluíram que menos de 2% dos incêndios propositais e dos comportamentos incendiários deviam-se realmente à piromania [fonte: Lindberg].

Acabando com o mito de que a maioria dos incendiários criminosos seriais é piromaníaca, a psicóloga Rebekah Doley analisou vários estudos de piromania e relatou que a verdadeira doença realmente é bem rara (responsável por menos de 1 a 4% dos incêndios propositais) [fonte: Doley].

Então, se a piromania é tão rara, até que ponto conhecemos suas causas?

Incêndio proposital

O incêndio proposital é "o ato criminoso de botar fogo, conscientemente, na casa ou propriedade de outra pessoa, ou de queimar a própria casa para fins impróprios, como receber seguro" [fonte: American Heritage Dictionary (em inglês)].

De acordo com a estatística do FBI de 2006, várias agências de polícia dos Estados Unidos relataram índices de incêndio proposital de aproximadamente 26,8 por 100 mil habitantes [fonte: FBI (em inglês)].

A National Fire Protection Association (Associação Nacional de Proteção Contra Incêndio) e a FEMA (Agência Federal para o Gerenciamento de Emergências) estimaram que, em 2006, houve 31 mil incêndios estruturais, que resultaram em 305 mortes e aproximadamente US$ 755 milhões em prejuízos.

O incêndio proposital, em muitos países, é a principal causa de danos à propriedade. Por exemplo, na Austrália, estima-se que um incêndio é provocado a cada hora, diariamente, resultando em US$ 157 milhões em prejuízos, anualmente [fonte: Instituto de Informações de Seguros (em inglês)].

Por isso, embora a piromania e o incêndio proposital envolvam colocar fogo em alguma coisa, a principal diferença entre os dois é a motivação. Os incendiários propositais têm motivação criminosa ou querem tirar proveito de algo, enquanto os piromaníacos não.

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