De acordo com o American Heritage Dictionary, a piromania é "o impulso incontrolável de provocar incêndios". Essa definição, aparentemente, é simples, mas, em geral, difícil de ser aplicada no diagnóstico do comportamento incendiário de uma pessoa e no tratamento psiquiátrico correspondente.
Existem muitas razões para uma pessoa provocar incêndios, e a dificuldade está em separar as pessoas que realmente têm esse impulso daquelas que apresentam comportamentos criminosos ou outras doenças psicológicas. Para tratar dessa questão, o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders - DSM-IV (em inglês - Manual de Estatística e Diagnóstico de Distúrbios Mentais) da American Psychiatric Association (Associação Americana de Psiquiatria) estabeleceu os critérios a seguir para o diagnóstico da piromania.
Então, de acordo com esses critérios, Sarah Wheaton realmente tinha piromania? Como ela foi diagnosticada com transtorno de personalidade limítrofe (com um histórico subseqüente de comportamento incendiário), ela não se encaixou na definição da verdadeira piromania. Aplicando os critérios do DSM-IV, até que ponto a piromania é comum?
O psiquiatra Jeffrey Geller e alguns colegas analisaram literaturas médicas e legais sobre a piromania em 150 anos [fonte: Geller]. Eles descobriram que, durante alguns períodos, havia diagnósticos freqüentes de piromania, enquanto em outras épocas, havia pouquíssimos. Observaram que a definição de piromania mudou várias vezes desde meados de 1800 - às vezes, reconhecida como uma doença mental, outras vezes não, e, em alguns momentos, parecia não se ter chegado a nenhuma conclusão. Geller e seus colegas concluíram que as razões dessas mudanças não refletiam as diferenças no comportamento em si, mas as mudanças ocorridas no campo da psiquiatria, como se cada geração tentasse classificar se uma pessoa é realmente responsável por seus próprios atos. |