Tratamento para a paralisia cerebral

Autor: 
Shanna Freeman

Uma vez que o médico diagnostica uma criança com paralisia cerebral, ele discute com os pais uma opção de tratamento. A intervenção precoce permite que a criança tenha mais chance de aprender a lidar com suas deficiências e encontrar formas alternativas para realizar tarefas que possam ser desafiadoras.

Mesmo quando o diagnóstico da PC é feito quando a criança ainda é um bebê, ela é submetida à fisioterapia o quanto antes para fortalecer seus músculos. Algumas pessoas com paralisia cerebral sofrem de contraturas musculares, que ocorrem quando os músculos se contraem devido à espasticidade. Alongá-los pode evitar que isso aconteça. E também aumenta as chances da criança de poder sentar, andar e realizar outras atividades físicas com o máximo de eficiência. Muitas pessoas com PC também recebem massagens e aprendem posições de ioga que ajudem a alongar os músculos e mantê-los flexíveis.

Outras terapias também podem ser úteis, dependendo do tipo de PC específica da criança. Por exemplo, crianças com o tipo atetóide/discinética normalmente têm dificuldade para respirar, falar e comer; então, o tratamento com um patologista de fala/linguagem pode ajudá-las a fortalecer os músculos faciais e falar claramente. Algumas crianças com paralisia cerebral utilizam métodos alternativos de comunicação, como o Blissymbols, um sistema de escrita ideográfica, ou sintetizadores de voz computadorizados. A terapia ocupacional pode ajudá-las com as tarefas básicas, como tomar banho e comer sozinhas.

Existem alguns medicamentos que as pessoas com paralisia cerebral tomam para diminuir a espasticidade e limitar os tremores, como o relaxante muscular Benzodiazepina, mas eles nem sempre são eficazes e podem provocar efeitos colaterais indesejados. Recentemente, os médicos começaram a usar injeções de Botox nos músculos tensos para relaxá-los. Em algumas crianças com PC severamente espástica, são implantadas bombas no abdômen, através de cirurgia, que enviam ininterruptamente um fluxo de medicamento antiespasmódico chamado Baclofen.

As crianças com paralisia cerebral espástica, às vezes, precisam ser submetidas à cirurgia para afrouxar os músculos e articulações tensas. Com o tempo, os músculos espásticos também podem causam deformidades nos ossos, que necessitarão de cirurgia. Por exemplo, em alguns casos, a tíbia fica deformada, o que pode dificultar ainda mais a caminhada. Um cirurgião pode cortar o osso e realinhá-lo. Algumas pessoas com espasticidade grave acabam se submetendo a uma cirurgia que envolve a identificação e o corte das fibras nervosas, chamada de rizotomia dorsal seletiva, que pode melhorar sua mobilidade. Normalmente, é o último recurso.

Outro estereótipo da PC

Muitas vezes, as pessoas acham que qualquer pessoa que sofre de paralisia cerebral é intelectualmente incapacitada ou possui insuficiência de aprendizagem. Muitos portadores de PC apresentam inteligência na média ou acima dela e não têm problema em frequentar uma sala de aula regular ou outro estabelecimento de ensino, embora alguns possam ter incapacidade intelectual ou de aprendizagem. Há pessoas com paralisia cerebral que também sofrem de disartria, que consiste na dificuldade de controlar e coordenar os músculos usados para falar. Entretanto, isso não significa que elas não compreendam a conversa.

Existem também terapias alternativas disponíveis para os portadores de PC. O biofeedback envolve o registro das funções do corpo de um paciente, incluindo tensão muscular, e a transferência dessas informações para o paciente. A ideia é que eles conseguem controlar algumas dessas funções inconscientemente, já que estão cientes delas, apesar de sua efetividade não ter sido comprovada em pacientes com PC.

A terapia com sangue de cordão umbilical foi cogitada como uma possível cura para a paralisia cerebral, mas ainda não foram feitos testes científicos que provassem sua efetividade. Entretanto, a possibilidade deu um salto quando a família de Dallas Huxtell, uma criança de 2 anos, apareceu no Today Show (programa da TV americana), em março de 2008. Os pais afirmaram que o tratamento de Dallas com suas próprias células-tronco reverteu os sintomas de sua paralisia cerebral. Antes do tratamento, o menino tinha pouco tônus muscular, habilidades motoras deficientes e atraso no desenvolvimento. Hoje, seus médicos afirmam que é possível que, por volta dos 7 anos de idade, ele não apresente mais nenhum sintoma da paralisia cerebral. Esse é apenas um caso, mas já deu esperanças aos portadores de PC.