Tipos de paralisia cerebral

Autor: 
Shanna Freeman

Geralmente, a paralisia cerebral é diagnosticada quando a criança está com 2 ou 3 anos de idade. Os médicos realizam um exame físico detalhado e observam certos sinais. Por exemplo, algumas crianças apresentam músculos muito fracos, extremamente tensos ou rígidos. Além disso, podem ter reflexos exagerados ou deficientes, má postura e dificuldade de equilíbrio. As crianças com PC podem arrastar uma perna ao engatinhar ou andar, caminhar na ponta dos dedos ou "cruzar" as pernas (na altura do joelho) ao andar ou levantar.

Garota chinesa usando um andador para se locomover
© istockphoto.com / Kim Gunkel
Garota chinesa usando um andador para se locomover

Após o diagnóstico inicial, o médico geralmente recomenda um exame do cérebro por imagem - ressonância magnética, tomografia computadorizada ou ultrassom. Ele pode mostrar a causa, assim como o tipo e a gravidade, mas muitas crianças com paralisia cerebral moderada apresentam exames normais, pois a área do cérebro afetada provavelmente é muito pequena para ser detectada.

Existem três tipos básicos de paralisia cerebral: espástica, atetóide/discinética e atáxica. Esses tipos diferenciam-se pelos sintomas, que geralmente refletem a região do cérebro que sofreu a lesão. A maioria das pessoas (cerca de 70% a 80%) com PC apresenta o tipo espástica. Isso significa que a lesão cerebral está no córtex motor ou no trato corticoespinhal (o conjunto de fibras nervosas entre o córtex cerebral e a medula espinhal).

As pessoas com paralisia cerebral espástica têm problemas de mobilidade devido à rigidez da musculatura, que também pode se contrair involuntariamente. Há três subtipos de PC espástica:

  • Tetraplegia - os quatro membros e o corpo inteiro são afetados. Algumas crianças com esse subtipo também apresentam convulsões e tremores e geralmente não conseguem andar nem falar. Essa é a forma mais severa de PC, deixando muitas crianças intelectualmente incapacitadas.
  • Hemiplegia - um lado do corpo é afetado. Se for o lado direito, isso normalmente significa que o cérebro sofreu a lesão no lado esquerdo. As pessoas com esse tipo de paralisia precisam de suspensórios. Além disso, os membros do lado afetado podem não se desenvolver na mesma velocidade que os membros não afetados. Geralmente, elas conseguem andar.
  • Diplegia - a parte inferior do corpo é afetada, e a pessoa pode andar "cruzando" as pernas e na ponta dos dedos. Muitas pessoas com esse subtipo têm estrabismo e geralmente deficiência visual. 

O segundo tipo mais comum de paralisia cerebral é atetóide/discinética. A pessoa com atetose apresenta movimentos lentos, retorcidos e involuntários, especialmente nos braços, enquanto a discinesia significa que esses movimentos podem ser repetitivos, praticamente como um tique. Os portadores dessa forma de PC têm tônus muscular variado. Algumas vezes, seus músculos são tensos e rígidos; em outras, são frouxos e moles. A paralisia cerebral atetóide/discinética é resultado da lesão que ocorre em uma dessas áreas do cérebro ou mais: nos gânglios basais, no trato corticoespinhal e no córtex motor. Os portadores da atetóide/discinética podem ter dificuldade para andar, falar, comer, sentar eretas e realizar atividades motoras básicas.

A PC atáxica é o diagnóstico menos comum (cerca de 5% a 10% de todos os casos) e é consequência de lesão no cerebelo. As pessoas com esse tipo de paralisia cerebral apresentam baixo tônus muscular e dificuldade para coordenar seus músculos para realizar atividades motoras finas, como escrever. Além disso, elas geralmente têm dificuldade para se equilibrar enquanto caminham e andam com os pés bem afastados um do outro. Um tipo específico de tremor conhecido como tremor intencional é comum nesse tipo de PC. Isso significa que um movimento voluntário, como pegar um objeto, produz um tremor no braço que piora à medida que a mão chega perto do tal objeto.

As pessoas com PC que apresentam sintomas de um desses três tipos ou mais sofrem de paralisia cerebral mista.

A paralisia não tem cura, mas existem muitos tratamentos e terapias diferentes que ajudam a controlar os sintomas. Falaremos deles a seguir.