Causas da paralisia cerebral

Prevenção da paralisia cerebral

Em um estudo publicado na Revista de Medicina da Nova Inglaterra, em agosto de 2008, as gestantes com alto risco de parto prematuro receberam sulfato de magnésio. O índice de paralisia cerebral em bebês caiu pela metade. O responsável pela pesquisa, Dr. Dwight J. Rouse, afirma que o medicamento pode proteger contra a lesão cerebral causada pelo inchaço, inflamação e falta de oxigênio.

A paralisia cerebral ocorre quando o cérebro da criança sofre uma lesão e fica permanentemente prejudicado. Cerca de 70% a 80% das vezes, essa lesão acontece durante a gestação. As complicações no parto são responsáveis por 5% a 10% de todos os casos de paralisia cerebral, sendo que a origem dos demais diagnósticos é a lesão que ocorre até os 2 ou 3 anos de idade [fonte: Wu (em inglês)]. Não há como saber exatamente o que provocou um caso específico, mas os pesquisadores sabem de várias condições que causam um impacto no fluxo sanguíneo e, assim, no fluxo de oxigênio ao cérebro do bebê provocando a lesão cerebral específica à PC. Começaremos analisando as causas da paralisia cerebral que ocorrem durante a gestação.

Às vezes, a paralisia cerebral acontece quando o cérebro do bebê simplesmente não se desenvolve corretamente devido a um distúrbio genético ou outro problema no útero. Entretanto, doenças, infecções ou outros problemas que a mãe apresenta podem ser um fator. As gestantes que sofrem de diabetes e epilepsia têm um risco mais elevado de darem à luz a um bebê com paralisia cerebral. O mesmo acontece com as mães que adquirem infecções como rubéola, toxoplasmose (um parasita), infecções renais ou herpes. O consumo de álcool, fumo e alguns medicamentos, durante a gestação, também pode causar lesão no cérebro que leva à PC.

Além disso, existem alguns problemas específicos à gravidez que podem ocasionar a paralisia. Pré-eclampsia, um distúrbio que provoca pressão alta, pode afetar o fluxo de sangue no cordão umbilical e na placenta e impedir que o feto receba oxigênio. O mesmo acontece com outros problemas na placenta, como descolamento, em que ela se separa da parede uterina. Incompatibilidade de fator Rh, que ocorre quando o tipo sanguíneo da mãe é positivo e o do bebê negativo (ou vice-versa), pode fazer com que o bebê fique com icterícia ao nascer. Bebês com icterícia (em inglês) severa que não recebem o tratamento adequado estão suscetíveis a um tipo específico de lesão cerebral chamado kernicterus.

Recém-nascido
© istockphoto.com / Michal Koziarski
Recém-nascidos com icterícia são tratados com luz colorida para diminuir os níveis de bilirrubina, o pigmento amarelo da bile que causa o problema. Se não for tratada, a icterícia severa pode levar à lesão cerebral.

As lesões ao nascimento também respondem por alguns casos. Se o parto é prolongado e o bebê fica "preso" no canal vaginal, ou se há a necessidade de uma cesariana de emergência, os bebês apresentam um risco mais alto de lesão no cérebro, que pode levar à paralisia cerebral. O mesmo acontece com a apresentação pélvica, o cordão deslocado (quando o cordão umbilical fica sob o bebê no canal vaginal) ou com a utilização de fórceps.

Cerca da metade das crianças com paralisia cerebral nasceu de parto prematuro (menos de 37 semanas) e com peso inferior a 1,5 kg. Esses bebês são suscetíveis a várias complicações e infecções que podem causar paralisia cerebral. Uma delas é a hemorragia intraventricular (HIV) - ou sangramento no cérebro - que ser for grave o suficiente para causar inchaço, a pressão no cérebro pode levar a lesões. Bebês prematuros também podem ter lesões cerebrais devido a problemas respiratórios - que impedem que o cérebro receba quantidade suficiente de oxigênio - e à baixa circulação sanguínea em geral.

Mas não são só os bebês que correm risco. Crianças maiores também podem ter paralisia cerebral se:

  • houver uma lesão física na cabeça, como batê-la depois de uma queda de bicicleta;
  • se afogarem ou se engasgarem com brinquedos ou alimentos (que pode interromper o suprimento de oxigênio do cérebro);
  • forem vítimas de uma forma de violência infantil conhecida como síndrome do bebê sacudido;
  • houver infecções cerebrais graves como meningite.

A seguir, veremos os quatro principais tipos de paralisia cerebral.