Superdegustadores

Geralmente, é ótimo ter sentidos aguçados, como visão 20/20 ou audição aguda. Mas um sentido aguçado do paladar, por mais delicioso que possa parecer, realmente não tem graça. Os superprovadores são pessoas com dois (ou, às vezes, apenas um) alelos dominantes para o gene TAS2R28. E, embora possam perceber melhor os variados sabores dos alimentos do que os não-provadores, eles geralmente acham os alimentos comuns muito amargos, doces ou apimentados.

superpaladar do vinhoJustin Sullivan/Getty Images
Os superprovadores nem sempre são bons
críticos de vinho ou comida. Seu sentido do paladar
normalmente se difere drasticamente do da população em geral.

Na década de 30, um cientista da DuPont descobriu que as pessoas tinham graus variados de sensibilidade à FTC química (feniltiocarbamida). Para algumas, a FTC tem um gosto amargo, mas para uma minoria, é insípida. Devido a preocupações com a segurança da FTC, os cientistas começaram a estudar as reações das pessoas ao PROP (6-n-propiltiouracil), um composto sintético usado em medicamentos para a tireóide. Para os não-provadores, o PROP não tinha gosto; para os provadores, era desagradável; e para os superprovadores, o PROP tinha um amargor intenso.

Em 1991, Linda Bartoshuk, até então na Escola de Medicina de Yale, deu o nome de "superprovadores" às pessoas com sensibilidade aguda ao PROP, e percebeu que elas tinham uma camada mais densa de papilas fungiformes do que os não-provadores. Ela associou o número de células receptoras gustativas ao superpaladar.

Para os superprovadores, o café, a cerveja com lúpulo e verduras como a couve de Bruxelas podem parecer muito amargos; bolo e sorvete, bastante saborosos; e pimenta, muito picante. No entanto, existem algumas vantagens na sensibilidade do superpaladar.

Beverly Tepper, uma cientista da Universidade de Rutgers, descobriu que, pelo menos entre as mulheres na faixa dos 40 anos, as superprovadoras eram 20% mais magras que as não-provadoras. Com sua sensibilidade aguçada ao açúcar e às gorduras do leite, os superprovadores são menos prováveis de quererem alimentos de pouca qualidade. De fato, eles comem menos - mas, infelizmente, restringem as verduras. Tepper não viu correlação entre paladar e peso nos homens [fonte: Flaherty (em inglês)].

Com tais associações impressionantes entre paladar e massa corpórea, os cientistas estão ansiosos para estudarem os receptores gustativos como um possível fator da obesidade. Contudo, como o sabor é mais do que o paladar, o paladar é mais do que um impulso genético. As preferências e os hábitos alimentares das pessoas se baseiam no que elas comeram durante o crescimento e no que suas mães comeram durante a gravidez.

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