Mais de 3,5 milhões de pistolas, revólveres, espingardas e rifles foram produzidos nos Estados Unidos em 2005 [fonte: U.S. Department of Alcohol, Tobacco, Firearms and Explosives]. No ano seguinte, armas de fogo foram utilizadas em 10.177 homicídios no país [fonte: FBI]. E uma pesquisa suíça (em inglês) constatou que, em 2007, os Estados Unidos dispunham de 90 armas para cada 100 pessoas. A Índia, o segundo mais armado entre os países do planeta, tinha 45 milhões de armas. Excluídos os Estados Unidos, a média mundial é uma arma para cada 10 habitantes. Incluídos os Estados Unidos, a relação sobe a sete para 10 [fonte: Reuters]. Um dos maiores fabricantes de armas de pequeno porte do mundo, no Brasil são fabricadas 2,3 milhões de armas anualmente, mas a quase totalidade é destinada para exportação. Entretanto, estima-se que existam 17 milhões de armas no Brasil, a maioria delas sem registro e compradas ilegalmente. Isso se traduz, anualmente, em cerca de 40.000 homicídios provocados por armas de fogo, um número quatro vezes mais alto que nos EUA. Em mortos por armas de fogo em grupos de 100.000 habitantes, o Brasil só perde para a Venezuela, a primeira no ranking, com 30,34 mortos por 100.000 habitantes.
![]() Katja Heinemann/Aurora/Getty Images Os EUA são o país mais armado do planeta, com 90 armas para cada 100 pessoas. Veja mais imagens de armas (em inglês). |
Ed Sizemore, especialista em armas de fogo no Centro Federal de Treinamento Policial dos EUA, diz que, para o transeunte inocente, uma retirada é a melhor idéia. Caso isso não seja possível, afirma Sizemore, o ideal é procurar proteção. É boa idéia se posicionar por trás de um objeto capaz de absorver a força dos disparos. Cair ao chão também é viável, porque isso reduz a área exposta ao atirador.
Em 1822, o canadense Alexis St. Martin foi vítima de um disparo acidental a curta distância que o atingiu logo abaixo da porção esquerda do peito. A bala de mosquete removeu parte da carne na porção esquerda de seu corpo, expondo ossos, tecidos e órgãos. O estômago de St. Martin ficou exposto e sofreu uma perfuração, e o médico que o estava atendendo, o Dr. William Beaumont, concluiu que St. Martin não demoraria a morrer. Ele sobreviveu por mais 66 anos, ainda que sua ferida jamais se fechasse. O Dr. Beaumont usou o estômago exposto e a perfuração no órgão de St. Martin a fim de extrair comida digerida e examinar as funções do estômago, que eram conhecidas apenas em teoria até o afortunado (em termos educacionais) acidente do canadense [fonte: University of Houston]. |
Sizemore diz aos alunos de seu curso de polícia que voltem seus corpos na direção da ameaça. A maior parte dos atiradores tende a mirar no alvo mais fácil - o torso. Já que os policiais empregam blindagem corporal, seus corpos estão mais cobertos pela frente e pelas costas. Sizemore faz questão de acrescentar que não recomendaria a mesma postura a um civil.
Na opinião de Sizemore, não existe um lugar melhor no corpo para levar um tiro. A balística - o estudo de projéteis, como as balas de armas de fogo - tem muitos componentes de pura sorte. "Pessoas levam tiros em áreas vitais e sobrevivem, e outras são atingidas em áreas não tanto e morrem", afirma. Mas ele acredita que o lugar mais doloroso para levar um tiro seria a pélvis. Os feixes de nervos lá localizados distribuiriam a dor de maneira rápida e eficiente por todo o corpo. Ele também consegue pensar em um lugar ainda pior, em termos médicos: "O cérebro. Corações podem ser reparados. Existem corações artificiais. Mas até onde sei não existe um cérebro artificial".
Mas o cérebro não representa necessariamente o lugar mais letal para receber um tiro. De 1982 a 1993, 66% dos pacientes tratados no Hospital do Condado de Cook, em Chicago, por ferimentos a bala na cabeça sobreviveram aos disparos.
Mas se você tiver mesmo que escolher onde levar um tiro - digamos que a convite de um agiota furioso, qual deveria ser sua escolha? Leia a próxima página para descobrir.