Ser saudável na escola

Lanches, salgadinhos, um refrigerante rápido entre as aulas e mesmo um bolinho ou rosquinha logo pela manhã antes de sua primeira aula pode ser compreensível, mas não têm nada de saudável.

Não é segredo que é muito mais fácil comer refeições rápidas na escola do que comer de modo saudável. O que pode ser surpreendente é que existe uma razão bem específica para isso. Nos Estados Unidos, muitos programas de alimentação das escolas são auto-sustentáveis e precisam fazer dinheiro para se manter no negócio. De acordo com o Institute of Medicine of the National Academies, 71,9% de todas as escolas de segundo grau têm contrato com companhias de refrigerantes para vendê-los. Dessas, 91,7% das escolas ficam com uma parte do dinheiro que elas geram por meio das vendas. Quanto mais refrigerantes você bebe, mas dinheiro a escola arrecada. E isto não se limita às escolas secundárias. Mais de 50% das escolas de ensino médio e mesmo 38,2% das escolas de ensino fundamental têm acordos similares com as companhias de refrigerantes. Muitas escolas também obtêm lucro permitindo a entrada de companhias de refeição rápida ou de guloseimas para promover seus produtos no campus e em propagandas. Elas podem inclusive patrocinar eventos escolares.

Se isto não é o bastante, cada vez mais escolas nos Estados Unidos estão eliminando a educação física da escola. Tempo e recursos que foram usados para serem gastos em educação física estão agora sendo levados a se adaptarem aos rígidos padrões do No Child Left Behind Act. Isto vêm em tempo quando a National Association for Sports and Physical Education aumentou a quantidade recomendada para atividades físicas para crianças com idade entre 5 e 12 anos de 30 minutos para pelo menos 60 minutos por dia.

Gráfico mostrando a percentagem de escolas que requerem educação física na grade escolar

O CDC verificou que, em 2003, somente 55,7% dos estudantes das escolas secundárias se matricularam nas aulas de educação física. Desses, a maioria dos estudantes eram das séries mais avançadas, normalmente mais propensas a não se envolverem com a atividade física. Para promover mais atividades físicas, o CDC desenvolveu o Guia de programas para a escola e a comunidade para promover atividades físicas para vida longa com pessoas jovens, que recomenda educação física diária para todos os estudantes de escolas secundárias. Contudo, esses estudantes mostraram que somente 5,8% das escolas secundárias exigem educação física diária para todos os estudantes ao longo do ano. No Brasil, os estudantes não têm opção de escolher entre fazer ou não Educação Física.

Mas não existem somente más notícias. As pessoas estão reconhecendo o problema e tentando fazer alguma coisa sobre isso. A USDA se associou com uma coalizão de cinco associações médicas para manter a bola em jogo. Intitulada "Prescrições para a mudança: dez chaves para promover a alimentação saudável nas escolas" a coalizão propõe o seguinte:

  • estudantes, pais, equipe de serviço de alimentação, educadores e líderes comunitários estarão envolvidos assessorando o ambiente de alimentação das escolas, desenvolvendo uma visão compartilhada e uma ação planejada para obter êxito;
  • recursos adequados serão providos por fontes federais, estaduais e locais para garantir que todo o ambiente escolar suporte o desenvolvimento de parâmetros de alimentação saudável;
  • a educação nutricional focada no comportamento será integrada no currículos escolares desde a pré-escola ao fim do segundo grau. A equipe que for responsável pela educação nutricional terá treinamento apropriado;
  • as refeições escolares irão conhecer os padrões de nutrição da USDA assim como proporcionar escolhas suficientes, incluindo novos alimentos e comidas preparadas de novas maneiras, para agradar as preferências do paladar de diversas populações de estudantes;
  • todos os estudantes terão períodos de lanche designados que sejam suficientes para aproveitar a alimentação saudável com os amigos. Esses períodos de lanche serão organizados o mais perto possível do meio do dia escolar;
  • as escolas irão prover áreas suficientes para assegurar aos estudantes o acesso às refeições com mínimo de tempo possível;
  • espaços que sejam adequados para acomodar todos os estudantes, e ambientes agradáveis que reflitam o valor dos aspectos sociais da alimentação serão providenciados;
  • estudantes, professores e voluntários da comunidade que pratiquem a alimentação saudável serão encorajados a servirem como modelos nas áreas de alimentação das escolas;
  • se os alimentos são vendidos de acordo com as refeições da National School Lunch Program, eles estarão contemplando os cinco maiores grupos de alimentos da Pirâmide de alimentos. Esta prática reforçará os padrões da alimentação saudável;
  • as decisões visando a venda de alimentos de acordo com as refeições do National School Lunch Program serão baseadas em metas de nutrição, não visando lucros.

Em abril de 2007, a indústria de salgadinhos dos Estados Unidos anunciou seu apoio ao novo guia nutricional voluntário criado pela Alliance for a Healthier Generation planejada para controlar a qualidade nutricional dos produtos vendidos nas escolas. Companhias incluindo Kraft, Mars, PepsiCo e Dannon se comprometeram a reformular certos produtos e introduzir linhas de salgadinhos saudáveis para as crianças.

Esses guias, desenvolvidos com o apoio de especialistas da American Heart Association, inclui salgadinhos, sobremesas e outros itens vendidos nas escolas através das máquinas automáticas, quiosques e vendinhas escolares e assim por diante. Eles garantem que os produtos não tenham mais do que 35% de calorias de gordura total e 10% de calorias de gordura saturada. Indo além, os produtos não podem conter mais do que 35% de açúcar por peso e não podem ter mais do que 230 miligramas de sódio. E a gordura transgênica não é mais permitida.

Esse novo guia chega logo após o pacto da Alliance for a Healthier Generation's, de maio e 2006, com os líderes da indústria de bebidas para vender somente água, sucos sem açúcar e leite com pouca ou nenhuma gordura nas escolas de educação infantil e ensino fundamental.

Isso tudo é um grande passo na direção certa, mas não espere pela sua escola para mudar de direção. Você é o responsável pela sua própria nutrição. Faça suas próprias escolhas saudáveis na escola e você estará fazendo escolhas saudáveis para a vida

Para mais informações sobre obesidade infantil, confira os links na seção seguinte.

As informações dadas aqui não devem ser utilizadas durante nenhuma emergência ou para diagnóstico ou tratamento de nenhuma condição médica, possuem somente fins informativos. Um médico deve ser consultado para diagnóstico e tratamento de toda e qualquer condição. Ligue para 192 para todas as emergências médicas.