O que é a Febre Q

Inicialmente descoberta na Austrália, em 1935, pelo então diretor do Laboratório de Microbiologia e Patologia do Departamento de Saúde de Queensland, Edward Holbrook Derrick, a Febre Q ganhou o nome por ter sua origem desconhecida. Foi chamada pelo cientista de Query Fever. Febre interrogação, em uma tradução livre. Mesmo depois de se descobrir que a causa da doença é a bactéria coxiella burnetti, o nome Febre Q foi mantido. E ela não se limitou ao território australiano. Espalhou-se mundialmente, causou surtos na Europa e já teve casos registrados no Brasil.


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Todavia, o número oficial de ocorrências em território brasileiro é desconhecido, uma vez que o país não exige que a doença seja notificada oficialmente como ocorre, por exemplo, em Portugal, onde a Febre Q foi reconhecida pela primeira vez em 1948 com 20 casos relatados. No Brasil, os primeiros casos registrados datam de 2013, embora desde 2010 houvesse suspeita de que a bactéria já tivesse feito morada em alguns estados.

Basta uma bactéria para que contaminação aconteça

A doença é considerada altamente contagiosa, pois uma única bactéria ingerida pelo ser humano é capaz de causar a contaminação. Ela é bastante comum em países como Estados Unidos, França, Holanda e Portugal. Mas sua presença também já foi documentada no Canadá, Chipre, Hungria, Japão, Suíça e Alemanha. Embora exista tratamento, a Febre Q pode levar à morte.

A coxiella burnetti tem como habitat natural animais como ovelhas, cabras ou vacas. Entre os bichos, a transmissão se dá por picadas de insetos. Porém, para os seres humanos, o contágio é feito de maneira diferente.

A transmissão para humanos acontece através da inalação de partículas contaminadas com a bactéria. Elas podem estar no leite, nas fezes, no muco vaginal, na placenta, na urina ou no sêmen dos animais. A coxiella burnetti é muito resistente ao calor e a grande parte dos desinfetantes. Ela permanece viva por longos períodos no ambiente.


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No solo, a bactéria pode sobreviver por quatro meses. Nas fezes, por 36 meses. No leite em pó, por 42 meses. Na lã, por nove meses. Em temperatura abaixo de 20 graus centígrados, o período de sobrevivência chega a 36 meses.

Inalar a poeira de currais pode ser o suficiente para provocar a contaminação ou mesmo respirar o ar com a bactéria carregada através do vento. Mas essa não é a única maneira de transmissão. Picadas de carrapato também podem fazer o trabalho de transmissão assim como a ingestão de leite e derivados não pasteurizados. Raramente o contágio ocorre de pessoa para pessoa.

Homens são mais afetados pela condição

De acordo com pesquisa realizada em Portugal, os homens são mais afetados pela doença, especialmente os que estão em idade entre 30 e 50 anos. Dos casos registrados entre 1974 e 1987, 94% atingiram a população masculina. Naturalmente, são mais atingidas pela bactéria as pessoas que têm contato com animais como criadores de gado, trabalhadores rurais e veterinários, por exemplo.


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Depois da contaminação, a doença surge após duas ou três semanas. Os principais sintomas apresentados são

* febre alta, que pode chegar até 40,5 graus

* fortes dores de cabeça

* fadiga

* tosse

* náuseas

* diarreia

* perda de apetite

* dores musculares

Diagnóstico é feito com exames laboratoriais e de imagem

Por serem sintomas comuns a muitas doenças, o diagnóstico da Febre Q não é dos mais fáceis de ser realizado. Um exame laboratorial de sangue deve ser pedido com alguns testes adicionais para verificar se existem anticorpos ao antigênio do coxiella burnetti e também se há alguma evidência de danos no fígado.

Além disso, o médico pode solicitar um raio-X no tórax. Uma das evoluções mais comuns da doença é a pneumonia e esse exame deve ser utilizado para checar se os pulmões foram afetados.

O coração é outra região frequentemente atingida pela bactéria. Por isso, é possível também recorrer a um eco-cardiograma em caso de suspeita de Febre Q para verificar se as válvulas cardíacas estão funcionando perfeitamente ou foram atacadas pela coxiella burnetti.

Intensidade dos sintomas determina forma do tratamento

A forma de tratar a Febre Q vai ser determinada pela gravidade e a intensidade dos sintomas. Os casos mais leves são até mesmo assintomáticos e sequer precisam ser tratados. O próprio organismo resolve sozinho o problema em cerca de duas semanas.

Porém, entre as pessoas contaminadas, de 30 a 50% desenvolvem um quadro de pneumonia e, destas, a maioria tem hepatite. Como a Febre Q é difícil de ser diagnosticada, os pacientes com estas condições acabam recebendo tratamento para estas doenças e se recuperam se livrando indiretamente da mal que iniciou seu problema. O índice de morte por causa da doença causada pela coxiella burnetti fica em torno de 1 a 2%.

Para combater a bactéria, é preciso usar antibióticos como as tetraciclinas por um período de dez dias. Geralmente isso é suficiente para eliminá-las do organismo. Porém, em casos crônicos, é preciso fazer o uso prolongado da medicação por período que podem chegar a dois anos.

Vacina foi desenvolvida, mas é comercialmente inviável

Embora a vacina contra a Febre Q tenha sido desenvolvida, ela não chegou a ser disponibilizada para venda uma vez que nenhum laboratório a considerou viável comercialmente. Diante disso, a única maneira de evitar a doença é tomar medidas de prevenção como evitar o consumo de derivados de leite não pasteurizado.