Críticas à lobotomia

Em 1950, foi sintetizado um medicamento chamado clorpromazina (vendido como Torazina). Isso marcou o início do fim da lobotomia como tratamento para doenças mentais nos Estados Unidos. A Torazina foi o primeiro de uma série de medicamentos antipsicóticos, e alguns médicos o prescreviam como o maior avanço no tratamento da esquizofrenia - semelhante à descoberta da penicilina para o tratamento de doenças infecciosas.

Sempre houve críticas à lobotomia, mas a preocupação cresceu com sua popularidade. Um editorial em uma edição de 1941 da Revista da Associação Médica Americana dizia: "Nenhum médico pode afirmar se esse procedimento realmente vale ou não à pena. A decisão final deve aguardar a produção de outras evidências científicas". [fonte: Diefenbach]. Apesar disso, o Comitê Nobel escolheu o Dr. Moniz, indicado pelo Dr. Freeman, para o Prêmio Nobel em fisiologia ou medicina, em 1949. Entretanto, embora as publicações populares contivessem histórias da precisão cirúrgica de Freeman e da recuperação milagrosa dos pacientes, a comunidade médica e científica discutiu a natureza grosseira da operação e questionou se ela realmente poderia ser comprovada como eficaz.

Médica examina uma tomografia computadorizada do cérebro de um paciente.
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Médica examina uma tomografia computadorizada do cérebro de um paciente

Finalmente, essa negatividade espalhou-se por toda a imprensa. Depois que a URSS proibiu as lobotomias em 1953, um artigo do New York Times mencionou o psiquiatra soviético Dr. Nicolai Oseresky ao dizer, durante uma reunião da Federação Mundial de Saúde Mental, que as lobotomias "violam os princípios da humanidade" e transformam "uma pessoa insana" em "um idiota". [fonte: Laurence]. O artigo também afirmava que os principais psiquiatras norte-americanos e europeus presentes estavam inclinados a concordar. Nunca houve uma base científica estabelecida para a lobotomia, e a maioria dos psiquiatras não fazia um acompanhamento prolongado dos pacientes para avaliar sua eficácia.

Algumas críticas estavam relacionadas aos critérios descontraídos da lobotomia. Ela era feita em criminosos, em alguns casos contra sua própria vontade, na tentativa de "curá-los" de seu desejo de cometer crimes. Alguns veteranos da Segunda Guerra Mundial com fadiga de combate foram lobotomizados de modo que pudessem dar lugar nos hospitais. Quando os pacientes não podiam autorizar a operação, seus familiares o faziam, embora, às vezes, fosse mais por interesse em se livrar do problema do que realmente ajudar a pessoa. À medida que outras histórias de abuso e resultados desastrosos tornaram-se públicos, e o uso de medicamentos antipsicóticos, difundido, a lobotomia foi esquecida.

Freeman continuou a realizar lobotomias até 1967, quando foi proibido de operar depois que a última paciente (em sua terceira lobotomia - Dr. Freeman acreditava que deveria ficar tentando até dar certo) morreu de hemorragia cerebral. Ele continuou visitando seus antigos pacientes e apregoando o sucesso da lobotomia até falecer de câncer em 1972.

Embora a lobotomia tivesse sido proibida em vários países (incluindo Portugal de Moniz), hoje ela ainda é realizada em quantidade limitada em diversos países. Geralmente, é usada para tratar a epilepsia. Hoje conhecidas como NDM (neurocirurgia para distúrbios mentais), as lobotomias são realizadas em dois hospitais na Grã-Bretanha como último recurso para tratar o transtorno obsessivo compulsivo e a depressão grave. Aqueles que as defendem ainda acreditam que podem ser benéficas quando todos os demais tratamentos não funcionaram.

Alguns médicos nos Estados Unidos têm interesse em reviver a psicocirurgia - ou a cirurgia psiquiátrica, como alguns preferem chamá-la. Em 1997, uma equipe de neurocirurgiões de Harvard publicou um relatório sobre o uso da ressonância magnética para orientar os médicos na realização das cingulotomias para tratar as doenças mentais. Uma cingulotomia envolve a queima de pequenos orifícios no giro cingulado, uma área do cérebro que liga os lobos frontais à região límbica, envolvida no comportamento emocional. Embora haja algumas evidências de que ela possa funcionar, o neurocirurgião Dr. Frank Vertosek aponta os problemas inerentes em qualquer tipo de psicocirurgia. Ele também afirma que a maioria dos portadores de doença mental responderá bem a medicamentos e outras terapias, deixando poucos candidatos para a cirurgia, mesmo que ela se torne amplamente mais aceitável.

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