O córtex pré-frontal atende várias funções complexas no cérebro, geralmente chamadas de funções executivas (tomada de decisões importantes e planejamento, raciocínio e compreensão, expressão de personalidade, criatividade e comportamento de uma forma socialmente aceitável se encaixam nessa categoria). O córtex pré-frontal é ligado a muitas outras regiões do cérebro, incluindo o tálamo, que recebe e retransmite os sinais sensoriais.
O cérebro é essencialmente composto de dois tipos diferentes de massa: cinzenta e branca. A massa cinzenta inclui os neurônios, ou células cerebrais, ao longo dos vasos sangüíneos e extensões. A massa branca compreende os axônios, ou fibras nervosas, que ligam as áreas da massa cinzenta e conduzem as mensagens entre eles através de impulsos elétricos. Então, uma lobotomia era feita para separar a massa branca entre as diferentes áreas da massa cinzenta. (Outro nome para lobotomia, leucotomia, significa "cortar o branco", em grego.)
As primeiras lobotomias foram feitas em 1935 pelos neurologistas portugueses Dr. Antonio Egas Moniz e Dr. Almeida Lima. Inicialmente, eles abriam orifícios no crânio nos dois lados do córtex pré-frontal e injetavam álcool nas fibras conectivas para destruí-las. Entretanto, esse procedimento resultou em muitas complicações, como lesão em outras partes do cérebro. Moniz, então, decidiu utilizar uma ferramenta chamada leucótomo. Depois que fazia orifícios no crânio, o médico pressionava a parte traseira da ferramenta, que estendia um arame ou anel metálico. Prolongando e, depois, retraindo o leucótomo, ele conseguia remover o centro da massa branca.
Em 1936, o neurologista e psiquiatra Dr. Walter Freeman, e seu parceiro, Dr. James Watts, começaram a realizar lobotomias nos Estados Unidos. Dez anos depois, Freeman aperfeiçoou um novo método. A técnica de Moniz, chamada lobotomia pré-frontal, exigia que o paciente tomasse anestesia geral em uma sala de cirurgia. Freeman queria descobrir uma técnica que fosse mais rápida, acessível e barata, então, decidiu chegar ao córtex pré-frontal através da cavidade ocular.
Freeman praticou primeiro em cadáveres usando um picador de gelo, o que fez o método ficar conhecido como "lobotomia com picador de gelo". Quando passou a realizar a lobotomia transorbital em pacientes, ele usou uma versão mais pesada de um leucótomo semelhante a um picador de gelo, chamado orbitoclast. Após atravessar logo acima da cavidade ocular, Freeman conseguia ter acesso ao cérebro apenas batendo de leve no orbitoclast com um martelo para perfurar a fina camada de osso. Então, ele o girava para romper as fibras. Após retirar o orbitoclast, repetia o procedimento do outro lado. A lobotomia transorbital levava 10 minutos ou menos.
Como não precisava perfurar o crânio, o paciente podia ficar inconsciente através de choque eletro convulsivo. Além disso, podia ser realizada por não-cirurgiões. Como a maioria dos hospitais psiquiátricos não possuía salas de cirurgia nem cirurgiões, esse novo método facilitou ainda mais para o paciente se submeter ao procedimento. Finalmente, Freeman realizava as lobotomias como procedimentos ambulatoriais em seu consultório e em manicômios, além de ensinar outros médicos a executá-las.
Então, até que ponto as lobotomias tiveram sucesso? Tudo depende da pessoa para quem você pergunta. A seguir, veremos os diferentes resultados de pacientes que se submeteram à lobotomia ao longo dos anos.