Em virtude das atitudes violentas do paciente, a enfermeira-chefe o colocou em uma ala especial para pacientes considerados "perturbados". Ele foi então submetido a uma lobotomia - cirurgia em que as ligações entre os lobos frontais e o resto do cérebro são cortadas. O procedimento deixou-o em estado vegetativo. Quando ele retorna à ala, outro paciente, Chief, comenta que "não há expressão nenhuma no rosto dele. Como aqueles manequins de loja".
![]() © istockphoto.com / Nancy Louie Estudantes de medicina examinam cérebro |
Essa cena, do filme inspirado no livro "Um Estranho no Ninho", foi a primeira vez em que muitas pessoas ouviram falar em lobotomia. Para algumas, ainda é a primeira coisa que vem à mente: uma cirurgia no cérebro que faz um paciente violento e desobediente ficar calmo ou até completamente indiferente. No final da década de 50, quando Ken Kesey escreveu o livro, a lobotomia era usada para tratar muitos tipos diferentes de doenças mentais, como ansiedade, depressão e esquizofrenia. O procedimento também era realizado em pessoas consideradas extremamente emotivas, difíceis de lidar ou simplesmente "mal-humoradas".
Com a ampla variedade de medicamentos e outros tipos de terapias disponíveis atualmente para tratar doenças mentais graves, fica difícil imaginar que os médicos um dia pensaram que uma operação drástica dessas fosse caminho para a cura. Como veremos nesse artigo, nem sempre era uma melhora. Vamos começar analisando o que acontece exatamente na lobotomia.