Introdução a Como funciona a lobotomia

É noite em um hospital psiquiátrico no Oregon, e a enfermeira-chefe briga com um paciente desobediente. Entretanto, o paciente violento, na verdade, não é doente mental; ele é McMurphy, que fingiu estar louco para que pudesse acabar de cumprir sua pena em um manicômio, em vez de uma penitenciária. Ele causou uma série de problemas no hospital incentivando os demais pacientes a se revoltarem contra os abusos da enfermeira-chefe. McMurphy, no fim, tentou estrangulá-la porque ela foi responsável, em parte, pela morte de outro paciente.

Em virtude das atitudes violentas do paciente, a enfermeira-chefe o colocou em uma ala especial para pacientes considerados "perturbados". Ele foi então submetido a uma lobotomia - cirurgia em que as ligações entre os lobos frontais e o resto do cérebro são cortadas. O procedimento deixou-o em estado vegetativo. Quando ele retorna à ala, outro paciente, Chief, comenta que "não há expressão nenhuma no rosto dele. Como aqueles manequins de loja".

Estudantes de medicina examinam cérebro.
© istockphoto.com / Nancy Louie
Estudantes de medicina examinam cérebro
 

Essa cena, do filme inspirado no livro "Um Estranho no Ninho", foi a primeira vez em que muitas pessoas ouviram falar em lobotomia. Para algumas, ainda é a primeira coisa que vem à mente: uma cirurgia no cérebro que faz um paciente violento e desobediente ficar calmo ou até completamente indiferente. No final da década de 50, quando Ken Kesey escreveu o livro, a lobotomia era usada para tratar muitos tipos diferentes de doenças mentais, como ansiedade, depressão e esquizofrenia. O procedimento também era realizado em pessoas consideradas extremamente emotivas, difíceis de lidar ou simplesmente "mal-humoradas".

Com a ampla variedade de medicamentos e outros tipos de terapias disponíveis atualmente para tratar doenças mentais graves, fica difícil imaginar que os médicos um dia pensaram que uma operação drástica dessas fosse caminho para a cura. Como veremos nesse artigo, nem sempre era uma melhora. Vamos começar analisando o que acontece exatamente na lobotomia.