Como funciona o MRSA

Autor: 
Josh Clark

MRSA

Como se você já não tivesse coisas suficientes para se preocupar, agora também tem o superbug. Não, não é um inseto gigante planejando dominar o mundo. O superbug é uma bactéria que tem um nome conhecido: estafilococo. Embora esse pequeno invasor não tenha patas de 3 metros como um bicho gigante, também é fatal. O pior é que, embora possamos derrotar um bicho gigante com projéteis ou mísseis rockets (em inglês), o superbug se torna mais difícil de matar com o passar do tempo.

Também está ficando mais fácil para a bactéria nos matar. Em 2005, 19 mil pessoas morreram de infecções por MRSA nos Estados Unidos (em inglês), e em média 6,3 de cada 100 mil infecções resultaram em morte. Esse número é maior do que o de mortes por complicações da AIDS no mesmo ano. No Reino Unido (em inglês), os casos de MRSA aumentaram de 210, em 1993, para 5.300 em 2002.

Essa bactéria microscópica MRSA (é exibida a MRSA associada à comunidade) foi responsável por mais mortes do que a AIDS no ano de 2006.
Foto cedida por Rocky Mountain Laboratories/National Institutes of Allergy and Infectious Diseases
A bactéria microscópica MRSA foi responsável por mais mortes do que a AIDS no ano de 2006

O estafilococo áureo resistente à meticilina, ou MRSA (o superbug), foi detectado pela primeira vez por médicos na década de 70. O setor de saúde ficou de olho nele, mas descobriu que ele podia ser morto por um turno ou dois de antibióticos tradicionais. Porém, as coisas mudaram. Por causa de receitas que não foram seguidas corretamente e da presença de antibióticos na comida e na água, o estafilococo sofreu mutação e evoluiu, transformando-se no superbug. Devido à sobrevivência dos mais aptos, essas cepas que superaram o ataque de antibióticos começaram a se replicar. Essa seleção natural levou a cepas de estafilococos que são resistentes a esses anticorpos.

A seleção natural é um processo de evolução pelo qual membros de uma espécie que superam uma catástrofe são considerados como possuidores de características que auxiliam sua sobrevivência. Pela sobrevivência desses membros, essas características, tais como a resistência a uma doença, passam de geração a geração. Esse é o motivo pelo qual o ser humano tem um polegar invertido: conforme os símios foram se tornando geneticamente diferentes dos macacos do Velho Mundo, que viveram de 6 a 8 milhões de anos atrás, um dos resultados foi o polegar invertido. Como o polegar mostrou ser uma característica prática, desenvolveu-se com a família dos primatas, que inclui os humanos. Os resultados são o mundo dominado por humanos em que vivemos atualmente, graças, em parte, aos polegares invertidos.

O processo da seleção natural pode levar dezenas (e em alguns casos, centenas) de milhares de anos para ocorrer nos humanos. Mas esse não é o caso do MRSA e de alguns outros microorganismos. Segundo a Clínica Mayo, o MRSA e outras bactérias "vivem numa faixa evolucionária de alta velocidade". Em vez de levar milhares de anos para atingir o desenvolvimento atual de cepas letais, o MRSA evoluiu e se alastrou simplesmente em décadas. Em 1974, as infecções por MRSA representavam 2% das infecções por estafilococos. Em 2004, a MRSA representava 63%. O pior é que essa bactéria demonstrou ser fatal em alguns casos, principalmente quando o paciente não recebe tratamento.

Um dos motivos disso é a resistência dessa bactéria a antibióticos, que se desenvolve rapidamente. Como o nome implica, já é há algum tempo resistente à meticilina, antibiótico produzido a partir da penicilina. Mas também está demonstrando resistência a outros antibióticos e isso preocupa alguns médicos. O MRSA também pode ser facilmente transferido de pessoa para pessoa, e dois tipos de bactérias já se desenvolveram com base no ambiente no qual ocorre a infecção.

Então, o que é exatamente esse superbug, e como se pode combatê-lo? Neste artigo, abrangeremos o MRSA, e o que, se existir algo, podemos fazer para derrotá-lo.