Pode-se dizer que essa é uma busca constante e eterna de seres humanos imperfeitos em todos os lugares. A imortalidade é uma obsessão que deve ser levada em conta, não importa se você a considera inútil, arrepiante ou a melhor recompensa possível. E mesmo que uma descoberta científica recente não consiga impedir a morte, ela poderia desacelerar ou até mesmo reverter o processo de envelhecimento. Uma equipe de pesquisa no Instituto de Ciência e Tecnologia da Coréia, liderada pelo Dr. Tae Kook Kim, descobriu que uma molécula sintética chamada CGK733 pode afetar a degradação das células em mamíferos.


CGK733

A CGK733 é um derivado do composto orgânico tiouréia, que é feito de carbono, nitrogênio, enxofre e hidrogênio. Normalmente, é usado na fabricação de filme fotográfico, e os cientistas o usam muito para criar moléculas sintéticas com uma composição parecida. A equipe identificou os efeitos da CGK733 quando estava metodicamente testando 20 mil moléculas diferentes para descobrir como elas afetavam o processo de envelhecimento celular. O que eles descobriram pode ser um importante avanço da medicina. A adição de CGK733 nas células faz com que elas se dividam 20 vezes mais do que o fariam sem a molécula. Isso corresponde a um tempo de vida aproximadamente 25% maior para uma célula. Então o que tudo isso realmente significa em termos de envelhecimento?

O envelhecimento das células, muitas vezes chamado de senescência, é um processo múltiplo. Quando uma célula está se decompondo e morrendo, várias coisas acontecem:

  • a célula pára de se dividir;
  • a célula envia proteínas que avisam ao corpo que ela está morrendo
  • a célula fica maior.
Quando uma célula está sofrendo de dano no DNA (e, em termos celulares, a idade avançada é uma forma de dano no DNA, já que o DNA em uma célula envelhecida está menos apto a se reparar), os marcadores de proteína que ela libera basicamente avisam ao corpo para inativá-la. De maneira bastante simplificada, o que a CGK733 faz é bloquear a recepção desses marcadores de proteína. O resultado é que a célula pode continuar vivendo, e parece não pensar mais que é muito velha para isso. Testes mostraram um verdadeiro rejuvenescimento da atividade celular, com a divisão sendo feita por bem mais tempo do que a expectativa de vida normal de uma célula envelhecida e as atividades dentro da célula voltando a funcionar em velocidade normal. Desse modo, o processo de envelhecimento parece não só ter sido desacelerado, mas também revertido.

Uma das descobertas mais promissoras relacionadas a essa "molécula antienvelhecimento" é o fato de que, quando a molécula é removida da célula, ela volta a seu processo de envelhecimento normal. Isso significa que a atividade da proteína que anuncia a morte não é desativada completamente: é apenas atrasada ou "apagada", como diz o Dr. Kim. Isso faz com que a molécula se torne um possível princípio ativo para produtos farmacêuticos, já que pode ser regulada em dosagens para diminuir a atividade da proteína em vários níveis. Embora a intervenção genética tenha sido capaz de alcançar resultados parecidos, a CGK733 é a primeira molécula conhecida que desacelera ou reverte o envelhecimento sem mexer nas cadeias de DNA.

Possíveis aplicações para a molécula, que provavelmente só entrarão em uso daqui a pelo menos 10 anos, incluem cicatrização de ferimentos, medicamentos cosméticos e geração de tecido humano para reverter danos corporais e doenças. Os cientistas ainda têm muito trabalho a fazer para assegurar que a molécula não apresente terríveis efeitos colaterais. Um dos efeitos colaterais possíveis da desativação dos mecanismos de proteína celular é o câncer.

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