Pílulas

Autor: 
Isabela Benseñor

Contraceptivos orais combinados

Os contraceptivos orais combinados, também conhecidos como pílulas combinadas, são contraceptivos à base de estrógeno e progesterona sintéticos. Este é o método contraceptivo mais utilizado no Brasil. É considerado um método reversível, já que permite que a mulher engravide após o seu uso, em contraponto à laqueadura, que é um método definitivo.

Os contraceptivos hormonais por via oral foram mudando ao longo do tempo. Os primeiros continham doses muito elevadas de estrógenos e progestágenos, com muitos efeitos colaterais. Com a evolução, a quantidade de hormônios foi diminuindo, assim como o perfil de efeitos colaterais dos hormônios utilizados. Atualmente, há quatro tipos de pílulas combinadas de  estrógeno e progesterona:  monofásicas, bifásicas, trifásicas e contínuas.

Pílula
Imagem cedida pelo Ministério da Saúde

Pílula monofásica

Nesse tipo de pílula, as doses de estrogênio e progesterona permanecem constantes durante todo o ciclo. As cartelas em geral contêm de 21 a 24 pílulas com hormônio e podem conter ou não pílulas sem hormônio para completar um ciclo de 28 dias. As pílulas sem hormônio completam a cartela, e assim quando ela acabar pode ser começada imediatamente outra cartela. Elas servem para evitar que a mulher esqueça de começar uma outra cartela depois de um breve intervalo sem pílulas.

Pilula bifásica

Nas pílulas bifásicas, a cartela apresenta comprimidos com duas composições diferentes. Os comprimidos têm cores diferentes de acordo com a dosagem de hormônios. Isso permite que seja fácil diferenciar as pílulas com duas concentrações diferentes de hormônio. As cartelas contêm 22 comprimidos.

Pílula trifásica

Nessas cartelas há pílulas com três dosagens diferentes de hormônio. Dependendo da marca, há pílulas sem hormônio para completar o ciclo de 28 dias.

Pílulas
Imagem cedida pelo Ministério da Saúde

Contínuas

As pílulas de uso contínuo são as que devem ser tomadas sem pausa e impedem a menstruação.

Minipílulas - Anticoncepcionais à base de progestágenos para uso por via oral

Conhecidaos como minipílulas, elas contêm progestágenos sintéticos em baixas doses. Agem localmente via espessamento do muco cervical, o que dificulta a passagem dos espermatozóides. O endométrio fica atrofiado, não permitindo a implantação do ovo. Indicado para mulheres que estão amamentando.

O Índice de Pearl das minipílulas durante a amamentação é de 0,5 gestações a cada 100 mulheres por ano. Por isso é um método contraceptivo muito útil para mulheres amamentando, porque não faz mal para o bebê.

O principal efeito colateral é irregularidade menstrual  (aumento ou diminuição) ou amenorréia. Também são comuns: acne, enxaqueca, dor nas mamas e náuseas (enjôo).  É contra-indicada para mulheres com câncer de mama.

Modo de usar

- Inicie o uso seis semanas após o parto. Mulheres que menstruam devem começar no quinto dia do ciclo menstrual. Quando acabar a cartela, comece uma nova sem pausa. O atraso por mais de 3 horas na tomada da minipílula aumenta o risco de gravidez indesejada. Se a mulher esquecer de tomar por um dia, assim que lembrar deve tomar um novo comprimido e usar método de barreira como, por exemplo, camisinha masculina ou feminina por dois dias.

Como age a pílula?
O mecanismo de ação básico é impedir a ovulação. Os hormônios contidos na pílula provocam um espessamento do muco cervical, que impede a passagem dos espermatozóides através do útero, alteram a migração do óvulo e modificam o endométrio, impedindo a implantação do óvulo fecundado.

Trata-se de um método eficaz considerando-se o uso habitual com Índice de Pearl (método que avalia a eficácia de um método contraceptivo) de 6 a 8 gestações para cada 100 mulheres no primeiro ano de uso. Se usado de forma correta, o risco de falha cai para 0,1 gestação a cada 100 mulheres por ano. Portanto, a eficácia é muito maior quando há um uso correto da pílula.

As pílulas apresentam muitas vantagens: não alteram a vida sexual da mulher, são tomadas através da via oral (boca), o custo não é alto e são distribuídas em todos os serviços de saúde de atenção primária. Para iniciar o uso da pílula a mulher deve tomar a primeira antes do sétimo dia do ciclo, o que faz com que essa eficácia já seja bastante alta mesmo no primeiro ciclo.

Além de evitar a gravidez, a pílula ajuda a tratar vários problemas associados à menstruação como as cólicas (dismenorréia). Em relação à quantidade de fluxo menstrual, há uma diminuição do fluxo com o uso da pílula. Por isso, ela pode ser recomendada a mulheres com anemia por falta de ferro associada ao fluxo menstrual excessivo.

Para mulheres com ciclo irregular, a pílula pode ajudar na regularização da menstruação. Muitas mulheres aderem ao uso da pílula pela melhora da qualidade de vida associada ao seu uso. Além disso há ainda uma melhora considerável da tensão pré-menstrual.

Problemas associados ao uso da pílulas

Como todo medicamento, há vários efeitos colaterais. Os principais são: ganho de peso, inchaço, náuseas (enjôo), dor nas mamas, dor de cabeça com características de enxaqueca, alterações do humor e da libido. Entretanto, esses efeitos colaterais são mais comuns nos seis primeiros meses após o início do uso, melhorando ao longo do tempo. Há efeitos colaterais raros associados ao uso da pílula, como tromboses e tumores benignos do fígado. O risco aumentado de tromboses e suas complicações como as embolias em mulheres com mais idade ou com outros fatores de risco para doença cardiovascular contra-indicam seu uso nesses casos.

A Organização Mundial da Saúde classifica os métodos anticoncepcionais de acordo com suas restrições em quatro categorias.

1 - Método usado sem restrições;
2 - Método com vantagens que superam os riscos. Há necessidade de acompanhamento cuidadoso;
3 - Os riscos do método superam os benefícios. Há necessidade de acompanhamento rigoroso. É a última escolha possível;
4 - Método que não deve ser utilizado por risco inaceitável.

São contra-indicações absolutas ao uso da pílula (categoria 4 da OMS): suspeita de gravidez ou gravidez confirmada, na vigência de amamentação; em mulheres fumantes com mais de 35 anos e/ou com histórico de doença tromboembólica (pelo elevado risco cardiovascular);  doença hepática prévia (pelo risco de tumores de fígado); antecedente de doença cardiovascular como acidente vascular cerebral ou doença coronariana; hipertensas sem controle; diabéticas sem controle; com câncer de mama, no pré-operatório de cirurgia de grande porte com imobilização prolongada pelo aumento do risco de tromboses; com história de enxaqueca (em mulheres com enxaqueca há aumento do risco de acidente vascular cerebral principalmente associado ao risco concomitante de hormônios).

Já estas situações também requerem muito cuidado: mulheres com antecedente de câncer de mama, histórico de doença cardiovascular, hipertensão pouco controlada e uso de anticonvulsivantes. Entre as situações classe 2 estão idade acima de 40 anos, fumante, antecedente familiar de doença cardiovascular ou tromboembólica e câncer de colo do útero.

É importante lembrar que o efeito dos contraceptivos orais pode diminuir na vigência do uso de outros medicamentos como:

- grupo dos antibióticos: amoxacilina, ampicilina, dapsona, doxiciclina, eritromicina, oxacilina, tetraciclinas;

- anticonvulsivantes: carbamazepina, fenitoína, fenobarbital, oxcarbazepina, primidona e topiramato.

Isso quer dizer que, na presença dos medicamentos citados, a metabolização dos hormônios da pílula fica acelerada. Como conseqüência, os níveis hormonais caem e há risco de gravidez. Por isso, ao iniciar um novo medicamento, é importante ver se há algum tipo de interação com a pílula que você está tomando.

Como usar a pílula?

O dia da menstruação é sempre considerado o primeiro dia do ciclo menstrual. A mulher deve começar a tomar o contraceptivo no primeiro dia do ciclo. Na bula de algumas pílulas pode estar marcado o uso no 5º dia do ciclo sem que haja,  por causa disso, aumento do risco de gravidez.

Quando a cartela termina, há alguns dias de descanso que variam de acordo com o número de pílulas na cartela: nas com 21 comprimidos, deve-se parar por 7 dias até completar um ciclo de 28 dias; nas cartelas com 22 pílulas, o intervalo é de seis dias; nas com 24 pílulas, há quatro dias de descanso. Em algumas cartelas, há comprimidos sem hormônios que completam os 28 dias do ciclo, para facilitar a vida de quem toma e evitar que a mulher esqueça de iniciar um novo ciclo após o descanso. Na pílula contínua, os 28 comprimidos contêm hormônios e mulher fica sem menstruar o tempo todo.

- O que fazer quando você esquece de tomar a pílula? Isso aumenta o risco de gravidez?

Sim, esquecer de tomar o contraceptivo aumenta o risco de gravidez porque cai a eficácia do medicamento. O uso correto da pílula está associado a um risco de gravidez de 0,1 gestação a cada 100 mulheres por ano, enquanto que no uso com falhas o risco de gravidez aumenta para 7 gestações a cada 100 mulheres por ano, o que corresponde a um aumento de 70 vezes.

- O que fazer se você esqueceu de tomar a pílula por alguns dias?

Para pílulas com ≥ 30 mcg de etinilestradiol:

- Esquecimento de uma ou duas pílulas: tome imediatamente uma pílula e continue a cartela;

- Esquecimento de três ou mais pílulas, ou ainda atraso superior a três dias para iniciar uma nova cartela: se isso ocorrer na terceira semana da cartela de pílula (final da cartela), comece uma nova cartela no dia seguinte sem fazer pausa; se o esquecimento for na primeira semana, procure contracepção de emergência.

Para pílulas com ≥ 20 mcg de etinilestradiol

- Esquecimento de uma pílula: tome imediatamente a pílula esquecida e continue a cartela normalmente;

- Esquecimento de duas ou mais pílulas: tome imediatamente a pílula esquecida e use o método de barreira por 7 dias.

Pílula do dia seguinte

O esquema contém duas pílulas de 750 mcg de levonorgestrel. Age em várias fases do ciclo inibindo ou atrasando a ovulação, além de atrapalhar a migração do óvulo e a fertilização. Quanto mais rápido a mulher tomar a pílula, melhor será a sua eficácia. Tomada até 24 horas após a relação de risco, previne a gravidez em 95% dos casos. Essa eficácia cai para 85% se for tomada entre 24 e 48 horas e para 58% com tomada após 24-72 horas. Após 12 horas a mulher deve tomar o segundo comprimido.Os efeitos colaterais mais comuns são náuseas, cefaléia, dor abdominal, tontura e fadiga.

Pílula do dia seguinte
AP Photo/Findlay Kember

Porém, não deve ser usada como método habitual, já que a sua eficácia é menor do que outros métodos contraceptivos. Ela pode ser usada até 72 horas após relação sexual desprotegida. Também pode ser usada por mulheres durante a amamentação.

 A menstruação pode adiantar ou atrasar. Depois de tomar a pílula do dia seguinte, a mulher deve usar outro método como, por exemplo, de barreira até a próxima menstruação. Ou seja, a proteção é somente para uma relação sexual de risco que já aconteceu. Após a menstruação, a mulher pode optar por outro método hormonal combinado.