Terapia de reposição hormonal

Autor: 
Linda Hughey Holt, M.D.

A terapia de reposição hormonal (TRH) é uma das abordagens mais polêmicas ao controle dos sintomas da menopausa. A TRH literalmente repõe os hormônios que o corpo de uma mulher deixou de produzir. Há dois tipos principais de TRH: terapia de reposição estrogênica (TRE) e terapia de associação de estrógeno/progesterona. Outros hormônios menos utilizados na TRH incluem os andrógenos, especificamente a testosterona, e a dehidroepiandrosterona (DHEA).

Alguns médicos recomendam a terapia de reposição hormonal para sintomas graves da menopausa
2006 Publications International, Ltd.
Alguns médicos recomendam a terapia
de reposição hormonal para sintomas
graves da menopausa

Os ovários são os principais produtores de estrógeno. Eles produzem pouco estrógeno durante a infância, mas na puberdade essa produção aumenta e faz as meninas desenvolverem seios e quadris mais largos, além de criar o revestimento uterino todos os meses, como forma de se preparar para a gravidez. No sistema nervoso central, o estrógeno e seu companheiro, a progesterona, ajudam a regular o humor e os ciclos de sono. Durante a menopausa, os ovários começam a se desligar - param de produzir óvulos, estrógeno e progesterona.

Alguns médicos acham que a menopausa é uma "falha dos ovários" e que o estrógeno deveria ser dado indefinidamente a quase todas as mulheres que passam pela menopausa. A maioria dos médicos, porém, pensa que a TRH deve ser usada apenas durante um curto período, para aliviar os sintomas mais graves da menopausa.

Estudos clínicos

Os médicos aprenderam muito desde que a TRH foi apresentada. Em 1940, os cientistas descobriram como criar estrógeno que pudesse ser ingerido em forma de pílulas. O primeiro estrógeno ativado por via oral foi produzido a partir da urina de éguas grávidas, e por isso o nome do produto era Premarin ("Mare" significa "égua" em Inglês). O Premarin e outras formas de estrógeno se tornaram muito populares na década de 50. Já na década de 60, apareceram relatórios afirmando que as mulheres que tomavam suplementação de estrógeno tinham um risco maior de contrair câncer do endométrio (uterino). Pesquisas adicionais revelaram que, ao balancear o estrógeno com um segundo hormônio, a progesterona ou uma "progestina" sintética, a combinação (que também é utilizada em anticoncepcionais) não causava câncer do endométrio.

Até a década de 80, a terapia de associação estrógeno/progestina era amplamente utilizada para controlar os sintomas da menopausa em mulheres que tinham útero, mas não era muito usada para tratar mulheres que passaram por histerectomia, já que não precisavam de proteção contra o câncer do endométrio. Na época, muitos pensavam que a terapia de associação poderia proteger as mulheres contra doenças do coração e Alzheimer também, mas isso nunca foi provado.

Na década de 90, o governo federal financiou testes clínicos para avaliar o quão segura era a TRH. O Women's Health Initiative (Iniciativa de Saúde de Mulher) realizou dois estudos: o estudo só com estrógeno de mulheres que passaram por histerectomia e o estudo de associação de estrógeno/progestina com mulheres que tinham útero. As conclusões de ambos os estudos mostraram que a TRH aumenta o risco de coágulos sangüíneos e derrame. O estudo realizado somente com o estrógeno não indicou aumento no risco de ataque cardíaco ou câncer colorretal e uma diminuição no risco de fraturas, mas os efeitos sobre o câncer de mama não se mostraram exatos.

O estudo da associação de estrógeno/progestina, no entanto, indicou um maior risco de ataque cardíaco e câncer de mama, além de um risco menor de câncer colorretal e fraturas. Como resultado dos estudos, a FDA (Administração de Alimentos e Drogas dos EUA) recomenda que mulheres que usam a TRH tomem a menor dose eficaz possível durante a menor quantidade de tempo possível, que os profissionais da saúde receitem produtos tópicos para os sintomas vaginais e que os medicamentos sem estrógeno tenham prioridade para o tratamento de mulheres com risco de osteoporose.

Por que uma mulher utilizaria a TRH? Porque há vários benefícios. O estrógeno ajuda a preservar a massa óssea, previne fraturas e atenua a diminuição da parede vaginal e da bexiga, além de ser eficaz no tratamento das ondas de calor. Várias mulheres também se sentem melhor durante a TRH. Dormem mais tranqüilamente, têm mais energia e sentem menos fadiga e irritabilidade. E muitas acham que sua pele parecem estar mais hidratada e menos propensa às rugas.

Cuidados adicionais

Recentemente, estão ganhando popularidade os produtos que anunciam ser "naturais" ou "bioidênticos". "Natural" é principalmente um termo de marketing comumente utilizado para descrever suplementos fitoterápicos e que não necessitam de receita, destinados a tratar os sintomas da menopausa. Já hormônios "bioidênticos" são quimicamente idênticos aos que o corpo humano produz. Não foram realizados testes clínicos de longo prazo e em larga escala para avaliar a segurança desses produtos.

Ao tomar estrógeno, a administração de progesterona protege contra o câncer do endométrio. O estrógeno, contudo, também pode ser combinado com um outro hormônio, a testosterona. Embora seja normalmente visto como um hormônio masculino, a testosterona também é, na verdade, produzida em pequenas quantidades nos ovários. Algumas mulheres percebem uma diminuição na libido e no bem-estar geral após a menopausa (e mais especialmente na menopausa cirúrgica), mas acabam percebendo que seu desejo sexual aumenta após a suplementação de testosterona. No entanto, os efeitos colaterais dela incluem pêlos faciais, perda da espessura do cabelo, acne e voz mais grave. Além disso, a maioria dos produtos disponíveis no mercado foi desenvolvida para homens. Não houve estudos de segurança de longo prazo sobre o uso da testosterona em mulheres.

Outro hormônio, o DHEA, que normalmente é produzido nas glândulas adrenais, pode ser comprado em suplementos que não precisam de receita, e alguns estudos indicam que pode aumentar a libido e o bem-estar. Como a FDA o classificou como um suplemento alimentar e não requer receita, o DHEA não é tão rigidamente controlado quando os remédios que exigem receita e, como resultado, a potência dos produtos pode variar muito. Além disso, não foram realizados estudos de segurança em longo prazo.

São comuns os efeitos da TRH: várias mulheres têm sangramentos vaginais, retenção de líquidos e perda da rigidez dos seios. Muitas culpam a TRH pelo ganho de peso da meia-idade, embora os verdadeiros culpados devam ser o envelhecimento e as taxas metabólicas mais lentas.

Reflexões a respeito do estilo de vida

O histórico pessoal e familiar ajuda a decidir se você deve ou não tomar a TRH. Veja alguns dos fatores a serem levados em consideração:

  • Histórico familiar de osteoporose: se seus ancestrais têm composição corporal e estilo de vida semelhantes aos seus e tiveram problemas com fraturas ósseas após ferimentos leves ao ficarem mais velhos, você pode ter um maior risco de perda óssea e talvez o estrógeno seja interessante em razão dos benefícios que traz para seus ossos. Pergunte a seu médico, porém, primeiro sobre os tratamentos que não usam estrógeno.

  • Histórico pessoal e familiar de câncer de mama e do endométrio: mulheres com um forte histórico familiar de tumores típicos femininos devem conversar com seus médicos antes da TRH. Os médicos provavelmente dirão que a TRH não é uma alternativa para mulheres com um histórico pessoal de câncer de mama e do endométrio, especialmente a que utiliza somente estrógeno, mas a terapia tópica ou de baixa dosagem pode ser recomendável para situações específicas.

  • Histórico familiar ou pessoal de coágulos sangüíneos: sabe-se que a TRH aumenta o risco de coágulos sangüíneos. Mulheres com histórico pessoal ou familiar de coágulos sangüíneos devem passar por uma avaliação cuidadosa antes da TRH.
  • Você é sedentária? Atividade física e exercícios ajudam a desenvolver ossos fortes. Já as mulheres sedentárias, por outro lado, correm um risco maior de osteoporose. Caso não possa ou não queira mudar de estilo de vida, os benefícios do estrógeno podem ser muitos. Mulheres deficientes, em particular, podem necessitar da TRH pelos benefícios que traz aos ossos.

  • Você fuma? As fumantes entram na menopausa vários anos antes do que as não fumantes, o que aumenta seu risco de osteoporose. Embora a TRH possa proteger contra a osteoporose, as fumantes talvez não possam fazer uso dela em razão do aumento do risco de coágulos sangüíneos.

  • Você é obesa? Mulheres obesas têm um risco maior de contrair câncer de mama e do endométrio, mas podem ter um risco menor de osteoporose.

  • Você é fanática por saúde? Caso tenha uma alimentação nutritiva e variada, faça exercícios regularmente e evite tudo que não considera "natural", pode preferir não realizar a TRH por filosofia própria. Felizmente, seu regime alimentar e de exercícios irá auxiliar na proteção contra doença cardíaca e osteoporose, mas você ainda pode receber alguns benefícios da terapia em razão da capacidade da TRH de prevenir a perda óssea.

  • Você é estressada? Muitas mulheres descobrem que as flutuações hormonais durante a perimenopausa levam a perda de sono, fadiga, variações de humor e irritabilidade, todos fatores que contribuem para o estresse. Algumas pacientes sentem uma melhora no sono e menos irritabilidade com a TRH. A TRH, contudo, não trata a depressão ou outros grandes distúrbios bioquímicos que afetam o humor. Mulheres que sofrem desses problemas devem procurar tratamento com um profissional especializado em saúde mental.

Outros problemas também podem afetar de maneira significativa sua decisão. Uma mulher muito ocupada e de vida agitada pode não conseguir lidar com o distúrbio no sono ocorrido durante a menopausa, podendo se beneficiar da TRH nesse aspecto. Algumas mulheres percebem que sua pele e cabelo estão mais cheios e com uma aparência mais "jovem" durante a TRH, ao passo que outras mulheres acham que vitaminas e um estilo de vida mais saudável atingem os mesmos resultados. O sangramento pode ser um inconveniente inaceitável da TRH para uma mulher que viaja muito. Já outras gostam do sangramento, pois o acham "normal".

Você é a única que pode juntar todos esses fatores e decidir o que é melhor para seu bem-estar. Acima de tudo, tente lembrar que a TRH não substitui outros hábitos saudáveis. O importante é decidir sobre a TRH e, ao mesmo tempo, aumentar a carga de exercícios físicos, ter uma alimentação mais saudável e parar de fumar. Uma coisa não substitui as outras. Você também tem de fazer sua parte.

E caso você ou seu médico decidam que a TRH é a melhor solução, o próximo passo é decidir que tipo de hormônio tomar. Na próxima seção, vamos lhe dar informações para poder fazer essa escolha.

Estas informações são apenas para fins ilustrativos. ELAS NÃO DEVEM SER CONSIDERADAS CONSELHOS MÉDICOS. Nem os editores do Consumer Guide (R), Publications International, Ltd., o autor ou a editora assumem responsabilidade por quaisquer conseqüências de qualquer tratamento, procedimento, exercícios, alteração de dieta, ação ou aplicação de medicamentos utilizados decorrentes da leitura ou instruções contidas neste artigo. A publicação dessas informações não constitui prática da medicina e elas não substituem o conselho de seu médico ou outro profissional da área da saúde. Antes de se submeter a qualquer tratamento, o leitor deve procurar o aconselhamento de seu médico ou outro profissional da área da saúde.

As marcas de produtos mencionadas nesta publicação são marcas registradas ou de serviço de propriedade de suas respectivas empresas. A menção a quaisquer produtos nesta publicação não constitui uma aprovação dos respectivos proprietários da Publications International, Ltd. ou da HowStuffWorks.com, nem significa uma afirmação advinda de qualquer uma dessas empresas de que seus produtos devem ser usados da maneira descrita nesta publicação.