Meningite bacteriana

Autor: 
Isabela Benseñor

A meningite bacteriana é muito mais grave do que a meningite viral. Elas se associam a uma alta letalidade (número de mortes dividido pelo número de casos da doença). Vários estudos mostram uma mortalidade em torno de 25% dos casos - e 25% de casos com seqüelas neurológicas mesmo que tenham recebido tratamento adequado.

Dos 22.106 casos confirmados de meningite bacteriana no Brasil em 2006, 2.578 (12%) morreram. A figura abaixo mostra os tipos de meningite bacteriana em São Paulo separados em meningites causadas por meningococos e por outras bactérias. As bactérias que são causa mais freqüente de meningite são os Streptococcys pneumoniae (pneumococos), Haemophilus influenzae (hemófilos) ou Neisseria meningitidis (gonococos). Os hemófilos causam meningite principalmente nas crianças, mas hoje em dia, há vacinas disponíveis na rede pública para evitar a doença. A incidência de meningite por hemófilos caiu vertiginosamente após a introdução da vacina obrigatória.

quadro da meningite bacteriana
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No Brasil, a incidência de meningite caiu a partir de 1996 com um novo pico em São Paulo em 2002. Não existem dados precisos sobre proporção de casos de meningite causada por cada tipo de bactéria porque muitas vezes a bactéria causadora acaba não sendo identificada. Geralmente, em adultos, a maior parte dos casos é causada pelo pneumococo, que também é causa freqüente de pneumonias.

Contágio

A meningite bacteriana pode acontecer quando a bactéria, a partir de um foco em alguma parte do corpo, atinge a circulação sangüínea e a partir daí o sistema nervoso central; outro modo é a partir de sinusites, infecções de ouvido atingindo o sistema nervoso central próximo aos focos. O gonococo é uma bactéria que habita a orofaringe (garganta) de algumas pessoas que passam a ser portadores da bactéria, mas não apresentam a doença. A partir dessa pessoa, a bactéria pode atingir outras pessoas e em algumas a doença se desenvolve.

Depois que as bactérias atingem o sistema nervoso central, é mais difícil para o nosso corpo eliminá-las porque a chegada dos anticorpos nas meninges é mais difícil do que em outros locais do corpo. Nas meninges, as bactérias causam uma inflamação que leva ao inchaço (edema) do cérebro.

Sintomas

Os sintomas clássicos da meningite incluem confusão mental, febre e rigidez de nuca que ocorrem em um terço de todos os pacientes com a doença. A rigidez de nuca está presente em mais de 80% dos casos e é o sinal do exame médico que mais faz pensar em meningite. A confusão mental ocorre em mais de 70%, e febre em mais de 90% dos casos. Então, pelo menos um sintoma está presente em quase 100% dos casos.

Quando o paciente com meningite chega ao hospital com pressão muito baixa (choque), convulsões (ataques) ou confusão mental muito grave, é sinal de que é uma forma grave da doença que pode apresentar letalidade alta.

Um outro grupo de bactérias pode causar meningite: os meningococos. A doença meningocócica é muito grave e o paciente pode evoluir em horas para quadros graves. Os sintomas de meningococcemia incluem petéquias e artralgias, podendo ou não ser acompanhados de meningite. Às vezes o quadro se inicia como uma gripe e em questão de horas evolui para o óbito, daí a dificuldade de tratar a doença.

Diagnóstico

A confirmação do diagnóstico é feita pelo exame do líquor. Outros exames podem auxiliar no diagnóstico, como um hemograma que apresenta aumento do número de neutrófilos, um dos tipos de leucócitos (glóbulos brancos). Também podem ser colhidas amostras de sangue que são cultivadas para identificar o tipo de bactéria que causou a doença. Esse exame recebe o nome de hemoculturas. A bactéria consegue crescer na hemocultura em mais de 70% dos casos.

No liquor colhido do paciente com meningite podem ser feitos vários exames: bacterioscópico (coloração de Gram) e cultura. No bacterioscópico faz-se um esfregaço de uma gota de sangue em uma lâmina de vidro. Esse esfregaço é corado com alguns corantes que ajudam a identificar as bactérias. O liquor também é encaminhado para cultura para ver se cresce alguma bactéria que depois possa ser identificada por meio de testes específicos. Outro exame a ser feito no liquor é a contagem do número de células que em geral aumenta muito a custa de neutrófilos. Às vezes podem ser contadas mais de 1.000 células/mm3. Outros exames que podem se feitos no liquor é dosar as proteínas que ficam elevadas na meningite e a glicose no liquor que fica baixa na meningite.

Tratamento

O tratamento da meningite bacteriana é feito com antibióticos de acordo com tipo de bactérias que causou a infecção. Veja na próxima página detalhes do tratamento da meningite bacteriana.