Meningite no Brasil

No Brasil, qualquer forma de meningite é doença de notificação compulsória, ou seja, cada vez que um médico faz o diagnóstico de meningite ele é obrigada o preencher uma ficha específica. Todas essas fichas são enviadas para as secretarias estaduais de saúde e são computados os números. É assim que pode se identificar uma epidemia de meningite. Quando o número de casos ultrapassa um limite de segurança, identifica-se a epidemia. Alguns tipos de meningite devem ser identificados rapidamente para que se faça a busca do foco da doença, evitando novos casos. Essa é uma das funções da vigilância epidemiológica que faz parte da Secretaria de Estado da Saúde.

O Brasil já passou por algumas epidemias de meningite no século 20. Nos anos de 1970 a meningite meningocócica (causada pelo meningococo, uma bactéria com 3 sorotipos – A, B e C) voltou no mundo inteiro na forma de epidemias em vários continentes: Europa (Portugal, Espanha, Reino Unido, entre outros), Ásia, África e Oceania. Em 1973, a epidemia causada por vírus A e C chegou ao Brasil com o foco principal em São Paulo, mas com casos também no Rio de Janeiro e Salvador. Os Jogos Pan-americanos de 1975 que seriam em São Paulo foram cancelados. Notícias nos órgãos de imprensa sobre a epidemia foram censuradas pelo governo militar da época, causando mais confusão e alarme, pela falta de orientação. As aulas do 2º semestre de 1975 foram atrasadas em várias cidades do Estado de São Paulo para evitar aglomerações em salas de aula que poderiam facilitar a transmissão da doença. Nessa época foram produzidas as primeiras vacinas polissacarídicas contra esses meningococos e a vacinação em massa da população controlou a epidemia.

Na década de 80 houve novas epidemias originadas de focos europeus atingindo a América do Sul, Central e do Norte. Dessa vez a causa foi um meningoco do grupo B. Como há uma grande dificuldade e produzir vacina contra esse meningococo, a meningite por vírus B vem se mantendo em níveis endêmicos principalmente nas grandes capitais do Brasil. Isso significa que volta e meia aparece um caso, a vigilância epidemiológica é alertada, descobre o foco e impede aparecimentos de novos casos. Isso pode ser feito com a prescrição de antibióticos para todos os contactantes de um caso de meningite que recebem antibióticos profilaticamente.