Nossas primeiras memórias podem permanecer bloqueadas para nossa consciência porque nós não temos nenhuma habilidade de linguagem nesse período. Um estudo de 2004 traçou o desenvolvimento verbal em meninos e meninas de 27 a 39 meses de idade para saber quão bem eles podem relembrar um evento passado. Os pesquisadores descobriram que se as crianças não soubessem as palavras para descrever o evento quando ele aconteceu, elas não poderiam descrevê-lo mais tarde, depois de aprender as palavras apropriadas [fonte: Simcock e Hayne].
Verbalizar nossas memórias pessoais de eventos contribui para nossas memórias autobiográficas. Esses tipos de memórias ajudam a definir nossa noção de indivíduo e de relacionamento com as pessoas que nos cercam. Proximamente ligado a isso está a capacidade de reconhecer a si mesmo. Alguns pesquisadores propuseram que crianças não desenvolvem as habilidades de autorreconhecimento e uma identidade pessoal até 16 ou 24 meses [fonte: Fivush e Nelson].
Além disso, nós desenvolvemos o conhecimento de nosso passado quando começamos a organizar memórias dentro de um contexto. Muitas crianças em idade pré-escolar podem explicar diferentes partes de um evento em ordem sequencial, como o que aconteceu quando elas foram ao circo. Mas não antes de seu quinto ano, quando elas podem entender as idéias de tempo e o passado e, por isso, são capazes de colocar aquela ida ao circo numa linha de tempo mental [fonte: Fivush e Nelson].
Os pais também desempenham um papel central no desenvolvimento da memória autobiográfica das crianças. Pesquisas mostraram que a maneira como os pais evocam memórias verbalmente com suas pequenas crianças corresponde ao estilo de narrativa daquelas crianças para reter memórias mais tarde na vida. Em outras palavras, crianças cujos pais contam a elas sobre eventos passados, como festas de aniversário ou idas ao zoo, em detalhes, serão provavelmente mais vívidas ao descrever suas próprias memórias [fonte: Urshwa]. Curiosamente, a memória autobiográfica também tem um componente cultural. Os ocidentais têm suas memórias focadas em si mesmos, enquanto os orientais se lembram deles mesmos em contextos de grupo [fonte: Urshwa].
Mais explicações detalhadas existem relacionadas com a amnésia da infância. Mas a estrutura do cérebro, a linguagem e a noção de indivíduo são sua base. Para aprender mais sobre amnésia e memória, não esqueça de visitar os links da próxima página.