Para formar memórias, os humanos precisam criar sinapses, ou conexões entre as células do cérebro, que codificam a informação sensorial de um evento em memória. A parti daí, nossos cérebros organizam essa informação em categorias e a relacionam com outros dados similares, o que é chamado de consolidação. Para que essa memória dure, nós precisamos, periodicamente, acessar essas memórias e refazer aquelas sinapses iniciais, reforçando aquelas conexões.
Estudos já refutaram amplamente o pensamento há muito arraigado de que os bebês não podem codificar informação que forma a fundação das memórias. Por exemplo: em um experimento envolvendo bebês de 2 e 3 meses, as pernas dos bebês estavam presas por uma fita a um móbile [fonte: Hayne]. Ao agitar suas pernas, os bebês aprenderam que o movimento fazia o móbile se mexer. Mais tarde, colocados debaixo do mesmo móbile sem a fita, os bebês se lembraram de mexer as pernas. Quando o mesmo experimento foi feito com crianças de 6 meses, eles perceberam a relação do movimento das pernas com o móbile muito mais rapidamente, indicando que sua capacidade de codificação acelera gradualmente com o tempo, em vez de em apenas uma explosão significativa perto dos três anos de idade.
Essa codificação de memória pode estar relacionada ao desenvolvimento do córtex prefrontal na fronte do bebê. Essa área, que está ativa durante a codificação e o acesso de memórias explícitas, não é totalmente funcional no nascimento [fonte: Newcombe et al]. Contudo, aos 24 meses, o número de sinapses no cortex prefrontal atingiu os níveis adultos [fonte: Bauer].
![]() UC Berkeley A codificação e o armazenamento das memórias episódicas têm lugar no cortex prefrontal (verde) |
Ainda, o tamanho do hipocampo na base do cérebro cresce gradualmente até o seu segundo ou terceiro ano [fonte: Bauer]. Isso é importante porque o hipocampo determina que informação sensorial transferir para o armazenamento de longo prazo.
Mas e a memória implícita? Residente no cerebelo, a memória implícita é essencial para os recém-nascidos, permitindo que eles associem sentimentos de calor e segurança com o som da voz de sua mãe e instintivamente saibam como se alimentar. Confirmando essa presença inicial, estudos revelaram poucas mudanças de desenvolvimento na memória implícita à medida que envelhecemos [fonte: Newcombe et al]. Até em muitos casos de amnésia adulta, características implícitas, como andar de bicileta ou tocar piano, frequentemente sobrevivem a um trauma no cérebro.
Agora sabemos que os bebês têm uma memória implícita forte e podem codificar as explícitas também, o que indica que a amnésia da infância pode ter origem no acesso à memória explícita falho. A menos que pensemos especificamente em um evento passado, é preciso algum tipo de sinal para despertar uma memória explícita em todas as faixas etárias [fonte: Bauer].
Na próxima página, descubra o que são essas pistas.