Como o mel pode curar suas alergias

Não há estudos científicos comprovados que demonstrem de modo conclusivo que o mel diminui as alergias de fato. Quase todas as evidências relativas aos efeitos imunizadores da ingestão de mel não são cientificamente comprovadas. Mas estes estudos são convincentes o bastante e por causa disso algumas pessoas tentam combater suas alergias sazonais ingerindo mel diariamente.

Sem comprovação científica, contamos apenas com teorias sobre como o mel pode reduzir as alergias. A teoria que prevalece alega que o mel funciona como uma vacina. Vacinas introduzem versões inativas de um vírus ou germe específico no corpo, fazendo o organismo agir como se estivesse sendo efetivamente invadido, provocando uma resposta do sistema imunológico (fonte: UNICEF -em ingles). Isto produz anticorpos específicos para combater os invasores externos. Quando o corpo se expõe a germes ou vírus nocivos, os anticorpos estão ali para combatê-los.

Mel e alergias

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O mel expõe o corpo a alérgenos gradualmente, o que poderia imunizar a pessoa contra alergias


A idéia por trás da ingestão de mel seria semelhante a uma vacina gradual contra os alérgenos, processo chamado imunoterapia. O mel contém uma variedade dos mesmos esporos de pólen que torturam os alérgicos com o desabrochar das flores e gramados. Introduzir tais esporos no corpo através da ingestão de pequenas quantidades de mel ajuda o corpo a se acostumar com a presença dos mesmos, diminuindo a chance de uma resposta do sistema imunológico, a exemplo da liberação de histamina (fonte: AAFP - em inglês). Como a concentração de esporos de pólen encontrados no mel é baixa (comparada à quantidade encontrada ao se cheirar uma flor diretamente), a produção de anticorpos não provoca sintomas similares a uma reação alérgica.

Apesar do mel parecer inócuo, ele pode na verdade trazer alguns riscos em alguns casos. Como o mel pode conter uma bactéria que causa botulismo infantil, os órgãos oficiais de saúde alertam que crianças com menos de um ano de idade e que não desenvolveram plenamente seu sistema imunológico não devem ingerir mel (fonte: Mayo Clinic - em inglês).

O mel produzido pelas abelhas normalmente a alguns metros de onde a pessoa que ingere o produto vive é o mais indicado para tratar as alergias. Não existem especificações relativas a esse mel, mas evidências sugerem que quanto mais próximo da fonte, melhor será sua qualidade (fonte: Ogren - em inglês). Esta proximidade aumenta as chances de que a variedade de plantas com flores e os gramados que causam problemas aos alérgicos sejam as mesmas que as abelhas utilizem para fabricar seu mel. Até porque não iria adiantar muito ingerir mel com esporos de um tipo de gramado que cresce em Manaus, se você sofre de alergias em Porto Alegre.

Ao menos um estudo informal sobre alergias e mel realizado por estudantes da Xavier University em New Orleans trouxe resultados positivos. Os pesquisadores dividiram os participantes em três grupos: alérgicos sazonais, alérgicos crônicos e não-alérgicos. Estes grupos foram divididos em três subgrupos: algumas pessoas tomaram duas colheres de chá de mel produzido perto de sua casa por dia, outras tomaram a mesma quantidade de mel produzido longe de casa e o terceiro grupo não ingeriu nenhuma quantidade de mel. Os estudantes descobriram que, depois de seis semanas, os alérgicos de ambas as categorias tiveram menos sintomas e que o grupo que ingeriu mel produzido perto de casa apresentou melhora mais significativa.

O estudo nunca foi publicado, mas a evidência prática a favor do mel como um atenuante de alergia continua: diversos participantes do estudo quiseram guardar o restante de mel para uso próprio após o final da pesquisa.

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