Tratamento usando medicina nuclear

Autor: 
Craig Freudenrich, Ph.D.

As substâncias radioativas injetadas durante os exames com imagem não prejudicam o organismo. Os radioisótopos usados na medicina nuclear decaem rapidamente, em questão de horas ou até mesmo minutos, têm níveis de radiação menores que os raios X comuns ou que as tomografias computadorizadas, e são eliminados pela urina ou atividade intestinal.

Mas algumas células são  gravemente afetadas pela radiação ionizante (alfa, beta, gama e raios X). As células multiplicam-se em padrões diferentes e as que se multiplicam mais rápido são mais fortemente afetadas do que as outras células em razão de duas características:

  • as células possuem um mecanismo capaz de reparar o DNA danificado;
  • se, no momento da sua divisão, a célula perceber que o seu DNA está adulterado, ela irá se auto-destruir.

O mecanismo de reparo das células de multiplicação rápida tem menos tempo para detectar e consertar problemas com o DNA antes que a célula se divida, de forma que é mais provável que elas se auto-destruam quando corrompidas por radiação nuclear.

Já que muitas formas de câncer são caracterizadas pela rápida multiplicação de células, elas  podem ser tratadas com radioterapia. Geralmente são colocados cabos ou ampolas radioativas na região do tumor. Para tumores profundos ou situados em locais inoperáveis, são utilizados raios X de alta intensidade, focalizados sobre o tumor.

O problema com este tipo de tratamento é que as células normais que se reproduzem rapidamente podem ser também afetadas. Células de cabelo, células que revestem o estômago e intestinos, células da pele e sangüíneas, todas reproduzem-se rapidamente, podendo ser fortemente afetadas pela radiação. Isso ajuda a explicar por que as pessoas submetidas a essa terapia freqüentemente sofrem queda de cabelo e náuseas.

Os materiais nucleares também podem ser usados para criar traçadores radioativos, que podem ser injetados na corrente sangüínea. Um certo tipo de traçador trafega pelo sangue, permitindo que a estrutura dos vasos sangüíneos possa ser observada. Esse método de observação permite que coágulos e outras anormalidades do sangue possam ser facilmente detectadas. Além disso, certos órgãos concentram diferentes tipos de substâncias químicas: a glândula tireóide acumula iodo, assim, a injeção de iodo radioativo na corrente sangüínea poderá revelar certos tumores da tiróide. Da mesma forma, como os tumores cancerígenos acumulam fosfatos, podem ser descobertos com a introdução do isótopo de fósforo-32 radioativo na circulação sangüínea, já que este contém maior radioatividade.