Viagra, Levitra e Cialis

A FDA (Administração de Alimentos e Drogas em português) aprovou vários medicamentos para tratar a disfunção erétil. Vamos começar com a primeira pílula a receber a aprovação: o Viagra.

Viagra

O Viagra (cujo nome genérico é sildenafil) é um medicamento que bloqueia a ação da enzima fosfodiesterase do tipo 5 (PDE). Esta enzima localiza-se nas plaquetas e no tecido erétil do pênis. Para compreender a importância de bloquear a PDE5, é necessário entender seu papel no complexo processo químico que gera uma ereção.

O Viagra foi a primeira droga aprovada pela FDA para tratar a disfunção erétil.
Pfizer
O Viagra foi a primeira droga aprovada
pela FDA para o tratamento da
disfunção erétil

Quando uma ereção se forma, a liberação de óxido nítrico pelas terminações nervosas no pênis promove um suave relaxamento muscular. O óxido nítrico consegue isso ao estimular uma enzima chamada guanilato ciclase. Esta enzima, por sua vez, promove o acúmulo de guanosina monofosfato cíclico (cGMP), um composto que causa a redução na quantidade de cálcio dentro de uma célula muscular. Isto, por sua vez, relaxa essa célula muscular e promove a ereção do pênis. Quanto mais cGMP dentro da célula, melhor será a ereção.

No entanto, o cGMP é quebrado pela enzima PDE5, que existe em grandes quantidades no pênis. É por isso que a capacidade do Viagra de bloquear a ação do PDE5 é tão essencial. A droga possibilita o acúmulo de cGMP, que permite que uma ereção ocorra e se mantenha. Como o Viagra não relaxa o tecido erétil diretamente, na ausência de óxido nítrico e cGMP ele não tem nenhum efeito sobre a ereção. É por esta razão que a excitação deve ocorrer para o Viagra funcionar. E é por isso que o Viagra melhora o desempenho, mas não inicia, relações sexuais.

Também existem enzimas PDE em outras áreas do corpo. A PDE3, por exemplo, está presente no músculo cardíaco, e a PDE6 na retina. No entanto, pelo fato de o Viagtra ser 4 mil vezes mais seletivo para a PDE5 do que para a PDE3, ele não tem efeitos significativos sobre o coração, o que é muito importante. O Viagra causa algumas reações cruzadas com a PDE6 da retina, e essa é a razão pela qual um número muito pequeno de homens relatou sentir alterações visuais, como visão embaçada e aparecimento de manchas verde-azuladas no campo visual, ao tomar o Viagra.

Novos medicamentos de uso oral

Desde o lançamento do Viagra, em 1998 duas outras drogas para o tratamento da disfunção erétil receberam a aprovação da FDA. Estas drogas, o Levitra (vardenafil) e o Cialis (tadalafil), oferecem aos homens mais opções de tratamentos via oral.

O vardenafil e o tadalafil estão na mesma classe de medicamentos que o sildenafil (Viagra): são inibidores da fosfodiesterase do tipo 5 (PDE5). O vardenafil é, em termos farmacológicos, quase idêntico ao Viagra, enquanto o tadalafil possui uma estrutura química exclusiva. Os pesquisadores estão esperançosos de que homens com disfunção erétil que não responderem ao tratamento com Viagra possam se beneficiar dessas outras novas drogas.

Até o momento, ainda não existem estudos comparando as três. Mas em testes separados, o tadalafil permitiu que homens com  problema de disfunção tivessem relações sexuais até 36 horas após ter tomado a pílula e, em algumas vezes, por períodos ainda mais longos. Isto diferencia o tadalafil tanto do vardenafil como do sildenafil, pois ambos têm eficiência de aproximadamente 5 horas. Urologistas que cuidam da disfunção erétil dizem que a natureza mais duradoura do tadalafil dará a casais uma vantagem ao permitir que a relação seja mais espontânea.

Os três medicamentos entram em ação após um período de 30 a 60 minutos, apesar de ainda haver alegações não comprovadas de que as duas novas drogas entram em ação mais rapidamente.

Eles também possuem efeitos colaterais semelhantes, incluindo dor de cabeça leve a moderada, rubor da face, dispepsia (dor de estômago) e congestão nasal. Em testes clínicos, o vardenafil e o tadalafil causaram menos alterações visuais do que o Viagra. Embora o tadalafil tenha um benefício mais duradouro, seus efeitos não duraram mais do que os efeitos das outras duas drogas nos testes clínicos. Como o sildenafil, o vardenafil e o tadalafil são contra-indicados se o paciente estiver tomando qualquer tipo de medicamento à base de nitrato, de curta ou longa ação. Nenhum destes medicamentos levou ao aparecimento de casos de infarto ou outros problemas do coração em homens que os usaram.

Estudos

O Viagra foi o primeiro bloqueador de PDE5 a ser pesquisado em testes clínicos e receber a aprovação da FDA. Em um período de quatro anos, quase 4 mil homens em todo o mundo participaram de 21 estudos que pesquisaram diversos aspectos do Viagra. Estes estudos incluíram homens de 19 a 87 anos de idade que tinham disfunção erétil por várias causas, incluindo razões físicas, psicológicas e mais de uma causa. Todos estes estudos demonstraram que o Viagra causa uma melhora significativa da função erétil quando comparado a um placebo ("pílula de açúcar" que não contém nenhum tipo de medicamento). O Levitra e o Cialis mostraram eficácia semelhante em testes clínicos, que resultaram na sua aprovação pela FDA para o tratamento da disfunção erétil.

A melhora foi medida com um questionário sobre funcionamento sexual (o IIEF - Índice Internacional da Função Erétil). Este questionário coletou informações não apenas sobre a função erétil, mas também sobre o orgasmo, desejo, satisfação com a relação sexual e satisfação sexual geral. Os pacientes e seus parceiros receberam a recomendação de manter um diário. Os resultados mostraram que o Viagra melhorou as ereções em 63% dos homens que tomaram 25 mg, 74% dos homens que tomaram 50 mg e 82% dos homens que tomaram 100 mg. Estes números são bastante impressionantes, especialmente devido ao fato de que apenas 24% dos homens que tomaram placebo relataram melhora nas ereções. É importante deixar claro que algo entre 1/3 e metade dos homens pesquisados haviam relatado ter relações sexuais com sucesso ao menos uma vez durante o período de quatro semanas antes de começarem a tomar o medicamento.

O Viagra e o Levitra também se mostraram eficazes no tratamento de homens com disfunção erétil que tinham uma ampla gama de problemas médicos, incluindo aqueles que tinham histórico de doença coronariana, hipertensão, doença vascular periférica, diabetes, depressão, prostatectomia radical e lesão na medula espinhal. Em um estudo realizado, 268 pacientes com disfunção erétil supostamente causada pela diabetes tomaram Viagra. Destes pacientes, 57% relataram melhora nas ereções e 48% nas tentativas de relações sexuais bem sucedidas. Apenas 12% das tentativas de relação sexual obtiveram sucesso com o placebo.

Em outro estudo com, 178 pacientes com ferimento na medula espinhal e disfunção erétil, 43% relataram melhoras nas ereções devido ao Viagra, com 59% das tentativas de relação sexual bem sucedidas (comparadas apenas a 13% para o placebo).

Em um estudo com 178 homens com impotência causada por fatores psicológicos, 70% das tentativas obtiveram sucesso, contra 29% obtidos com o placebo. Esses dados indicaram que drogas como o Viagra podem ser formas de tratamento eficazes para uma ampla gama de causas. E estudos demonstraram que, tanto a satisfação com a relação e a satisfação sexual geral, duplicaram após o tratamento com Viagra.

O interessante é que a única área na qual o Viagra, Levitra e Cialis não demonstraram melhora significativa foi a do desejo sexual. Fica claro que estes medicamentos não são afrodisíacos.

Embora os estudos tenham provado que estes medicamentos são um tratamento eficaz para a disfunção erétil, eles não pesquisaram precauções possíveis ou efeitos colaterais das drogas. Mas, basta ler nossa próxima seção para conhecer as respostas a estas questões.

Estas informações são apenas para fins ilustrativos. ELAS NÃO DEVEM SER LEVADAS EM CONSIDERAÇÃO COMO CONSELHOS MÉDICOS. Nem os Editores do Consumer Guide (R), Publications International, Ltd., o autor ou a editora assumem responsabilidade por quaisquer conseqüências de qualquer tratamento, procedimento, exercícios, alteração de dieta, ação ou aplicação de medicamentos utilizados decorrentes da leitura ou instruções contidas neste artigo. A publicação destas informações não constitui a prática de medicina e não substituem o conselho de seu médico ou outro profissional da área de saúde. Antes de se submeter a qualquer tratamento, o leitor deve procurar o aconselhamento de seu médico ou outro profissional da área de saúde.