O mapa cerebral completo

Autor: 
Susan Nasr

Após extraírem imagens dos cérebros de uma população grande o bastante para a geração de estatísticas, os pesquisadores fizeram mapas cerebrais sofisticados. Existem alguns que ilustram onde nós perdemos volume cerebral conforme envelhecemos, a AIDS progride ou quando fazemos uso das metanfetaminas.

Você usa tudo

É um mito que nós utilizamos somente 10% do cérebro. Nós usamos tudo. As imagens cerebrais têm documentado coletivamente atividades em todas as áreas. Além disso, um dano sobre uma pequena região pode comprometer as nossas principais habilidades.

Como seria um mapa completo do cérebro humano? Isso depende dos seus interesses. Se você deseja conhecer a estrutura cerebral, você vai querer ver a versão hipotética do Google Earth que pode começar com uma imagem do córtex e aproximar para o neurônio de número 888.898.432.857.

Esse mapa completo ao estilo do Google Earth simula muitos pontos. Um deles é a imagem de todos os neurônios do cérebro humano e suas conexões. Até mesmo no rato é difícil esse dado, diz o biólogo de Harvard, Jeff Lichtman. Com o ATLUM e um microscópio eletrônico agora funcionando, conseguir um mapa de todos os neurônios interconectados do cérebro do rato levaria 200 mil semanas, prevê Lichtman. Os dados seriam "maiores do que todas as informações contidas na internet e em todas as bibliotecas do mundo", diz ele. "No momento, o tipo de armazenamento que é possível nos computadores não está à altura da tarefa". O único "cérebro" para o qual nós temos um mapa completo dos neurônios interligados pertence à C. elegans, "uma larva de 1 mm de comprimento e que possui 300 células nervosas", diz Lichtman.

Novamente, a sua definição de um mapa cerebral completo depende de seus interesses. Se você for um neuropsiquiatra, por exemplo, o mapeamento completo pode ser uma imagem em lapso-temporal mostrando como o transtorno bipolar se desenvolve no cérebro desde o nascimento até o primeiro sintoma e o que o lítio faz para impedir o processo.

Isso pode não ser o bastante para você. Você pode querer conhecer a função de cada centímetro do cérebro. Infelizmente, isso é impossível. Não conseguimos capturar funções que ocorrem muito rapidamente ou muito lentamente, diz o neurobiologista Charles Wilson. Outros processos levam uma vida inteira. Nenhum estudo de imagens abrangeu uma pessoa desde o nascimento até a morte. "Nenhum método que conhecemos lida com todo o tempo de interesse. Nenhum método que conhecemos lida com mais do que uma pequena parte disso", diz Wilson. Neste ponto, Lichtman afirma que não existe um esforço em andamento para integrar todos esses mapas em um só.

Mas não há um motivo fundamental para que não possamos acabar tendo qualquer um, ou todos esses mapas, diz Wilson. "Os problemas são todos de natureza prática tecnológica que podem ser superados. E quanto a qualquer mapa, se você parte de um modelo primitivo, é melhor do que nenhum mapa. E você não precisa de um novo, apenas é preciso acrescentar informações ao antigo para refiná-lo cada vez mais. Nós não vamos acordar um dia e termos isso pronto. Nós vamos acrescentar um pouco hoje, um pouco amanhã, e em algum ponto, vamos dizer: ‘uau, isso está começando a ficar bom".

Para mais informações sobre o processo do mapeamento cerebral, confira a próxima página.